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O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, afirmou em evento da Confederação Nacional da Indústria, em Brasília, que, se eleito, exigiria a conclusão dos estudos apenas de homens beneficiários do Bolsa Família. Segundo ele, as mulheres não teriam a mesma exigência por terem 'outras atribuições em casa'. Zema também propôs um bônus de R$ 5.000 a quem deixar o programa após conseguir emprego formal e criticou o que chamou de 'geração de imprestáveis'.
O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema, do partido Novo e ex-governador de Minas Gerais, gerou polêmica nacional ao detalhar, nesta segunda-feira, suas propostas para o Bolsa Família. Durante evento da Confederação Nacional da Indústria, em Brasília, Zema afirmou que, caso eleito, exigiria a conclusão dos estudos apenas de homens beneficiários do programa para manter o auxílio. As mulheres, segundo ele, não teriam a mesma cobrança por terem 'outras atribuições em casa'.
'Viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens', declarou o pré-candidato. Ele acrescentou que pretende exigir que jovens que não concluíram o ensino fundamental, médio ou técnico o façam, afirmando que 'ninguém vai morrer se tiver de estudar' e que o país está criando uma 'geração de imprestáveis'.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma factual e ancorada em dados. Hoje, o Bolsa Família exige frequência escolar das crianças e acompanhamento de saúde da família, mas não impõe a adultos a conclusão dos estudos. O programa atende 19,35 milhões de famílias, com benefício médio de R$ 677,66 em junho de 2026. No mesmo evento, Zema propôs um bônus de R$ 5.000 para quem deixar o programa após conseguir emprego com carteira assinada, além de defender a privatização de estatais, a flexibilização da CLT e reformas administrativa e da Previdência. Reportagens de centro também trouxeram dados de pesquisa: um estudo da Fundação Getulio Vargas aponta que a maioria dos beneficiários jovens já deixou o programa ao longo dos anos, e o Fundo Monetário Internacional afirmou que o Bolsa Família não reduz sistematicamente a participação das mulheres na força de trabalho, números que relativizam as premissas do candidato.
É na interpretação da fala que as coberturas divergem. Veículos de esquerda, ligados aos direitos das mulheres, enfatizaram que a declaração reforça o machismo estrutural ao tratar o trabalho doméstico e o cuidado dos filhos como obrigação natural da mulher. Para esse enquadramento, isentar as beneficiárias da exigência de estudo retira delas o incentivo à qualificação e à autonomia financeira, num programa em que a imensa maioria dos titulares são mães chefes de família de baixa renda. A expressão 'imprestáveis' foi vista como estigmatização de famílias vulneráveis.
Veículos de direita e apoiadores da proposta, por outro lado, enfatizaram o argumento de combate à dependência crônica de programas sociais. Nesse enquadramento, o foco em homens jovens ataca o desemprego masculino e a evasão escolar, enquanto a isenção das mulheres reconhece a dupla jornada das mães de periferia. O bônus de R$ 5.000 seria um estímulo à formalização, compensado pela arrecadação. Zema associou a medida a uma crítica ao 'populismo' e ao 'paternalismo' que, segundo ele, perpetuam a pobreza.
O que ainda não se sabe é como a regra de diferenciação por gênero seria operacionalizada juridicamente, dado que o desenho atual do programa trata o núcleo familiar de forma conjunta. Também não há detalhamento sobre o financiamento do bônus em larga escala nem manifestação oficial do governo federal ou de movimentos de mulheres em resposta direta à proposta. A própria viabilidade eleitoral da pauta é incerta: na última pesquisa Datafolha, Zema marcava 2%, atrás dos líderes Lula e Flávio Bolsonaro.
Todos os lados reconhecem que Zema propôs cobrar estudo apenas de homens no Bolsa Família, isentando as mulheres por terem 'outras atribuições em casa', e que a fala ocorreu em evento da CNI sobre a agenda econômica dos presidenciáveis.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Reportagem mais completa do cluster: ancora a fala de Zema em dados de pesquisa da FGV e do FMI que relativizam premissas do candidato, traz números do Datafolha e cobre também Flávio Bolsonaro e Caiado no mesmo evento. Equilíbrio factual de alto padrão.
Cobertura factual e densa em dados (19,35 milhões de famílias, benefício médio de R$ 677,66, proposta de bônus de R$ 5.000). Reproduz falas controversas de Zema entre aspas sem aderir a elas. Padrão de agência factual.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Relato direto da fala de Zema com aspas e explicação das condicionalidades atuais do programa. Enquadramento favorável ao candidato de direita: dá espaço à proposta de capacitação e inserção no mercado formal sem contraditório, e omite as vozes críticas à diferenciação por gênero, alinhando-se ao publisher RIGHT.
Perspectivas omitidas

Presidenciável fala em obrigações para obter benefício e evitar

Pré-candidato à presidência cita "atribuições em casa" das mulheres e defende que homens sejam estimulados a estudar. Leia no Poder360.

O ex-governador de Minas Gerais defendeu que mulheres têm outras atribuições no lar, o que gera diferença nas responsabilidades em relação aos homens
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