A Advocacia-Geral da União protocolou na Corte Suprema de Cassação da Itália, em 25 de junho de 2026, uma manifestação para reforçar o pedido do governo brasileiro de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, do PL de São Paulo. O documento reúne informações sobre a validade da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal e as garantias exigidas pela Justiça italiana para autorizar a entrega da ex-parlamentar, que tem dupla cidadania e deixou o Brasil antes de iniciar o cumprimento da pena.
O pedido trata da condenação de Zambelli a cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso teve origem na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando ela perseguiu e ameaçou um homem, identificado como o jornalista Luan Araújo, em uma via pública no bairro dos Jardins, em São Paulo. O relator do processo no STF, ministro Gilmar Mendes, enviou à AGU, em 23 de junho, um documento defendendo a validade da decisão e afirmando que não houve nulidades processuais. O julgamento na Corte de Cassação de Roma está marcado para 1º de julho.
A cobertura de centro, ancorada no despacho da Agência Brasil, relatou de forma factual que Mendes ofereceu garantias processuais e informou que, se extraditada, Zambelli ficaria presa na Penitenciária Feminina de Brasília. Registrou ainda que o Brasil se comprometeu a enviar relatórios trimestrais sobre as condições de saúde e de detenção da ex-deputada, além de assegurar acesso irrestrito à defesa e à representação consular italiana.
Veículos de esquerda destacaram que a iniciativa representa um esforço do Estado brasileiro contra a impunidade, enfatizando que Zambelli foi condenada pelo plenário do STF, que a sentença transitou em julgado em outubro de 2025 e que o episódio atingiu um cidadão comum em pleno processo eleitoral. Para essa cobertura, a dupla cidadania não pode funcionar como blindagem, e a oferta de garantias amplas demonstraria a lisura do pedido brasileiro à luz do Tratado de Extradição entre os dois países.
A leitura mais à direita, embora os veículos do cluster não a enfatizem de forma aberta, encontra eco no próprio histórico do caso: em maio, a Corte de Cassação italiana negou um primeiro pedido de extradição, referente a outra condenação, de dez anos de prisão, pela tentativa de invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Os magistrados italianos apontaram a parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, que teria atuado como 'juiz e vítima' naquela ação. Esse precedente alimenta o questionamento sobre as garantias individuais e o devido processo em julgamentos do STF envolvendo opositores, e enquadra a nova tentativa como persistência institucional sobre uma adversária política.
O que ainda não se sabe é qual será a decisão da Corte de Cassação em 1º de julho, se as garantias adicionais oferecidas pelo Brasil serão suficientes para convencer os magistrados italianos e qual a posição final do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, sobre o conjunto dos processos. A defesa de Zambelli não teve sua versão detalhada nas reportagens do cluster.