Acordo EUA-Irã promete fim da guerra; ainda há questões sem resposta
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O acordo provisório entre EUA e Irã interrompe uma guerra que custou ao menos 7 mil vidas, sobretudo iranianas e libanesas, e expõe o alto preço humano de uma escalada militar conduzida por Washington e Israel. Veículos de esquerda tendem a enfatizar o sofrimento das populações atingidas, a fragilidade de um cessar-fogo sem garantias e o risco de que questões centrais, como o alívio das sanções que asfixiam a economia iraniana, fiquem reféns de barganhas geopolíticas.
O acordo é apresentado como um resultado da pressão militar e diplomática conduzida por Trump e Netanyahu, que forçou o Irã à mesa de negociação e prevê alívio de sanções condicionado a concessões. Veículos de direita e de mercado destacam o avanço para uma 'segunda fase' das negociações, a reabertura do Estreito de Ormuz e o impacto positivo na estabilização dos preços do petróleo, ainda que ressaltem ceticismo sobre o cumprimento por parte de Teerã.
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Centro, esquerda e direita concordam que o acordo é provisório, que prorroga o cessar-fogo por 60 dias e reabre o Estreito de Ormuz, e que a trégua permanente ainda precisa ser negociada. Todos registram que o conflito matou ao menos 7 mil pessoas.
Autoridades dos Estados Unidos e do Irã anunciaram um acordo provisório para encerrar o conflito iniciado em fevereiro no Oriente Médio, mas detalhes essenciais do pacto seguem sem resposta. O entendimento prorroga por mais 60 dias o frágil cessar-fogo anunciado em abril e prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã desde que Estados Unidos e Israel atacaram o país em fevereiro. A assinatura formal do acordo-quadro estava marcada para a sexta-feira (19), em Genebra, com a presença do vice-presidente norte-americano JD Vance e do principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o acordo está fechado e que as negociações avançam para uma segunda fase, que considerou mais fácil. Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, escreveu nas redes sociais que o acordo provisório foi um passo importante para interromper os combates, mas ponderou que a trégua duradoura ainda não tomou forma. Os dois lados reconhecem que uma paz permanente ainda precisa ser negociada, e o futuro do programa nuclear iraniano deve entrar em pauta na rodada seguinte, na Suíça. Duas questões que Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu usaram para justificar a guerra, o apoio iraniano a grupos armados regionais e o programa de mísseis, não devem constar dessa agenda.
A cobertura de centro, baseada em despacho da agência Reuters, relatou os fatos com equilíbrio: registrou as falas de Trump e de Pezeshkian com paridade, citou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e contextualizou que o conflito matou ao menos 7 mil pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, abalando os mercados globais de energia. Veículos de esquerda tendem a enfatizar esse custo humano e a fragilidade de um cessar-fogo sem garantias, lembrando que Israel voltou a bombardear o Líbano mesmo após o anúncio do acordo e que o alívio das sanções é decisivo para reduzir a pressão econômica sobre a população iraniana. Veículos de direita e de mercado enfatizaram o ângulo econômico e estratégico: a reabertura do Estreito de Ormuz, rota crítica do comércio de petróleo, e a queda de quase 5% nos preços do barril, que recuou a mínimas de três meses e foi lida como alívio para a inflação e para a decisão de juros do Federal Reserve. Vance afirmou que o documento inclui um pacote de alívio de sanções muito significativo para o Irã.
Apesar do tom otimista, persistem dúvidas concretas. Empresas de transporte marítimo afirmam que pode levar semanas para que a confiança seja restaurada após a reabertura do Estreito de Ormuz, e autoridades do setor estimam que a produção de petróleo e gás da região levará meses para se recuperar plenamente. Vance descreveu o memorando assinado como um documento muito geral, com detalhes a serem divulgados nos dias seguintes. O acordo ainda expõe Trump a críticas dentro do próprio partido, enquanto os líderes iranianos podem enfrentar novos protestos caso não consigam aliviar as pressões econômicas após uma guerra destrutiva. O que ainda não se sabe é o conteúdo exato do pacote de sanções, o cronograma da trégua permanente e como ficará, de fato, o programa nuclear do Irã.
O acordo provisório prorrogaria por mais 60 dias o frágil cessar-fogo anunciado em abril e reabriria o Estreito de Ormuz

Vice-presidente norte-americano, JD Vance, e o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, devem comparecer à assinatura formal do acordo provisório na sexta-feira (19), em Genebra.