Lula ou Flávio Bolsonaro herdarão relação tensa com os EUA de Trump
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Resumo da cobertura
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Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
- A tarifa americana sobre produtos brasileiros está em 35% e dependerá da relação com a Casa Branca.
- Minerais críticos e terras raras podem virar moeda de barganha ou apenas commodity de exportação.
- A posição entre EUA e China afeta investimentos em infraestrutura.
Onde os lados concordam
- Especialistas concordam que a relação com os Estados Unidos será a chave da geopolítica do próximo presidente.
- Os desafios externos serão os mesmos para Lula e Flávio Bolsonaro, mudando só as respostas.
O que ainda está incerto
- O resultado do segundo turno e a política externa que cada campanha realmente adotaria.
- O efeito das eleições americanas de 3 de novembro sobre a postura de Donald Trump em relação ao Brasil.
O próximo presidente do Brasil encontrará um cenário global mais complexo. Especialistas apontam três desafios: reconstruir a relação com os Estados Unidos de Donald Trump, posicionar-se entre Washington e Pequim e reorganizar uma América do Sul fragmentada.
O próximo presidente do Brasil, seja Lula, do PT, ou o senador Flávio Bolsonaro, do PL, vai assumir em um cenário internacional mais complexo que o atual. É o que avaliam especialistas ouvidos em uma análise da cobertura de centro, publicada a dez dias do segundo turno. A cobertura de centro relatou que o economista Otaviano Canuto, professor da Universidade George Washington e ex-vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, projeta uma conjuntura global bem mais difícil já nos próximos meses.
Segundo os analistas, os desafios serão os mesmos para os dois candidatos, mas as respostas variarão conforme o vencedor. Três grandes tarefas aparecem na agenda de política externa: reconstruir a relação com os Estados Unidos, encontrar uma posição pacífica na competição entre Washington e Pequim, sem ser capturado por nenhuma das partes, e reorganizar a coordenação política e econômica em uma América do Sul fragmentada.
O contexto internacional também muda. As eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, devem, segundo as sondagens, dar maioria aos democratas no Congresso, o que tende a gerar mais atritos para o presidente Donald Trump. Há ainda eleições presidenciais na França, entre abril e maio de 2027, e na Argentina, em outubro, além de eleição parlamentar na Espanha, em agosto. O professor Vinícius Mariano de Carvalho, do King's College de Londres, chama o momento de "surrealpolitik", uma era de falta de coerência e de regulação nas relações entre países.
A relação com Washington é apontada como a chave. Trump elevou as tarifas sobre produtos brasileiros, hoje em 35%, classificou o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como terroristas, recebeu Flávio Bolsonaro em maio e concedeu visto permanente a Eduardo Bolsonaro. Segundo os especialistas, uma reeleição de Lula traria uma relação ainda mais conflituosa com a Casa Branca, com uso de instrumentos de coerção para acessar terras raras e minerais críticos e restringir investimentos chineses. Lula também perderia o aliado Emmanuel Macron, que deixa a Presidência da França em maio, mas manteria laços com Índia, México e Rússia.
Já uma vitória de Flávio Bolsonaro significaria ao menos dois anos de proximidade com o governo Trump e vizinhos ideologicamente próximos, como José Antonio Kast, no Chile, Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e Rodrigo Paz, na Bolívia. Para Canuto, o desafio seria materializar a agenda que a Casa Branca espera de um Brasil alinhado. Feliciano de Sá Guimarães, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, avalia que Lula teria relação muito difícil com os EUA por causa do secretário de Estado, Marco Rubio.
Fontes
Embates com os EUA, posição na rivalidade Pequim-Washington e América do Sul fraturada marcarão desafios geopolíticos do próximo presidente.

Embates com os EUA, posição na rivalidade Pequim-Washington e América do Sul fraturada marcarão desafios geopolíticos do próximo presidente.
