O candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do estado, apresentou em 4 de agosto de 2026 a vereadora de Niterói Fernanda Louback como sua candidata a vice. A escolha completa a chapa do partido para a disputa pelo Palácio Guanabara e vem acompanhada da confirmação de duas candidaturas ao Senado pelo estado, as de Carlos Portinho, que busca novo mandato, e do deputado federal Carlos Jordy.
Há pontos em que toda a cobertura converge. Fernanda Louback está no primeiro mandato como vereadora, eleita em 2024 com 3.503 votos, depois de derrotas em 2020 e 2022. Foi Miss Rio de Janeiro em 2003, é empresária do ramo de joias e entrou na política após obras de revitalização no centro de Niterói prejudicarem o acesso à sua loja. Preside a Comissão de Pessoas com Deficiência da Câmara municipal, é mãe atípica e construiu sua imagem pública em torno da defesa de direitos de pessoas com deficiência e no espectro autista. Também é consenso que ela mantém proximidade pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a quem dedicou agradecimentos nas redes sociais, e que se apresenta como conservadora, com uma plataforma centrada na família, nas pessoas com deficiência e nos pequenos empreendedores. Nas redes do candidato ao governo, a segurança pública aparece como eixo principal, com propostas de ensino cívico-militar e redução da maioridade penal.
As ênfases se separam a partir daí. A cobertura de centro concentrou-se no histórico de declarações da candidata a vice, listando o episódio em que comparou Niterói ao Nordeste brasileiro pelo comportamento eleitoral, o bate-boca com uma vereadora do PSOL durante a votação de um título de cidadã para uma cantora, quando afirmou que parece ser crime ser branco no Brasil, a autoria da chamada Lei Anti-Oruam no município e a defesa da internação compulsória de pessoas em situação de rua dependentes de drogas. Nessa leitura, a ascensão da vereadora na direita fluminense é rápida e marcada por controvérsias.
Veículos de esquerda deslocaram o foco para o programa da chapa e para o alinhamento partidário. Destacaram que, apesar de os candidatos se anunciarem como representantes da mudança, a composição é fortemente ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e contrapuseram a promessa de reduzir a maioridade penal a dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em julho de 2026, segundo os quais apenas 2,5% dos registros policiais envolvem pessoas de 12 a 18 anos, quase sempre por furtos, roubos e participação secundária no tráfico. O mesmo levantamento aponta 2.079 mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes em 2025 e indica que 35% das vítimas de mortes decorrentes de intervenção policial tinham entre 18 e 24 anos. Essa cobertura também registrou que um dos indicados ao Senado é investigado por incitar os atos golpistas de 8 de janeiro e foi alvo, em dezembro de 2025, de operação da Polícia Federal sobre desvio de emendas parlamentares.
Veículos de direita não haviam publicado cobertura própria sobre o anúncio até o fechamento deste texto. O enquadramento conservador aparece nas falas dos próprios integrantes da chapa, que justificam o rigor penal pelo aliciamento de jovens por facções criminosas, apresentam o ensino cívico-militar como resposta de disciplina e defendem a restrição ao uso de dinheiro público em apresentações voltadas ao público infantojuvenil que façam apologia ao crime.
Ainda não se sabe uma série de pontos. A candidatura ao governo do estado não constava na página do Tribunal Superior Eleitoral no momento do anúncio, e o programa de governo detalhado, com custos e prazos, não foi divulgado. Também não há resposta pública dos candidatos às críticas dirigidas às propostas de segurança e ao histórico de declarações da vice, nem informação sobre o estágio das investigações que envolvem o candidato ao Senado. A composição final das alianças no estado e a divisão do tempo de televisão entre os concorrentes seguem em aberto.