O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para uma conversa após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai, conflito ocorrido entre 1864 e 1870 e conhecido no país vizinho como Guerra da Tríplice Aliança. O chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, anunciou a medida na quinta-feira e marcou o encontro para o meio-dia de sexta-feira, com a presença do vice-presidente Pedro Alliana. Segundo o governo paraguaio, o presidente Santiago Peña e Lula já haviam conversado por telefone sobre o tema, tratado por ambos como delicado.
Os veículos de centro relataram o episódio de forma factual: a convocação do embaixador, a marcação da reunião e o contato telefônico entre os presidentes, além de reconstruir uma segunda frente de tensão, com a Argentina. Nesse caso, o Itamaraty decidiu recolocar o embaixador Julio Bitelli em Buenos Aires, sem data definida, para sinalizar a gravidade da crise aberta após o presidente Javier Milei chamar Lula de presidiário e ofender o ministro Alexandre de Moraes durante uma convenção do PL em São Paulo.
Há convergência entre as coberturas sobre os fatos centrais: a fala de Lula citou a Guerra do Paraguai, o governo paraguaio reagiu com a convocação do embaixador e houve contato direto entre as duas chancelarias, inclusive em um encontro em Lima, no Peru. Também há acordo de que o tema histórico é sensível e ainda gera debate entre historiadores e autoridades.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram que Lula citou o conflito para defender a importância do investimento em defesa, e que o governo tratou a reação com moderação e diplomacia de alto nível; no flanco argentino, enfatizaram que a crise foi provocada por agressões de Milei a autoridades brasileiras em território nacional, exigindo resposta firme em nome da soberania. Já veículos de direita enfatizaram que a declaração presidencial foi imprecisa e vista como distorção histórica pelo Paraguai, e que o episódio se soma a outros atritos regionais, expondo desgaste na condução da política externa e o custo de falas mal calculadas para a imagem do país no exterior.
O que ainda não se sabe: não há data confirmada para o retorno do embaixador brasileiro a Buenos Aires, nem o teor exato da nota que o Paraguai entregaria ao representante do Brasil. Também permanece em aberto se as conversas telefônicas e o encontro em Assunção serão suficientes para encerrar os dois atritos ou se haverá novos desdobramentos diplomáticos.