O Ministério das Relações Exteriores divulgou nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, um reforço do alerta consular sobre o Oriente Médio. O texto, publicado nas redes sociais da pasta, recomenda que brasileiros não viajem para o Irã, Israel, o sul do Líbano, a Faixa de Gaza e o Iêmen. Na mesma nota, o Itamaraty orienta que sejam evitadas viagens não essenciais para a Cisjordânia, a Síria, o Iraque, as demais regiões do Líbano, a Jordânia, o Catar, o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e a Arábia Saudita. Segundo o ministério, não há, por ora, restrição à realização de conexões aéreas nesses últimos seis destinos.
Toda a cobertura converge sobre o conteúdo prático da nota. O Itamaraty pede que brasileiros na região acompanhem os canais oficiais das embaixadas, sigam as instruções das autoridades locais, evitem multidões e protestos e não deixem o local de residência sem verificar as condições de segurança. O governo também orienta que não sejam filmadas nem fotografadas instalações, veículos ou pessoal militar, e que imagens, vídeos ou textos sobre o conflito não sejam publicados em redes sociais, porque a legislação local pode enquadrar essa conduta como risco à segurança nacional e prever detenção. Em caso de voos cancelados, a recomendação é procurar a companhia aérea, e os documentos de viagem devem ter ao menos seis meses de validade.
As ênfases variam conforme o lado da cobertura. Veículos de esquerda inseriram o alerta na escalada militar do dia: a Guarda Revolucionária iraniana informou ter atacado uma central de dados de uma empresa americana sediada no Bahrein, cujo Exército confirmou ataques contra alvos civis, enquanto o Comando Central dos Estados Unidos divulgou bombardeios a bases, instalações marítimas e sistemas de defesa aérea no Irã. Nessa leitura, ganharam relevo a ameaça do presidente americano ao complexo nuclear iraniano da Montanha Pickaxe, próximo às instalações de Natanz, o colapso do acordo costurado entre Teerã e Washington e a alta do barril de petróleo Brent, que subiu cerca de 2% e chegou a 90 dólares.
Veículos de direita concentraram-se na mudança técnica do documento. Em comparação com o alerta consular de fevereiro, o Itamaraty passou a graduar a recomendação conforme a situação de cada país ou região. Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita deixaram a lista de destinos proibidos e passaram à categoria de viagens não essenciais. O texto atual também separa os territórios palestinos, recomendando não viajar à Faixa de Gaza e orientando apenas cautela na Cisjordânia, e incluiu o Iêmen entre os destinos desaconselhados. Essa cobertura registrou ainda que o comunicado reforçado nesta terça-feira atualiza um alerta publicado em 4 de julho.
A cobertura de centro detalhou o protocolo de emergência. Em caso de ataques ou bombardeios, a orientação é procurar imediatamente o abrigo mais próximo: quem estiver na rua deve buscar estações de metrô, viadutos ou estacionamentos subterrâneos; quem estiver em casa deve priorizar cômodos com pelo menos duas paredes entre a pessoa e a parede externa do edifício, como salas no térreo, corredores internos e ambientes sem janelas, mantendo portas e janelas fechadas. O ministério recomenda encher banheiras ou recipientes grandes com água fria para formar reserva em caso de escassez e divulgou contatos de plantão das representações diplomáticas na região, alertando que em alguns países há restrição a chamadas por aplicativos de mensagem, caso em que se deve enviar texto.
Ainda não se sabe quantos brasileiros estão nos países listados, se o governo prepara plano de retirada ou voos de repatriação, por quanto tempo o alerta permanecerá vigente e quais alvos foram efetivamente atingidos no Bahrein. Também não há informação sobre eventual impacto do encarecimento do petróleo nos preços praticados no Brasil.