Augusto Cury chama MP das bets de eleitoreira e defende taxação de 60%
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
- O TempoApesar de ser a favor da regulação, Augusto Cury chama MP do fim das bets de 'medida eleitoreira'Leia mais sobre as declarações de Augusto Cury contra a MP de Lula e sua proposta de aumentar impostos nas apostas. Conheça os detalhes dessa polêmica política.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- As casas de apostas devem encerrar operação no Brasil por medida provisória, que precisa ser votada pelo Congresso para não perder validade.
- A tributação hoje aplicada às apostas, 12% segundo o candidato, passaria a 50% ou 60% na proposta dele, patamar de cigarro.
- O primeiro turno é em 4 de outubro de 2026, nove dias depois da declaração, o que coloca a medida dentro do período de campanha.
- O reajuste de 15% no Bolsa Família entra na discussão como segundo exemplo de decisão anunciada na reta final.
Onde os lados divergem
- Cobertura de centro trata a fala como reação datada à medida provisória assinada no mesmo dia, mantendo o foco no calendário eleitoral que o candidato questiona.
- Cobertura de direita desloca o eixo para a disputa presidencial, destacando a recusa em apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro em segundo turno e a avaliação de que o modelo econômico do governo está esgotado.
- Nenhum veículo de esquerda cobriu o episódio, de modo que o argumento de proteção a apostadores endividados não aparece com voz própria.
Onde os lados concordam
As coberturas disponíveis concordam em três pontos: Augusto Cury é favorável à regulação das apostas, considera insuficiente a tributação atual de 12% e associa as bets à dependência psicológica por efeito de recompensa rápida. Em ambas, a alternativa que ele apresenta à proibição é elevar a carga tributária ao nível aplicado ao cigarro.
O que ainda está incerto
- Conteúdo integral da medida provisória, prazo para encerrar as operações e situação das empresas já licenciadas.
- Reação do Palácio do Planalto às acusações de motivação eleitoral e posição do Congresso sobre a votação da medida.
- Efeito sobre arrecadação e empregos do setor, e se o candidato apresentará proposta formal com a alíquota que defende.
Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência, disse ser favorável à regulação das apostas, mas classificou como eleitoreira a medida provisória que encerra as bets no Brasil, assinada horas antes de sua fala em Salvador. Ele propõe tributar o setor entre 50% e 60%, no mesmo nível do cigarro, e compara a decisão ao reajuste de 15% no Bolsa Família.
O candidato à Presidência Augusto Cury, do Avante, classificou como eleitoreira a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que encerra o funcionamento das casas de apostas esportivas, as bets, no Brasil. A declaração foi dada em 25 de setembro de 2026, poucas horas depois da assinatura, durante entrevista coletiva em Salvador, na Bahia. "O que o Lula fez no momento, em cima da eleição, é uma pauta eleitoreira, está errado", disse o candidato, que se declara favorável à regulação do setor.
Cury questionou sobretudo o calendário da decisão e a comparou ao reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado semanas antes. "Por que é que ele não deu esse aumento de 15% lá atrás, em janeiro ou fevereiro? Por que dar a 17 dias da eleição e agora nós estamos a 9 dias?", questionou, referindo-se à proximidade do primeiro turno.
As duas frentes de cobertura convergem sobre a posição do candidato em relação às apostas. Ele sustenta que, se não houver consenso político para a proibição completa, a atividade deve ser tributada de forma muito mais pesada. Citou alíquota de 50% a 60%, em patamar que compara ao do cigarro, e afirmou que hoje as apostas pagam 12%, enquanto atribuiu 18% aos alimentos e 32% aos remédios e à energia. Também repetiu, nas duas ocasiões, a tese de que apostas eletrônicas produzem dependência psicológica por operarem com recompensa rápida e curta.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma datada e contextualizada, ligando a fala ao ato do governo ocorrido no mesmo dia, informando o local da coletiva e mantendo todas as avaliações entre aspas, atribuídas ao candidato, sem adjetivação própria. Veículos de direita enfatizaram outro ângulo do mesmo dia: o encontro do candidato com lideranças do partido no Recife, em Pernambuco, onde ele defendeu o aumento da tributação e descartou apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, afirmando que o modelo econômico do primeiro está esgotado e que a conduta ética do segundo se degrada. Nessa cobertura, a crítica ao governo aparece sem contraponto, ainda que o registro seja predominantemente factual.
Até o momento, veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do episódio. A leitura que esse lado costuma dar ao tema, com ênfase no endividamento de famílias de baixa renda, na dependência como questão de saúde pública e na legitimidade do Estado para regular um mercado que cresceu mais rápido que a fiscalização, aparece apenas de forma indireta, pelos argumentos que o próprio candidato usa para defender taxação mais alta. A ausência desse lado é o vazio mais visível da cobertura reunida até agora.
O que ainda não se sabe é considerável. Nenhuma das coberturas descreve o conteúdo integral da medida provisória, o prazo de encerramento das operações, o destino das empresas que receberam licença do próprio governo, nem o efeito sobre empregos e arrecadação. Não há manifestação do Palácio do Planalto sobre a acusação de motivação eleitoral, nem posicionamento das empresas de apostas. Também não se sabe como o Congresso tratará a medida, que precisa ser votada para não perder validade, nem se o candidato apresentará proposta formal com a alíquota que defende. As alíquotas citadas por ele não foram verificadas nas reportagens.
Fontes

Tema passou a atingir a campanha após Lula divulgar MP contra apostas online

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