Estados Unidos escoltam navios em Ormuz enquanto Irã libera frota do Iraque
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As Forças Armadas dos Estados Unidos mantêm há semanas um corredor marítimo escoltado no Estreito de Ormuz, por uma rota ao sul próxima à costa de Omã, por onde passam entre 15 e 20 petroleiros por dia, segundo funcionários americanos. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que a média de sete dias do fluxo chegou a 9 milhões de barris diários e que em 8 de agosto o total que deixou o Golfo superou 20 milhões de barris. Serviços privados de rastreamento marítimo, como Kpler e Windward Intelligence, contabilizam números muito menores: cerca de 4 milhões de barris por dia saindo pelo estreito e apenas cinco navios no dia citado por Wright, contra mais de 100 antes da guerra. No sábado, a mídia estatal iraniana informou que o Irã autorizou a passagem de petroleiros iraquianos, atendendo a pedidos de Bagdá.
O centro da história é uma operação militar montada em segredo por uma das partes de uma guerra e narrada quase inteiramente por ela mesma. O corredor marítimo no Estreito de Ormuz foi revelado por dois funcionários americanos não identificados, e os números que sustentam o discurso de normalidade vêm do próprio Departamento de Energia, sem série pública que permita conferência.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Todos os lados registram que forças militares dos Estados Unidos escoltam petroleiros por uma rota ao sul do Estreito de Ormuz, próxima à costa de Omã, que o volume exportado segue abaixo do patamar anterior à guerra com o Irã, e que parcela crescente do tráfego navega com transponder desligado para escapar de ataques.
A guerra entre Estados Unidos e Irã transformou o Estreito de Ormuz em uma disputa sobre números. Washington afirma que o fluxo de petróleo pela passagem voltou a se aproximar do patamar anterior ao conflito; serviços privados de rastreamento marítimo contam poucos navios por dia. No sábado, o Irã autorizou a passagem de petroleiros iraquianos pela rota.
O Estreito de Ormuz, passagem marítima por onde escoava boa parte do petróleo consumido no mundo antes da guerra entre Estados Unidos e Irã, tornou-se nas últimas semanas o centro de uma disputa dupla: militar, sobre quem controla a via, e informacional, sobre quanto petróleo de fato atravessa por ela.
De um lado está o governo dos Estados Unidos, que afirma manter a passagem aberta. O secretário de Energia, Chris Wright, declarou que a média de sete dias do fluxo saindo pelo estreito havia subido para 9 milhões de barris por dia e que, em 8 de agosto, o total que deixou o Golfo superou os 20 milhões de barris. O presidente Donald Trump repetiu na sexta-feira (21) que os Estados Unidos têm controle total da região do estreito, incluindo áreas terrestres, e voltou a dizer que o Irã não está pronto para um acordo. O Comando Central americano informou ter direcionado 68 navios comerciais iranianos, desabilitado três e abordado dois, em cumprimento ao bloqueio aos portos do país. Segundo funcionários americanos, uma rota ao sul, próxima à costa de Omã, é usada há cerca de dois meses para escoltar entre 15 e 20 petroleiros por dia, tanto os carregados que saem quanto os vazios que entram no Golfo.
Do outro lado estão os serviços privados de rastreamento marítimo. A Kpler e a Windward Intelligence, que combinam receptores de transponder, imagens de satélite e inteligência artificial, registraram cerca de cinco navios deixando o estreito no dia em que Wright citou mais de 20 milhões de barris. Antes da guerra, passavam por ali mais de 100 embarcações por dia. Analistas de mercado trabalham com algo perto de 4 milhões de barris diários saindo pelo estreito, somados a cerca de 7 milhões redirecionados por oleodutos e outras vias, contra os 20 milhões que a região exportava antes do conflito. Matt Smith, diretor de pesquisa de commodities da Kpler, afirmou não ser possível conciliar a disparidade entre o que a empresa observa e o número citado pelo secretário.
Há convergência em alguns pontos. Todas as coberturas registram que o volume atual segue abaixo do patamar anterior à guerra, que forças americanas escoltam petroleiros pela rota ao sul e que uma parcela crescente do tráfego navega com o transponder desligado: cerca de metade do movimento rastreado pela Kpler nas últimas semanas, ante um oitavo um mês antes. É justamente nesse ponto que o Departamento de Energia americano argumenta que os dados privados subestimam o fluxo, porque não enxergam a chamada frota-sombra.
A cobertura de centro tratou o episódio como problema de mensuração e de mercado. Expôs a contradição entre os números oficiais e os dos rastreadores, ouviu economistas e gestores que admitem que o quadro pode estar incompleto e destacou que o mercado tem preferido acreditar no governo americano, o que ajuda a manter os preços mais baixos do que o choque de oferta sugeriria. Veículos de esquerda deram peso ao caráter sigiloso da operação, descreveram um corredor marítimo montado em segredo e sustentado por relatos anônimos de dois funcionários do governo americano, e alertaram que a afirmação de controle sobre o canal deve ser lida como avaliação de uma das partes em guerra. Enfatizaram também o efeito do conflito sobre os preços internacionais e a pressão inflacionária global. Veículos de direita não aparecem neste conjunto de cobertura; a leitura habitual desse campo enfatizaria a eficácia da presença naval americana em manter aberta uma rota comercial estratégica e o ceticismo quanto a estimativas de empresas privadas diante da informação obtida em campo pelos militares.
Na contramão do discurso de fechamento total, a mídia estatal iraniana informou no sábado (22) que o Irã autorizou a passagem de vários petroleiros iraquianos pelo estreito, atendendo a pedidos repetidos de Bagdá feitos durante a visita do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, ao Iraque.
O que ainda não se sabe é quanto petróleo realmente passou. Nenhuma fonte apresentou metodologia que concilie os mais de 20 milhões de barris citados por Washington com os cerca de cinco navios contabilizados no mesmo dia. Não há informação sobre quantos petroleiros iraquianos foram liberados, por quanto tempo vale a autorização, qual a duração prevista do corredor escoltado nem qual o volume efetivamente transportado pela frota-sombra. A conferência só deve ser possível quando as embarcações religarem os transponders.
Autorização se dá após repetidos pedidos de Bagdá feitos por meio de diversos canais oficiais, diz agência estatal iraniana

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