Brasil tem superávit comercial de US$ 7,4 bilhões em agosto sob tarifaço dos EUA
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A balança comercial brasileira fechou agosto de 2026 com superávit de US$ 7,4 bilhões, contra US$ 6 bilhões no mesmo mês de 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O saldo veio de US$ 33,2 bilhões em exportações e US$ 25,8 bilhões em importações. O resultado foi determinado por preço, e não por volume: o petróleo, principal item da pauta, teve alta de 18% na receita embarcada com queda de 5,5% em quantidade. No acumulado do ano, o superávit chega a US$ 55,3 bilhões, alta de 28,2%. As vendas aos Estados Unidos cresceram 12,1% em agosto, para US$ 3,190 bilhões, mas caíram 3,1% em volume, no primeiro mês de vigência das novas tarifas americanas.
Para a leitura de esquerda, o dado de agosto mostra que a economia brasileira absorveu o tarifaço de Donald Trump sem quebrar: mesmo com a sobretaxa de 25% e o adicional de 12,5% impostos pela Casa Branca, as vendas aos Estados Unidos cresceram 12,1% e a diversificação de destinos avançou, com salto de 46,4% nas exportações para a União Europeia sob o acordo Mercosul-UE.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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O saldo de US$ 55,3 bilhões no ano sustenta entrada de dólares, com efeito sobre câmbio e reservas. A sobretaxa de 25% e o adicional de 12,5% seguem valendo sobre parte das exportações ao mercado americano, que atingem pouco mais de 20% do comércio bilateral. Exportadores de aeronaves e de carne bovina continuam fora do tarifaço. As vendas de petróleo aos Estados Unidos caíram 59% em um ano, com perda de espaço para o produto venezuelano.
A esquerda lê o resultado como prova de que a economia absorveu o tarifaço e diversificou destinos, com salto de 46,4% nas vendas à União Europeia sob o acordo Mercosul-UE. A cobertura de mercado lê o mesmo dado como fragilidade: superávit sustentado por cotação internacional e por importação em queda de 2% em volume, o que indica atividade doméstica desacelerando, mais concentração da pauta em petróleo e combustíveis, que já somam 18,9% das exportações.
Todos os lados aceitam que o superávit de agosto veio de preço, não de volume: o petróleo subiu 24,9% em cotação e caiu 5,5% em quantidade embarcada. Há acordo também em que as tarifas americanas reduziram o volume exportado aos Estados Unidos, com queda de 3,1% no mês e de 13,6% no acumulado do ano, e em que aeronaves e carne bovina ficaram fora da sobretaxa.
O Mdic afirma que ainda não é possível medir o efeito do redirecionamento das exportações para outros mercados. Faltam dados dos importadores europeus para dimensionar o impacto real do acordo Mercosul-UE. Não há definição sobre a duração do conflito no Oriente Médio, sobre o retorno da China às compras de petróleo nem sobre eventual revisão das duas medidas tarifárias americanas.
O saldo comercial de agosto veio de preço, e não de volume. O petróleo puxou a receita de exportação, o minério de cobre triplicou de valor e as vendas à União Europeia avançaram, enquanto as tarifas americanas reduziram o volume embarcado para os Estados Unidos. O resultado divide quem enxerga resiliência da economia e quem enxerga dependência de commodities.
O Brasil fechou agosto de 2026 com superávit comercial de US$ 7,4 bilhões, resultado 23,8% maior que o do mesmo mês do ano passado, quando o saldo havia sido de US$ 6 bilhões. Os números foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), e resultam de US$ 33,2 bilhões em exportações contra US$ 25,8 bilhões em importações. No acumulado de janeiro a agosto, o superávit chega a US$ 55,3 bilhões, alta de 28,2% na comparação anual, com a corrente de comércio somando US$ 446,393 bilhões.
O motor do resultado foi preço, e não volume, e nisso a cobertura converge. O petróleo foi o principal item exportado em agosto, com aumento de 18% na receita embarcada, puxado por uma alta de 24,9% na cotação desde o agravamento do conflito no Oriente Médio, enquanto a quantidade embarcada caiu 5,5%. A soja manteve ritmo forte, com alta de 14% no embarque, sustentada por preço e por volume. O minério de cobre foi o destaque do mês: os embarques somaram US$ 975 milhões, mais que o triplo de agosto de 2025, dos quais US$ 685,2 milhões foram para a União Europeia, reflexo da demanda europeia por minerais críticos. Na direção oposta, o minério de ferro recuou 10,8% em receita, com queda de preço e de quantidade.
O segundo eixo da notícia é o comércio com os Estados Unidos, no primeiro mês completo de vigência das novas tarifas. A Casa Branca adotou duas medidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974: uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, ao fim de investigação por práticas comerciais consideradas injustas, e uma tarifa adicional de 12,5% aplicada ao Brasil e a outras 59 economias sob a alegação de falhas na fiscalização de produtos feitos com trabalho forçado. Mesmo assim, as vendas brasileiras ao país cresceram 12,1% em agosto, para US$ 3,190 bilhões. O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, atribuiu a alta ao preço médio, que subiu 8,6%, enquanto o volume embarcado caiu 3,1%. No acumulado do ano, a queda é de 9,7% em valor e de 13,6% em volume. Os Estados Unidos foram o único grande parceiro com o qual o Brasil registrou déficit no mês, de US$ 824 milhões.
É na interpretação desse mesmo conjunto de números que a cobertura se separa. Veículos de esquerda enquadraram o resultado como resistência da economia brasileira à decisão unilateral de um governo estrangeiro, destacando que aeronaves e carne bovina ficaram fora do tarifaço e que as exportações à União Europeia saltaram 46,4% em agosto, para US$ 5,82 bilhões, com exportadores relatando ganho já atribuível ao acordo entre Mercosul e União Europeia. A cobertura de centro deu o mesmo peso aos dados desfavoráveis: registrou que as vendas de petróleo aos Estados Unidos caíram 59% em um ano, com a participação do produto na pauta para aquele mercado despencando de 21% para 7,7%, à medida que o país passou a importar petróleo venezuelano; e que a alta do valor importado veio de um aumento de 11% nos preços, com queda de 2% no volume desembarcado, sinal de atividade doméstica em desaceleração. Não houve, no conjunto analisado, cobertura de veículos de direita sobre o dado; a leitura provável desse campo enfatizaria que o superávit é fruto de cotação internacional e de importação fraca, e não de competitividade conquistada, além da concentração crescente da pauta em petróleo e combustíveis, que já somam 18,9% do total exportado.
As projeções para o ano vieram do setor privado e são convergentes na direção, embora divirjam no tamanho: uma corretora projeta superávit de US$ 84,5 bilhões em 2026, uma instituição financeira estima US$ 88 bilhões e a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) trabalha com US$ 90 bilhões. O argumento comum é que a alta do petróleo tem sido acompanhada pela valorização de outras commodities da pauta brasileira, o que sustenta preços de exportação favoráveis mesmo com volumes menores.
O que ainda não se sabe é o essencial para julgar o resultado. O próprio Mdic afirmou que é cedo para medir o efeito de um eventual redirecionamento das exportações brasileiras para outros mercados e que faltam dados completos dos importadores europeus para dimensionar com precisão o impacto do acordo com a União Europeia.
O resultado marca o nível de inflação mais elevado desde 2024

Apesar da alta de 8,6% no preço médio, as exportações brasileiras aos Estados Unidos recuaram 3,1% em volume em agosto.
Superávit comercial brasileiro atingiu US$ 7,4 bilhões em agosto, superior aos US$ 6 bilhões de igual mês de 2025

Vendas para os Estados Unidos somaram US$ 3,190 bilhões no mês passado, alta de 12,1% em relação agosto de 2025, mas houve queda de 3,1% em volume
