Jairo Nicolau, da FGV, vê risco de abstenção recorde nas eleições de 2026
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Como decidimos →O cientista político Jairo Nicolau, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que a abstenção nas eleições de 2026 pode superar o recorde de 2022, quando cerca de 32 milhões de eleitores faltaram ao primeiro turno. Ele também vê chance de alta nos votos brancos e nulos, mas diz que não é possível prever o tamanho do aumento nem quem seria beneficiado.
A possível abstenção recorde de 2026 é lida como sintoma de desencanto coletivo com a política: um eleitorado cansado da polarização, com pouca oferta de alternativas e distante dos debates sobre políticas públicas. Na avaliação de Jairo Nicolau, a falta pode virar um recado a Brasília de que os cidadãos estão cansados.
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O cientista político Jairo Nicolau, professor da Fundação Getulio Vargas, avalia que a abstenção nas eleições de 2026 pode superar a de 2022, quando cerca de 32 milhões de eleitores faltaram ao primeiro turno. Ele aponta a facilidade de justificar a ausência, o cansaço com a polarização e a crise do STF como fatores.
A abstenção nas eleições de 2026 pode superar o recorde registrado em 2022 e chegar ao maior nível das últimas décadas. A avaliação é do cientista político Jairo Nicolau, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Até o momento, apenas um veículo cobriu a análise, relatando que o especialista também vê chance de crescimento dos votos brancos e nulos.
No primeiro turno de 2022, cerca de 32 milhões de eleitores não compareceram às urnas. Para Nicolau, a taxa pode voltar a crescer neste ano, embora não seja possível dizer de antemão qual será o tamanho do aumento. Segundo ele, é uma eleição em que as pessoas estão desanimadas com os candidatos.
O professor pondera que abstenção não significa, necessariamente, uma decisão política. Entre os ausentes estão eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, pessoas fora do domicílio eleitoral e quem enfrenta problemas no dia da votação. Há também quem deixa de votar por descrença, mas, segundo ele, nenhuma pesquisa consegue medir o tamanho desse grupo.
Outro fator apontado é a redução do custo prático de faltar. A facilidade de justificar a ausência pelo aplicativo e-Título e as consequências limitadas da falta, na avaliação de Nicolau, estariam levando o país a uma espécie de voto facultativo não dito, embora a lei mantenha a obrigatoriedade para a maior parte do eleitorado.
O cientista político relaciona o cenário a um cansaço com a repetição da polarização entre petismo e bolsonarismo, a um mercado eleitoral mais restrito, com pouca oferta para quem busca opções de centro, e a um recuo das conversas sobre política depois de uma década de intensa mobilização. Ele cita ainda a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), que teria consumido a atenção pública em cerca de um terço de uma campanha de 50 dias, afastando o debate sobre políticas públicas. Nicolau descreveu a campanha de 2026 como uma das menos mobilizadas desde a redemocratização.
Como a cobertura veio de uma única fonte, não há contraste entre enquadramentos de diferentes lados. O texto publicado apresenta a avaliação do especialista com as ressalvas feitas por ele próprio, sem ouvir outros analistas nem apresentar dados oficiais adicionais.
Sobre o efeito eleitoral, Nicolau afirma que não é possível cravar quem seria prejudicado ou favorecido. Mulheres tendem a comparecer mais, enquanto eleitores de menor escolaridade comparecem menos, e o impacto depende de onde a abstenção se concentrar. Ele também rejeita a ideia de que ela decida sozinha a eleição, mas diz que pode ser um sinal enviado a Brasília de que os eleitores estão cansados.
O que ainda não se sabe é se a intuição do especialista vai se confirmar nas urnas, qual parcela dos ausentes deixa de votar por escolha deliberada e em que grupos sociais e regiões uma eventual alta da abstenção se concentraria.
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Jairo Nicolau atribui possível aumento ao desânimo com candidatos, à polarização e à facilidade para justificar a ausência; votos brancos e nulos também podem crescer

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