A pesquisa AtlasIntel, realizada em parceria com a Bloomberg e divulgada em 2 de julho de 2026, tornou-se o novo capítulo da crise que opõe a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. O levantamento mediu como o eleitorado reagiu ao vídeo em que Michelle afirma ter sido humilhada pelo enteado durante discussões sobre decisões internas do PL. O instituto ouviu 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho, com margem de erro de um ponto percentual e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04582/2026.
O dado central é que a maioria dos eleitores enxerga prejuízo à candidatura de Flávio. Entre os que assistiram ao vídeo, 64,1% avaliam que o episódio enfraquece a campanha do senador. No conjunto da amostra, 37,8% afirmam que a exposição do conflito enfraquece muito a candidatura e 26,3% que enfraquece um pouco, enquanto 22,4% dizem que não há impacto e apenas 9,2% percebem algum fortalecimento. A cobertura de centro, como a da CNN Brasil e da Estadão Conteúdo, apresentou esses percentuais com paridade, destacando ainda que 78% dos brasileiros afirmaram ter assistido ao vídeo e que 59,6% dão credibilidade às acusações de Michelle.
Um ponto em que todas as coberturas convergem é a clivagem entre o eleitorado geral e a base bolsonarista. No total, 51% aprovam a decisão de Michelle de tornar pública a divergência; entre os eleitores de Jair Bolsonaro, porém, o cenário se inverte e 65,6% desaprovam a atitude da ex-primeira-dama. A pesquisa também aponta que Flávio permanece como o principal nome da direita para suceder o pai: aparece com 43,2% das preferências, seguido pelo deputado Nikolas Ferreira, com 18,4%, e pelo empresário Renan Santos, com 14,5%. Entre quem votou em Bolsonaro em 2022, 81,9% preferem Flávio como candidato do bolsonarismo.
É na interpretação política do episódio que as coberturas divergem. Veículos de esquerda, como a Revista Fórum e O Cafezinho, enfatizaram que o resultado escancara uma direita dividida, exposta e vulnerável, incapaz de organizar de forma pacífica a herança de Bolsonaro. Essa cobertura destacou o peso de Michelle como presidente do PL Mulher e ponte com o eleitorado feminino e evangélico, além de associar o vídeo mais recente ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao escândalo do Banco Master, ampliando o desgaste do senador. Já a leitura mais próxima ao campo conservador, ancorada em colunas de bastidores do Metrópoles e reproduzida por portais de centro, relatou que a própria pré-campanha de Flávio se disse surpresa positivamente e classificou o impacto como um mero 'ruído', sem grande prejuízo eleitoral, comemorando o engajamento da base em defesa do senador. A cobertura de centro registrou também o pedido público de desculpas de Flávio, que afirmou que divergências de estratégia não significam divergências de princípios.
O que ainda não se sabe é como esse desgaste se traduzirá em intenção de voto ao longo da pré-campanha, se Michelle pretende de fato disputar a Presidência em seu lugar e qual será o desdobramento das articulações internas do PL. Também permanece sem confirmação independente o conteúdo do vídeo sobre a chamada 'noite das astronautas', cuja autenticidade nem o próprio autor original verificou.