Pete Hegseth anuncia operações terrestres antidrogas com Brasil fora da coalizão
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Os Estados Unidos ampliam para operações em terra o combate a cartéis que já ameaçam populações inteiras na América Latina, tratando organizações de narcotráfico com o mesmo rigor aplicado a grupos terroristas. Dezenove países já aderiram à Coalizão das Américas contra os Cartéis, incluindo Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru, enquanto o Brasil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o México de Claudia Sheinbaum permanecem de fora, isolando-se de um esforço regional de segurança. A resistência brasileira é apresentada como escolha ideológica: em vez de tratar o avanço do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como problema de ordem pública, o governo prioriza o discurso de soberania. No campo eleitoral, a fala de Fernando Haddad de que o Brasil não precisa dos Estados Unidos aparece confrontada com o dado de queda de 12,2% nas exportações brasileiras ao mercado norte-americano no primeiro semestre.
O anúncio de operações terrestres norte-americanas na América Latina é lido como novo capítulo de uma longa história de intervenção militar, operações secretas e sanções econômicas na região, agora sob o rótulo do combate ao narcotráfico.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou em 13 de agosto, em visita ao Panamá, que o país levará para a América Latina operações terrestres contra cartéis de drogas, ampliando a estratégia já usada contra embarcações no Caribe e no Pacífico oriental.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: falácia identificada.
Todos os lados registram os mesmos fatos: Pete Hegseth anunciou a extensão da ofensiva antidrogas para operações em terra, dezenove países já integram a Coalizão das Américas contra os Cartéis e o Brasil está fora dela. Há concordância também de que a decisão dos Estados Unidos coloca o tema da soberania nacional no centro do debate brasileiro.
Os Estados Unidos anunciaram que vão ampliar para operações em terra a ofensiva contra cartéis de drogas na América Latina, estratégia até agora concentrada em ataques a embarcações. O Brasil não integra a Coalizão das Américas contra os Cartéis, que já reúne dezenove países, e o governo brasileiro teme pressão sobre a soberania nacional.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou no dia 13 de agosto, durante visita ao Panamá, que o governo norte-americano vai levar para a América Latina operações terrestres contra cartéis de drogas, repetindo em terra a estratégia já aplicada em ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico oriental. Segundo ele, Washington trabalha com Colômbia, Equador e outros parceiros para levar o combate às organizações criminosas até os territórios desses países. A Colômbia, sob o presidente Abelardo de la Espriella, tornou-se o 19º integrante da Coalizão das Américas contra os Cartéis e autorizou operações militares conjuntas com os norte-americanos. O Brasil não integra a aliança, e o México também está de fora.
Os diferentes lados da cobertura convergem sobre os fatos centrais: a mudança de escala anunciada por Washington, a ausência do Brasil na coalizão e o desconforto que a medida provoca em governos da região. Os ataques a embarcações suspeitas, iniciados em setembro do ano passado, já deixaram mais de 215 mortos, segundo os balanços mais recentes citados nas reportagens. Integrantes do alto escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas por Washington pode abrir caminho para pressões sobre a soberania nacional, ainda que especialistas em direito internacional sustentem que os Estados Unidos não teriam base legal para enviar tropas ao território brasileiro sem autorização do governo.
Veículos de direita enfatizaram a dimensão criminal do anúncio, apresentando a nova diretriz como resposta ao avanço do narcotráfico e destacando que a maioria dos países alinhados a Washington já aderiu à coalizão, enquanto Brasil e México ficaram fora. Nessa cobertura, o debate brasileiro apareceu deslocado para a disputa eleitoral: o candidato do Partido dos Trabalhadores ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou em sabatina no dia 18 de agosto que o Brasil "não precisa" dos Estados Unidos e pode ampliar as exportações para outros mercados, resposta que associou ao tarifaço do governo norte-americano. A mesma reportagem registrou que as exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram 12,2% entre janeiro e julho, para US$ 21 bilhões, segundo a Amcham Brasil, enquanto as vendas externas totais do país cresceram 10,5%.
Veículos de esquerda trataram o anúncio como capítulo de um movimento maior de fragmentação da América do Sul e de realinhamento com Washington. Nesse enquadramento, a Argentina de Javier Milei abandonou a entrada nos BRICS, esvaziou politicamente o Mercosul e adotou discurso hostil aos mecanismos de integração regional, num quadro que levou o governo brasileiro a rebaixar as relações com Buenos Aires ao nível de encarregados de negócios. O que estaria em jogo, para essa leitura, é a autonomia construída desde a criação do Mercosul, em 1991, e depois com a UNASUL e a CELAC, pensadas para reduzir a dependência das agendas formuladas fora da região. A cobertura de centro se limitou a recuperar o histórico de intervenções militares, operações secretas e sanções econômicas dos Estados Unidos na América Latina e no Brasil, sem tomar partido, apresentando esses episódios como pano de fundo dos debates atuais sobre soberania e estabilidade.
Ainda não se sabe em quais países as operações terrestres ocorreriam, em que prazo e qual seria a base jurídica invocada por Washington para executá-las. Também não há informação sobre pedido formal de adesão do Brasil à coalizão nem sobre resposta oficial do governo brasileiro ao anúncio. A cobertura não detalha como serão definidos os alvos descritos pelo secretário como remanescentes de guerrilhas colombianas e redes ligadas ao fentanil no México, nem como a nova fase se articula com as autoridades locais de cada país envolvido.
Haddad afirmou que o Brasil deve superar os Estados Unidos, até o fim deste ano, nas exportações de alimentos, pela primeira vez na história.

Durante mais de um século, os países construíram um esforço estratégico comum. Perspectiva foi aprofundada nos estudos do CEPAL para superar dependência e originou o Mercosul, UNASUL e CELAC. Por que Milei, com ofensas a Lula, põe tudo a perder?

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (13), durante visita ao Panamá, que o governo americano levará para a América Latina operações terrestres contra cartéis de drogas,

