O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira que considera "muito justas" as críticas feitas pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) à direção do próprio partido a respeito da distribuição do fundo eleitoral entre as candidaturas. A declaração foi dada durante participação no programa "Bom Dia, Ministro", do Canal Gov, da EBC.
Segundo Boulos, Erika Hilton e outros parlamentares receberam um fundo eleitoral que não é proporcional ao papel que têm na chapa para puxar votos e garantir vitórias ao partido. O ministro ressalvou, porém, que não está envolvido no debate interno partidário e que seu foco, no momento, é ajudar o governo do presidente Lula na reta final antes das eleições.
Na semana passada, Erika Hilton havia reclamado publicamente dos valores que a direção do PSOL destinou à sua campanha. A deputada não citou números, mas integrantes do partido afirmaram, nas redes sociais, que o montante seria de cerca de R$ 2 milhões para a candidatura à reeleição. Em suas manifestações, ela afirmou que "o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco" e acusou a legenda de estar "rasgando" combinados e praticamente inviabilizando sua campanha. A parlamentar foi além e atribuiu a decisão a um "privilégio branco e cis", citando o presidente da Federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, e a pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, Manuela D'Ávila, que teriam prioridade igual ou superior à sua na distribuição dos recursos.
A cobertura de centro, de perfil factual, limitou-se a reproduzir com paridade as falas de Boulos e de Erika Hilton, apresentando os valores estimados e o contexto do fundo eleitoral sem enquadramento valorativo. Veículos de esquerda tendem a ler o episódio como um debate legítimo sobre representatividade e equidade, no qual uma deputada trans e negra, com forte capacidade de puxar votos, denuncia que a alocação de recursos reproduz desigualdades estruturais. Já veículos de direita enfatizam que se trata de uma briga interna da esquerda por dinheiro público de campanha, destacando o volume de recursos em disputa e as contradições do discurso identitário do partido, além de apontar que um ministro do governo Lula se posiciona numa rixa partidária mesmo alegando estar fora dela.
O que ainda não se sabe é qual a resposta oficial da direção do PSOL às acusações, os critérios técnicos usados na divisão do fundo e os valores exatos destinados a cada candidatura, já que os números citados partiram de estimativas de integrantes do partido nas redes sociais e não de dados oficiais.