Vice de Douglas Ruas é aliada de Michelle Bolsonaro e aposta em agenda conservadora
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A chapa que se apresenta como alternativa de mudança no Rio de Janeiro é, na leitura de esquerda, uma continuidade direta do bolsonarismo: une o presidente da Assembleia Legislativa a uma vereadora que se declara amiga da ex-primeira-dama e agradece publicamente ao entorno do ex-presidente. O programa anunciado aposta em endurecimento penal e militarização escolar num estado que já lidera indicadores de letalidade policial. Dados oficiais de julho de 2026 mostram que adolescentes respondem por parcela mínima dos registros policiais e figuram sobretudo como vítimas, o que esvazia a promessa de reduzir a maioridade penal. Soma-se a isso o histórico de falas hostis a mulheres negras e a defesa de internação compulsória de pessoas em situação de rua.
Veículos deste lado: Brasil de Fato
O candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa, anunciou em 4 de agosto de 2026 a vereadora de Niterói Fernanda Louback como candidata a vice. Eleita em 2024 com 3.503 votos, ex-Miss Rio de Janeiro e presidente da Comissão de Pessoas com Deficiência da Câmara de Niterói, Louback é próxima da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e apresenta uma plataforma conservadora centrada na família, nos direitos de pessoas com deficiência e nos pequenos empreendedores.
Veículos deste lado: O Globo
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Toda a cobertura registra que a chapa do PL ao governo do Rio é conservadora e alinhada ao bolsonarismo, que Fernanda Louback é vereadora de primeiro mandato em Niterói e próxima da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e que a segurança pública é o eixo central do programa anunciado por Douglas Ruas.
O candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do estado, apresentou em 4 de agosto de 2026 a vereadora de Niterói Fernanda Louback como sua candidata a vice. A escolha completa a chapa do partido para a disputa pelo Palácio Guanabara e vem acompanhada da confirmação de duas candidaturas ao Senado pelo estado, as de Carlos Portinho, que busca novo mandato, e do deputado federal Carlos Jordy.
Há pontos em que toda a cobertura converge. Fernanda Louback está no primeiro mandato como vereadora, eleita em 2024 com 3.503 votos, depois de derrotas em 2020 e 2022. Foi Miss Rio de Janeiro em 2003, é empresária do ramo de joias e entrou na política após obras de revitalização no centro de Niterói prejudicarem o acesso à sua loja. Preside a Comissão de Pessoas com Deficiência da Câmara municipal, é mãe atípica e construiu sua imagem pública em torno da defesa de direitos de pessoas com deficiência e no espectro autista. Também é consenso que ela mantém proximidade pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a quem dedicou agradecimentos nas redes sociais, e que se apresenta como conservadora, com uma plataforma centrada na família, nas pessoas com deficiência e nos pequenos empreendedores. Nas redes do candidato ao governo, a segurança pública aparece como eixo principal, com propostas de ensino cívico-militar e redução da maioridade penal.
As ênfases se separam a partir daí. A cobertura de centro concentrou-se no histórico de declarações da candidata a vice, listando o episódio em que comparou Niterói ao Nordeste brasileiro pelo comportamento eleitoral, o bate-boca com uma vereadora do PSOL durante a votação de um título de cidadã para uma cantora, quando afirmou que parece ser crime ser branco no Brasil, a autoria da chamada Lei Anti-Oruam no município e a defesa da internação compulsória de pessoas em situação de rua dependentes de drogas. Nessa leitura, a ascensão da vereadora na direita fluminense é rápida e marcada por controvérsias.
Veículos de esquerda deslocaram o foco para o programa da chapa e para o alinhamento partidário. Destacaram que, apesar de os candidatos se anunciarem como representantes da mudança, a composição é fortemente ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e contrapuseram a promessa de reduzir a maioridade penal a dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em julho de 2026, segundo os quais apenas 2,5% dos registros policiais envolvem pessoas de 12 a 18 anos, quase sempre por furtos, roubos e participação secundária no tráfico. O mesmo levantamento aponta 2.079 mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes em 2025 e indica que 35% das vítimas de mortes decorrentes de intervenção policial tinham entre 18 e 24 anos. Essa cobertura também registrou que um dos indicados ao Senado é investigado por incitar os atos golpistas de 8 de janeiro e foi alvo, em dezembro de 2025, de operação da Polícia Federal sobre desvio de emendas parlamentares.
Veículos de direita não haviam publicado cobertura própria sobre o anúncio até o fechamento deste texto. O enquadramento conservador aparece nas falas dos próprios integrantes da chapa, que justificam o rigor penal pelo aliciamento de jovens por facções criminosas, apresentam o ensino cívico-militar como resposta de disciplina e defendem a restrição ao uso de dinheiro público em apresentações voltadas ao público infantojuvenil que façam apologia ao crime.
Ainda não se sabe uma série de pontos. A candidatura ao governo do estado não constava na página do Tribunal Superior Eleitoral no momento do anúncio, e o programa de governo detalhado, com custos e prazos, não foi divulgado. Também não há resposta pública dos candidatos às críticas dirigidas às propostas de segurança e ao histórico de declarações da vice, nem informação sobre o estágio das investigações que envolvem o candidato ao Senado. A composição final das alianças no estado e a divisão do tempo de televisão entre os concorrentes seguem em aberto.
Fernanda Louback (PL) foi confirmada na chapa do presidente da Alerj nesta terça-feira

O candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PL, Douglas Ruas, apresentou nesta terça-feira (4) sua candidata a vice, a vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL). Com isso, apesar de se anunciarem…
