A senadora Damares Alves (PL-DF) saiu publicamente em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nesta segunda-feira, 13 de julho, depois que a esposa de Jair Bolsonaro se tornou alvo de ataques vindos de dentro do próprio campo bolsonarista. Em discurso no plenário do Senado, Damares classificou os autores das ofensas como 'aloprados de internet' e afirmou que Michelle está isolada, sem uma 'bancada feminina' para protegê-la, num momento em que a relação da ex-primeira-dama com o cunhado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atravessa uma crise pública.
Até o momento, apenas o veículo CartaCapital cobriu o caso com reportagens próprias, relatando que a senadora questionou publicamente a origem do financiamento por trás da onda de ataques. 'Quem está financiando tudo isso? A quem interessa essa fragilidade da direita?', disse Damares, sem apresentar nomes ou provas concretas. Segundo a cobertura, rumores atribuídos a ex-assessores partidários sugerem que Michelle estaria articulando a criação de um novo partido para desestabilizar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, hipótese que a própria Damares nega sustentar publicamente.
O caso ganhou um novo capítulo horas depois, quando a primeira-dama Janja da Silva, esposa do presidente Lula, prestou solidariedade tanto a Damares quanto a Michelle em entrevista ao programa Frente a Frente, da UOL. Janja afirmou que a violência política contra mulheres 'não tem lado' e que atinge 'todas nós igualmente', independentemente do campo ideológico. O gesto de Janja, vinda do campo político oposto ao de Damares e Michelle, reforça um ponto em que a cobertura converge: o entendimento de que ataques misóginos contra mulheres na política transcendem a disputa entre esquerda e direita.
A reportagem também recupera que Damares já havia relatado, em sessão da Comissão de Direitos Humanos do Senado no início do mês, ter recebido xingamentos depois que o bolsonarista Oswaldo Eustáquio a chamou de 'amante de pastor' e 'feminista' em tom depreciativo. Segundo a senadora, o episódio configura 'violência política', e a advocacia do Senado já foi acionada para avaliar representação formal contra os envolvidos.
O que ainda não está claro é quem, de fato, estaria coordenando ou financiando os ataques contra Michelle e Damares, questão que a própria senadora levantou sem resposta definitiva. Também não há confirmação sobre se Michelle Bolsonaro realmente pretende romper com o núcleo político da família e lançar uma nova legenda, nem qual será o desfecho da eventual representação por violência política de gênero anunciada pela senadora. O episódio expõe, de todo modo, uma fratura pública dentro do bolsonarismo às vésperas da corrida presidencial de 2026, com potencial de repercutir sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.