O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, anunciou apoio a 47 pré-candidatos ao Senado nas 27 unidades da Federação. O anúncio foi feito em transmissão ao vivo no dia 6 de agosto de 2026, ao lado do coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho, e do deputado Guilherme Derrite, candidato por São Paulo. Do conjunto, 33 nomes são do próprio PL e 14 vêm de partidos aliados, entre eles PP, União Brasil, MDB, Novo, Podemos, Republicanos, PSD e PSDB. A divulgação ocorreu um dia depois da confirmação do deputado Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente da chapa.
A cobertura de centro relatou a estratégia declarada pelo próprio candidato: fortalecer palanques estaduais, ampliar a base da chapa e formar uma bancada alinhada a um eventual governo, com prioridade para segurança pública, redução de impostos e reformas econômicas. Essa mesma cobertura acrescentou os números que o anúncio não trouxe. Apenas sete dos 47 indicados são mulheres, o equivalente a 15% da lista, e cerca de 30% pertencem a legendas do centrão. Um levantamento jornalístico apurou ainda que ao menos 39 dos apoiados, ou 83% do total, já defenderam publicamente o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, com destaque para o ministro Alexandre de Moraes.
A aritmética explica a insistência no tema. Em outubro serão eleitos 54 dos 81 senadores, dois por estado, para mandatos de oito anos. Segundo o coordenador da campanha, são necessários 41 senadores para abrir processo por crime de responsabilidade contra um ministro do Supremo e 54 votos para concluir a cassação. O mesmo patamar de 41 é o que permitiria eleger o presidente da Casa. O próximo presidente da República também indicará quatro ministros à corte, hoje composta por uma única mulher.
Dois dias depois da live, o candidato participou de um ato voltado ao eleitorado feminino no interior de São Paulo. Ali afirmou que indicará homens e mulheres ao Supremo, cobrou que magistrados que queiram fazer política renunciem e se candidatem, defendeu o armamento e anunciou que pretende classificar facções criminosas como organizações terroristas. Também pediu concentração de votos nos dois nomes que apoia no estado, para evitar que a divisão da direita entregue uma cadeira à esquerda.
É na leitura desses mesmos fatos que a cobertura se separa. Veículos de esquerda destacaram a distância entre o discurso de aproximação com as eleitoras e a prática: 15% de mulheres na lista, a desistência de uma vice mulher, a fala do candidato de que teve duas filhas para que cuidem dele na velhice e um evento anunciado como debate de políticas públicas para mulheres que reuniu quatro homens e uma mulher no material de divulgação, com uma única oradora no palco. Para esse campo, a bancada projetada tem função explícita de retaliar a corte que condenou o ex-presidente por tentativa de golpe. A leitura provável de veículos de direita, que não figuram entre as fontes desta cobertura, é oposta: sem tempo relevante de propaganda em televisão, a construção de palanques estaduais vira o principal ativo da campanha, e o impeachment de ministros é instrumento previsto na Constituição e julgado pelo Senado, apresentado como resposta a decisões monocráticas e a excessos do Judiciário, não como ruptura institucional.
Há convergência em pontos objetivos. Todos os relatos registram a composição da lista, o peso do PL, a presença de nomes do centrão, a centralidade da agenda de segurança pública e o fato de que a disputa pelo Senado foi transformada no eixo da campanha presidencial. Também há acordo de que o desempenho entre mulheres é o ponto frágil da candidatura e de que a montagem dos palanques envolveu recuos em estados como Ceará, Santa Catarina, Alagoas e Rio de Janeiro.
O que ainda não se sabe é considerável. Sete dos nomes do centrão apoiados não têm posição pública clara sobre o impeachment de ministros, e um deles chegou a dizer, no ano passado, que não assinaria o pedido. A campanha não respondeu sobre o percentual de candidatas. Não está definido se os partidos do centrão que negaram aliança nacional manterão apoio local até outubro, nem qual será o efeito do anúncio sobre a intenção de voto, especialmente entre eleitoras. Os números das pesquisas citadas nos textos aparecem apenas de forma indireta, sem detalhamento de cenários.