
IBGE aponta 1,96 milhão de trabalhadores por aplicativo e jornada mais longa
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 4 de setembro um levantamento experimental que estimou 1,96 milhão de pessoas trabalhando por plataformas digitais no Brasil em 2025, equivalente a 1,9% dos ocupados. O rendimento mensal médio ficou praticamente igual ao dos demais trabalhadores do setor privado, cerca de R$ 3.147, mas com jornada semanal maior: 44,7 horas contra 39,3. Por hora trabalhada, o ganho foi de R$ 16,20 contra R$ 18,40. A informalidade e a menor cobertura previdenciária também aparecem no recorte, num momento em que o Supremo Tribunal Federal discute o reconhecimento de vínculo empregatício com os aplicativos.
Esquerda
Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a promessa de renda melhor pelos aplicativos se desfez em três anos: a vantagem salarial que existia em 2022 desapareceu, e hoje o trabalhador de plataforma ganha o mesmo por mês trabalhando 5,4 horas a mais por semana.
Centro
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 4 de setembro um levantamento experimental que estimou 1,96 milhão de pessoas trabalhando por plataformas digitais no Brasil em 2025, equivalente a 1,9% dos ocupados.
Direita
Sem cobertura neste espectro.
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
A seleção de dados privilegia o eixo de precarização: informalidade de 72,1%, cobertura previdenciária de 34%, rendimento por hora 12% menor e o achado de que 80,2% dos motoristas dizem depender totalmente da plataforma para definir o valor da tarefa. Ao afirmar que 'entre motoristas e entregadores, a principal razão para trabalhar pelas plataformas era não conseguir encontrar outro emprego', inverte a ordem que o próprio levantamento aponta para o conjunto dos plataformizados, em que a flexibilidade aparece à frente. O fechamento amarra os números ao julgamento da uberização e ao pedido de reconhecimento de vínculo, enquadramento típico de esquerda, ainda que registre a posição contrária da Procuradoria-Geral da República.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
O texto se organiza em torno de números do IBGE e cita o analista do instituto com falas literais, inclusive quando ele admite não saber a causa da estagnação ('O que pode estar acontecendo especificamente nessas plataformas? Não se sabe'). Abre com um trabalhador que diz ter quadruplicado a renda e fecha com a menor cobertura previdenciária, equilibrando ganho individual e falta de proteção. Vocabulário descritivo, sem termos valorativos, o que caracteriza cobertura de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mediu quase 2 milhões de pessoas trabalhando por plataformas digitais no Brasil. O salário mensal empatou com o do restante do setor privado, mas a jornada é 5,4 horas maior por semana e a cobertura previdenciária chega a apenas 34%. Os dados chegam enquanto o Supremo Tribunal Federal julga o vínculo empregatício com os aplicativos.
O Brasil tinha 1,96 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais em 2025, segundo levantamento experimental do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado em 4 de setembro. O grupo corresponde a 1,9% dos ocupados do país. A maior parte está no transporte de passageiros: cerca de 1,2 milhão de pessoas, ou 58,9% do total. Considerando apenas quem tem o aplicativo como trabalho único ou principal, são 1,8 milhão, crescimento de 36,8% em relação à primeira edição da pesquisa, em 2022. O setor de transporte, armazenagem e correios concentra sozinho 75% de todos os que trabalham por plataformas.
O número que organiza o debate é o do rendimento. Em 2025, quem trabalhava por aplicativo recebeu em média cerca de R$ 3.147 por mês, praticamente o mesmo valor dos demais trabalhadores do setor privado. A igualdade some quando entra a jornada: os plataformizados cumpriram 44,7 horas semanais no trabalho principal, contra 39,3 horas dos demais, diferença de 5,4 horas. Por hora trabalhada, isso significa R$ 16,20 contra R$ 18,40, cerca de 12% a menos. Em 2022, quando a série começou, a média mensal de quem trabalhava por aplicativo era maior que a dos outros ocupados, R$ 3.115 contra R$ 2.847. Nos três anos seguintes, o rendimento dos demais subiu 10,6% e o dos plataformizados ficou parado.
A cobertura de centro relatou os dados com a série histórica completa e deu espaço à explicação do próprio instituto: o analista responsável atribui a estagnação ao fato de motoristas e entregadores, que são cerca de três quartos do grupo, não terem registrado ganho real no período, e admite não saber a causa específica, apontando entre as hipóteses o aumento da oferta de trabalho nas plataformas. Essa cobertura também trouxe o perfil de quem faz esse trabalho: homens são 84,4% do total, contra 58,2% no restante do setor privado, e 62,5% têm ensino médio completo ou superior incompleto. Registrou ainda um dado que corre na direção oposta ao diagnóstico de precarização: entre os trabalhadores sem instrução ou com fundamental incompleto, o ganho por hora na plataforma é 11,5% maior do que o de quem tem a mesma escolaridade fora dela.
Veículos de esquerda destacaram o eixo da proteção social e da dependência econômica. Nessa leitura, o ponto central é que 72,1% dos plataformizados estão na informalidade e apenas 34% contribuem para o Instituto Nacional do Seguro Social, contra 42,7% e 63% entre os demais trabalhadores do setor privado. Essa cobertura também sublinhou o achado que tensiona a ideia de autonomia: embora 86,8% se declarem trabalhadores por conta própria, 80,2% dos motoristas e 78,3% dos entregadores afirmam que o valor recebido por cada tarefa depende totalmente da plataforma. E amarrou os números ao julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal sobre a chamada uberização, no qual trabalhadores pedem o reconhecimento de vínculo empregatício, as principais empresas do setor rejeitam essa interpretação e a Procuradoria-Geral da República se manifestou contra o vínculo.
Veículos de direita não publicaram cobertura própria do levantamento até o momento. O enquadramento habitual desse campo parte dos mesmos números para conclusão inversa: um mercado que absorveu quase 2 milhões de pessoas sem exigência de diploma nem intermediação, em que a flexibilidade é o motivo mais citado para a adesão, lembrado por 26,8% de quem tem a plataforma como principal fonte de renda, à frente da falta de outro trabalho, com 24,6%. Nessa chave, renda mensal equivalente à do setor privado formal e ganho por hora superior para os menos escolarizados são resultado do modelo, e impor vínculo por decisão judicial encareceria a operação e fecharia a porta de entrada.
Os dois lados que cobriram o caso convergem nos números do instituto e na constatação de que a vantagem de renda existente em 2022 desapareceu. Divergem sobre a causa e sobre o remédio: de um lado, falha de regulação que exige vínculo e contribuição previdenciária obrigatória; de outro, escolha individual que a lei não deveria desfazer. O contexto imediato é de mobilização, com o breque dos apps de 1º de setembro pedindo taxa mínima de R$ 10 para entregas de até quatro quilômetros e mudanças no projeto de lei que regulamenta a categoria.
O que ainda não se sabe é por que exatamente o rendimento de motoristas e entregadores parou de crescer, já que o próprio instituto trata o aumento da oferta de trabalho como hipótese e não como explicação medida.
As duas coberturas aceitam os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística sem disputa: 1,96 milhão de trabalhadores por plataforma em 2025, rendimento mensal médio equivalente ao do setor privado, jornada de 44,7 horas semanais e ganho por hora de R$ 16,20 contra R$ 18,40. Também convergem em que a vantagem de renda que existia em 2022 desapareceu.

Valor recebido mensalmente se aproxima da média entre os outros empregados do setor privado, mas jornadas são mais extensas e não há direitos trabalhistas.

Pesquisa do IBGE mostra jornadas mais longas, menor rendimento por hora e maior informalidade entre trabalhadores de plataformas
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