O Datafolha registrou na Justiça Eleitoral duas novas rodadas de pesquisa sobre as disputas estaduais de 2026, uma em São Paulo e outra em Pernambuco, com trabalho de campo marcado para a mesma semana. Em São Paulo, o questionário está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código SP-01806/2026 e prevê 1.610 entrevistas presenciais em pontos de fluxo populacional, entre os dias 18 e 21 de agosto. Em Pernambuco, a sondagem tem registro PE-07041/2026, prevê 1.204 entrevistas entre 18 e 20 de agosto e divulgação na sexta-feira, dia 21. Os dois levantamentos foram contratados por grandes grupos de comunicação, e a consulta paulista custou R$ 185 mil.
O desenho dos questionários é conhecido antes da coleta. Em São Paulo, a pesquisa começa por uma seção espontânea sobre presidente, governador e senadores e passa depois ao cenário estimulado, com sete candidatos ao governo: Carlos Machado, Fernando Haddad, Izadora Dias, Tarcísio de Freitas, Vera Lúcia, Vivian Mendes e Policial Edjane. Há um único cenário de segundo turno testado, entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas. Para o Senado, catorze nomes são apresentados, entre eles Guilherme Derrite, Ricardo Salles, Marina Silva, Simone Tebet, Soninha Francine e André do Prado, com o eleitor indicando voto para a primeira e a segunda vaga. O levantamento ainda pergunta em quem o entrevistado não votaria de jeito nenhum e recupera o comportamento eleitoral de 2022. Em Pernambuco, o cenário estimulado traz Guilherme Fonseca, Ivan Moraes, João Campos, Professor Jeremias do Banco, Professora Camila, Raquel Lyra, Renan e Victor Assis, com margem de erro máxima de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A cobertura de centro relatou o caso com foco no procedimento e nos números já publicados, detalhando custo, código de registro, tamanho de amostra e a série anterior da pesquisa paulista, divulgada em 5 de julho, quando Tarcísio de Freitas aparecia com 46% e Fernando Haddad com 30% no primeiro turno, e a vantagem no segundo turno era de 53% a 37%. Essa leitura amarra a nova rodada ao debate entre candidatos realizado em 9 de agosto e ao início oficial das campanhas, tratando a sondagem como o primeiro termômetro do período eleitoral formal.
Veículos de direita concentraram a atenção no caso pernambucano e no que a pesquisa mede sobre quem já governa: a classificação da administração de Raquel Lyra, com três anos e sete meses de mandato, e a aprovação ou desaprovação do trabalho realizado. Nesse enquadramento, o levantamento vale sobretudo como instrumento de responsabilização de gestões estaduais em exercício, com método aberto e registro público. Até o momento, nenhum veículo de esquerda cobriu o registro das duas sondagens, de modo que não há, neste cluster, um enquadramento desse campo sobre o tema. A leitura habitual da esquerda em episódios como este, e que aqui aparece apenas como ausência de cobertura, costuma questionar o peso de pesquisas encomendadas por grupos privados de comunicação e o efeito de cenários de segundo turno restritos a dois nomes sobre candidaturas menores, todas elas presentes no questionário paulista.
O que ainda não se sabe é o essencial: nenhum resultado das duas novas rodadas foi divulgado. Não há data anunciada para a publicação dos números de São Paulo, apenas o período de campo, e não se sabe se o levantamento pernambucano vai testar cenários de segundo turno, já que a descrição divulgada menciona somente voto estimulado e rejeição. Também não está estabelecido se o debate de 9 de agosto alterou o quadro paulista, nem qual a margem de erro prevista para a nova rodada em São Paulo, informação que só consta da edição anterior.