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Um levantamento da Polícia Federal encontrou planilhas que somam mais de R$ 29 milhões repassados pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, a agentes políticos ao longo das últimas quatro eleições. Os documentos, apreendidos durante a Operação Unha e Carne, permitiram à PF rastrear uma rede de empresas usadas para movimentar recursos em campanhas eleitorais no Rio de Janeiro.
Resumo da cobertura
Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, somam mais de R$ 29 milhões em repasses a agentes políticos ao longo das últimas quatro eleições no Rio de Janeiro. Os documentos, encontrados na quinta fase da Operação Unha e Carne, citam nominalmente o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar. Segundo a PF, o esquema financiava campanhas de candidatos que, uma vez eleitos, passavam a atuar em defesa dos interesses do grupo ligado ao jogo do bicho.
Entre os nomes identificados nas planilhas estão o ex-governador fluminense Cláudio Castro, do PL, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj, Rodrigo Bacellar. Segundo os investigadores, o esquema funcionava como uma forma de financiamento político, formal ou informal: a organização criminosa investia em candidaturas e, uma vez eleitos, os políticos passavam a atuar em defesa dos interesses do grupo ligado ao jogo do bicho. Em uma das planilhas, a PF identificou diferentes nomes de candidatos e agentes políticos de diversos campos e níveis de atuação, cada um acompanhado de valores individualizados.
A quinta fase da Operação Unha e Carne foi deflagrada na semana anterior à divulgação das planilhas, especificamente para apurar o envolvimento de políticos na lavagem de dinheiro oriunda do jogo do bicho. Além de Adilsinho, a Justiça expediu mandados de prisão contra o pastor Márcio Poncio, que já responde ao processo em liberdade após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e contra o próprio Rodrigo Bacellar, que já estava preso antes desta fase da operação. As defesas de todos os citados negam as acusações.
Até o momento, apenas a Band, por meio da BandNews FM, noticiou o caso com esse nível de detalhe sobre o conteúdo das planilhas, com informações repassadas pelo UOL. Não há, portanto, outras coberturas independentes disponíveis para comparar o enquadramento dado por veículos de diferentes espectros políticos a este episódio específico.
O que ainda não está claro é como exatamente os valores identificados nas planilhas foram distribuídos entre cada político citado, qual critério os investigadores usam para separar financiamento lícito de ilícito nos registros, e se outros nomes mencionados nos documentos ainda serão alvo de novas fases da operação. Também não há, até o momento, posicionamento individualizado de Cláudio Castro sobre os documentos que citam seu nome, apenas a nota genérica atribuída ao conjunto das defesas dos investigados.
Briefing
O que importa para você
Mais de R$ 29 milhões identificados em repasses a políticos ao longo das últimas quatro eleições no Rio de Janeiro.
Ex-governador Cláudio Castro (PL) e ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar aparecem nominalmente nas planilhas apreendidas pela PF.
Mandados de prisão foram expedidos contra Adilsinho, o pastor Márcio Poncio e Rodrigo Bacellar na quinta fase da Operação Unha e Carne.
Onde os lados concordam
Os fatos centrais não são contestados: o valor total identificado nas planilhas (mais de R$ 29 milhões), os políticos citados nominalmente e a existência da quinta fase da Operação Unha e Carne. As defesas negam apenas as acusações de ilicitude, não a existência dos registros encontrados pela PF.
O que ainda está incerto
Não há detalhamento de quanto cada político recebeu individualmente das planilhas.
Não está claro se outros nomes citados nos documentos serão alvo de novas fases da operação.
Cláudio Castro ainda não deu resposta individualizada às acusações, apenas a nota genérica atribuída ao conjunto das defesas.