Adilsinho repassou mais de R$ 29 milhões para políticos
Relato de fonte única, atribuído a BandNews FM. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, somam mais de R$ 29 milhões em repasses a agentes políticos ao longo das últimas quatro eleições no Rio de Janeiro. Os documentos, encontrados na quinta fase da Operação Unha e Carne, citam nominalmente o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar. Segundo a PF, o esquema financiava campanhas de candidatos que, uma vez eleitos, passavam a atuar em defesa dos interesses do grupo ligado ao jogo do bicho.
Briefing
O que importa para você
- Mais de R$ 29 milhões identificados em repasses a políticos ao longo das últimas quatro eleições no Rio de Janeiro.
- Ex-governador Cláudio Castro (PL) e ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar aparecem nominalmente nas planilhas apreendidas pela PF.
- Mandados de prisão foram expedidos contra Adilsinho, o pastor Márcio Poncio e Rodrigo Bacellar na quinta fase da Operação Unha e Carne.
Onde os lados concordam
Os fatos centrais não são contestados: o valor total identificado nas planilhas (mais de R$ 29 milhões), os políticos citados nominalmente e a existência da quinta fase da Operação Unha e Carne. As defesas negam apenas as acusações de ilicitude, não a existência dos registros encontrados pela PF.
O que ainda está incerto
- Não há detalhamento de quanto cada político recebeu individualmente das planilhas.
- Não está claro se outros nomes citados nos documentos serão alvo de novas fases da operação.
- Cláudio Castro ainda não deu resposta individualizada às acusações, apenas a nota genérica atribuída ao conjunto das defesas.
Um levantamento da Polícia Federal encontrou planilhas que somam mais de R$ 29 milhões repassados pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, a agentes políticos ao longo das últimas quatro eleições. Os documentos, apreendidos durante a Operação Unha e Carne, permitiram à PF rastrear uma rede de empresas usadas para movimentar recursos em campanhas eleitorais no Rio de Janeiro.
Entre os nomes identificados nas planilhas estão o ex-governador fluminense Cláudio Castro, do PL, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj, Rodrigo Bacellar. Segundo os investigadores, o esquema funcionava como uma forma de financiamento político, formal ou informal: a organização criminosa investia em candidaturas e, uma vez eleitos, os políticos passavam a atuar em defesa dos interesses do grupo ligado ao jogo do bicho. Em uma das planilhas, a PF identificou diferentes nomes de candidatos e agentes políticos de diversos campos e níveis de atuação, cada um acompanhado de valores individualizados.
A quinta fase da Operação Unha e Carne foi deflagrada na semana anterior à divulgação das planilhas, especificamente para apurar o envolvimento de políticos na lavagem de dinheiro oriunda do jogo do bicho. Além de Adilsinho, a Justiça expediu mandados de prisão contra o pastor Márcio Poncio, que já responde ao processo em liberdade após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e contra o próprio Rodrigo Bacellar, que já estava preso antes desta fase da operação. As defesas de todos os citados negam as acusações.
Até o momento, apenas a Band, por meio da BandNews FM, noticiou o caso com esse nível de detalhe sobre o conteúdo das planilhas, com informações repassadas pelo UOL. Não há, portanto, outras coberturas independentes disponíveis para comparar o enquadramento dado por veículos de diferentes espectros políticos a este episódio específico.
O que ainda não está claro é como exatamente os valores identificados nas planilhas foram distribuídos entre cada político citado, qual critério os investigadores usam para separar financiamento lícito de ilícito nos registros, e se outros nomes mencionados nos documentos ainda serão alvo de novas fases da operação. Também não há, até o momento, posicionamento individualizado de Cláudio Castro sobre os documentos que citam seu nome, apenas a nota genérica atribuída ao conjunto das defesas dos investigados.
Fontes
Bicheiro guardava planilhas encontradas pela Polícia Federal
