A candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva, da Rede, foi agarrada por um homem não identificado durante uma caminhada de campanha no centro da capital paulista, na segunda-feira, 17 de agosto de 2026. O percurso, entre a praça da República e o Theatro Municipal, abria oficialmente a campanha de Fernando Haddad, do PT, ao governo do estado, e havia sido organizado com foco nas mulheres, reunindo também a candidata ao Senado Simone Tebet, do PSB. Segundo os relatos, o homem tocou o ombro e a barriga da ex-ministra do Meio Ambiente, gritou palavras hostis e foi afastado por assessores da campanha. Marina Silva se abrigou em um comércio próximo e voltou em seguida à agenda.
No dia seguinte, a candidata fez um pronunciamento em que classificou o episódio como violência política de gênero. Afirmou que o caso não diz respeito apenas a ela, e sim a um padrão de constrangimento, agressão e tentativa de silenciamento que empurra mulheres para fora dos espaços públicos e dos lugares de decisão. Pediu que os fatos sejam apurados com rigor, que quem ultrapassa os limites da lei seja responsabilizado e disse que continuará nas ruas. Ao relatar o episódio a jornalistas, ainda no dia do ato, havia dito: “Era um homem com gestual muito agressivo, eles estão fazendo isso o tempo todo com o Haddad e agora fizeram comigo”.
Os três blocos de cobertura convergem no essencial: o contato físico existiu, o autor não quis se identificar, foi contido por assessores e nenhuma prisão foi noticiada. A cobertura de centro encaixou o episódio no lançamento da campanha e deu peso igual às promessas de Fernando Haddad na área de segurança pública, como valorização e reajuste às polícias civil e militar, ampliação do esclarecimento de crimes e delegacias da mulher abertas 24 horas, registrando tanto a fala em que ele atribuiu a intolerância crescente à extrema direita quanto a nota de solidariedade divulgada pelo governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas, do Republicanos.
As divergências aparecem no que cada lado escolheu como centro da história. Veículos de esquerda organizaram a matéria em torno da categoria de violência política de gênero e da dimensão estrutural do caso, reunindo as manifestações de Simone Tebet, que perguntou por que o agressor escolheu a mulher da caminhada e não os homens ao lado dela, do presidente nacional do PT, Edinho Silva, e dos parlamentares Manuela d'Ávila, Benedita da Silva e Henrique Vieira. Veículos de direita colocaram a reação de Tarcísio de Freitas no primeiro plano, reproduzindo a nota em que ele defende que atos criminosos sejam investigados e severamente punidos e afirma que divergências, críticas e protestos fazem parte da democracia, mas violência e intimidação não. É uma leitura que trata o episódio como crime individual a apurar, sem a moldura de responsabilização coletiva de um campo político, e que sublinha a condenação vinda também do lado adversário.
O que ainda não se sabe é quem é o homem que abordou a candidata, qual era a motivação dele e se houve registro de boletim de ocorrência, prisão em flagrante ou abertura de inquérito. Também não há informação pública sobre eventual reforço no esquema de segurança das candidaturas para o restante do calendário eleitoral, nem sobre providências das autoridades de segurança do estado a respeito do caso.