Lula assina MP do Desenrola 3 com R$ 15 bilhões e desconto mínimo de 90%
1 veículo de esquerda · 1 veículo de direita

Resumo da cobertura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou em 25 de setembro de 2026, em São Paulo, a medida provisória que cria a terceira fase do Desenrola Brasil. A etapa inova ao permitir que a União compre em leilão carteiras de dívidas inadimplidas e repasse ao devedor todo o desconto obtido, com deságio mínimo de 90%. Entram dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil em valor original, com atraso entre 720 e 1.645 dias. O Ministério do Planejamento e Orçamento informou R$ 15 bilhões destinados ao programa, e o governo estima até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis, R$ 75 bilhões efetivamente renegociados e até 15 milhões de pessoas alcançadas.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- Agência BrasilGoverno cria 3ª fase do Desenrola com compra de dívidas pela UniãoPrograma prevê desconto mínimo de 90% e pode beneficiar até 15 milhões de pessoasMatéria: Centro
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Análise editorial
Registro descritivo do mecanismo da medida provisória, com vocabulário neutro ('poderão ser adquiridas', 'a expectativa do governo é'), cifras do Tesouro Nacional e cronograma em lista. Apesar de o veículo ser de perfil de esquerda, o texto não adota enquadramento valorativo: a inclinação aparece apenas por omissão, ao reproduzir integralmente os dados de sucesso das fases anteriores e o contexto eleitoral ficar de fora.
- Qualidade argumentativa
- 62/100
- Manipulação emocional
- 5/100
- Clickbait
- 5/100
- Fontes citadas
- 4
Perspectivas omitidas
- Não menciona que o anúncio ocorre a nove dias do primeiro turno da eleição presidencial
- Não discute a origem nem o impacto fiscal dos R$ 15 bilhões destinados ao programa
- Não traz avaliação crítica ou voz externa ao governo sobre risco de incentivo à inadimplência
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
- Revista OesteA 9 dias da eleição, governo lança 3ª fase do DesenrolaPrograma prevê R$ 15 bilhões para comprar dívidas
Análise editorial
O título ancora o fato na contagem de dias até a eleição e o corpo encadeia a medida provisória a uma 'sequência de anúncios às vésperas da eleição' (Bolsa Família, taxa das blusinhas, semaglutida no SUS, proibição das bets), com remissão a reportagem intitulada 'Desespero eleitoral'. O contraponto vem por dados de endividamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, usados para sugerir ineficácia do programa. É enquadramento de accountability institucional e de crítica a gasto público, típico do eixo de direita.
- Qualidade argumentativa
- 60/100
- Manipulação emocional
- 35/100
- Clickbait
- 25/100
- Fontes citadas
- 4
Perspectivas omitidas
- Não ouve o governo sobre a acusação implícita de uso eleitoral da medida
- Não explica que o desconto repassado depende do deságio obtido em leilão, e não de renúncia direta de receita
- Omite que o cronograma de pagamento aos devedores só começa em fevereiro de 2027, depois da eleição, o que enfraquece o efeito eleitoral imediato que a própria matéria sugere
Falácias identificadas
- Sugestão de causalidade entre a proximidade da eleição e o conteúdo da medida sem apresentar evidência de motivação eleitoral
A terceira fase do Desenrola Brasil permite que a União compre em leilão carteiras de dívidas atrasadas e repasse ao devedor todo o desconto obtido, com deságio mínimo de 90%. São R$ 15 bilhões destinados ao programa, até 15 milhões de pessoas potencialmente alcançadas e um cronograma que só começa a pagar desconto em fevereiro de 2027, depois da eleição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, em São Paulo, a medida provisória que cria a terceira fase do Desenrola Brasil, programa federal de renegociação de dívidas de pessoas físicas. A novidade da etapa é o mecanismo de compra: a União poderá adquirir, em leilão, carteiras de dívidas não pagas e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido na operação, com deságio mínimo de 90%.
Entram no programa dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil em valor original, com inadimplência superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias, o equivalente a algo entre dois e quatro anos e meio de atraso. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, informou que R$ 15 bilhões estão destinados ao programa. O governo calcula que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis e estima renegociar efetivamente R$ 75 bilhões, alcançando até 15 milhões de pessoas. O saldo que sobrar depois do desconto poderá ser pago à vista ou parcelado com juros, em condições que ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional.
Os leilões classificarão as propostas pelo maior desconto oferecido, e o credor terá de entregar a totalidade dos créditos elegíveis de cada devedor, sem escolher apenas parte das dívidas. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil poderão operar as compras, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios dos quais a União participe como cotista. O cronograma oficial prevê o chamamento para propostas em novembro de 2026, a entrega pelos credores em dezembro, a homologação em janeiro de 2027 e a assinatura de contratos com início do repasse do desconto em fevereiro de 2027.
A cobertura de centro relatou esse desenho de forma descritiva, sustentada nos dados do Tesouro Nacional: em agosto de 2026, o estoque de dívidas inadimplidas com até cinco anos de atraso chegava a R$ 592 bilhões, com cerca de 84 milhões de pessoas negativadas, média de quatro dívidas e R$ 7 mil por pessoa. Cerca de 55% desse estoque corresponde a dívidas não bancárias, como contas de água, luz, telefonia e débitos no varejo, e apenas as contas de serviços essenciais respondem por 20% do total.
Veículos de esquerda destacaram a dimensão social do programa e a continuidade da política: segundo o governo, as duas fases anteriores já alcançaram 25 milhões de pessoas, com mais de 8 milhões de operações e R$ 53 bilhões renegociados na primeira etapa e mais de 5,5 milhões de operações e R$ 22 bilhões na segunda. Nessa leitura, o que muda agora é o papel do Estado, que passa a comprar a dívida para repassar o desconto, em vez de apenas intermediar a negociação entre credor e devedor.
Veículos de direita enfatizaram o calendário. O anúncio foi feito a nove dias do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 4 de outubro de 2026, e foi apresentado como parte de uma sequência de medidas de impacto econômico e social adotadas nas semanas anteriores ao voto, junto ao reajuste de 15% no Bolsa Família, que elevou o piso de R$ 600 para R$ 691, ao fim da tarifa federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e à promessa de oferta gratuita de semaglutida pelo Sistema Único de Saúde. Essa cobertura também questionou a eficácia do programa, apontando que 82% das famílias brasileiras seguem endividadas e 30% têm contas em atraso, segundo dados de agosto da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, e que 20% delas comprometem mais da metade da renda mensal com dívidas. No mesmo evento, o governo anunciou outra medida provisória, para proibir apostas e jogos on-line no país, pauta que teve 75% de apoio em pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 23 de setembro.
O que ainda não se sabe é quanto do potencial anunciado vai se concretizar. As condições de parcelamento do saldo dependem de decisão do Conselho Monetário Nacional, e a adesão de credores e devedores é a variável que separa os R$ 150 bilhões elegíveis dos R$ 75 bilhões estimados. Nenhuma das coberturas detalha a origem orçamentária dos R$ 15 bilhões nem o efeito fiscal da operação, e também não há informação sobre o prazo de tramitação da medida provisória no Congresso, sem a qual o programa perde validade.
Briefing
O que importa para você
- Quem deve até R$ 10 mil, em dívida bancária ou não bancária com atraso entre 720 e 1.645 dias, pode ter desconto de pelo menos 90% se o credor vender a carteira à União.
- O saldo restante é pago à vista ou parcelado com juros, em regras que o Conselho Monetário Nacional ainda vai definir.
- Nada acontece antes de fevereiro de 2027: propostas em dezembro de 2026, homologação em janeiro e início do repasse do desconto em fevereiro.
- O credor que entrar no leilão tem de entregar todas as dívidas elegíveis da mesma pessoa, não só parte delas.
Onde os lados divergem
- Esquerda trata a medida como política de recomeço financeiro para a base da população, com o Estado assumindo a mediação que era do credor privado; direita trata como anúncio de calendário eleitoral, a nove dias do primeiro turno.
- Esquerda usa o alcance das duas fases anteriores, 25 milhões de pessoas e R$ 75 bilhões, como prova de eficácia; direita usa os 82% de famílias endividadas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo como prova de que o problema não recuou.
- Esquerda não discute custo fiscal; direita põe os R$ 15 bilhões públicos e o risco de incentivo à inadimplência no centro.
Onde os lados concordam
Os dois lados relatam o mesmo desenho e os mesmos números: medida provisória assinada em 25 de setembro de 2026, R$ 15 bilhões destinados ao programa, compra de carteiras em leilão, desconto mínimo de 90% repassado ao devedor, dívidas de até R$ 10 mil com atraso entre 720 e 1.645 dias, até R$ 150 bilhões elegíveis, R$ 75 bilhões de renegociação estimada e até 15 milhões de pessoas alcançadas. Ambos também citam o Tesouro Nacional para dimensionar o problema: cerca de 84 milhões de negativados e R$ 592 bilhões em dívidas com até cinco anos de atraso.
O que ainda está incerto
- Quais serão as condições de parcelamento do saldo, que dependem de definição do Conselho Monetário Nacional.
- Quantos credores vão aderir, o que separa os R$ 150 bilhões elegíveis dos R$ 75 bilhões estimados de renegociação efetiva.
- De onde saem os R$ 15 bilhões no Orçamento e qual o impacto fiscal da operação.
- Qual o prazo de tramitação da medida provisória no Congresso, sem a qual o programa perde validade.
Fontes
Programa prevê desconto mínimo de 90% e pode beneficiar até 15 milhões de pessoas

Programa prevê R$ 15 bilhões para comprar dívidas


