O aplicativo do Tesouro Direto deixou de funcionar nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026. A decisão é do Tesouro Nacional, órgão do Ministério da Fazenda responsável pelo programa que vende títulos públicos a pessoas físicas. A partir de agora, quem investe precisa usar o Portal do Investidor, no site oficial do programa, ou o aplicativo do banco ou da corretora em que mantém a conta de investimentos, nos casos em que a instituição oferece essa funcionalidade.
Segundo o próprio Tesouro Nacional, a desativação faz parte da construção de uma nova experiência para os investidores, que será apresentada no futuro, sem data anunciada. O órgão afirma que a mudança não altera nada do que já foi aplicado: títulos comprados, valores investidos, rentabilidade e histórico de operações continuam preservados, e nenhum participante precisa tomar qualquer providência por causa do fim do aplicativo. Quem preferir o canal oficial pode entrar no Portal do Investidor com o mesmo login do Gov.br.
Toda a cobertura disponível converge nesses pontos. Os veículos de esquerda que trataram do assunto reproduziram a comunicação oficial do Ministério da Fazenda e do Tesouro Nacional, com ênfase na garantia de que o patrimônio dos participantes segue intacto e na indicação dos canais oficiais de atendimento para quem tiver dúvida. A cobertura de centro acrescentou a dimensão numérica e prática da mudança: informou que, pelo balanço de junho do programa, há 35,85 milhões de investidores cadastrados, dos quais 3,69 milhões tinham saldo aplicado, e detalhou que a migração afeta especificamente quem usava o aplicativo como ferramenta de operação e acompanhamento, gente que terá de escolher outro canal.
Até o fechamento desta reportagem, veículos de direita não haviam publicado sobre o caso. O ângulo que costuma organizar essa cobertura, a avaliação sobre a eficiência de um serviço digital mantido pelo Estado e a comparação com as plataformas privadas de bancos e corretoras, permaneceu ausente do noticiário. Nenhum veículo, de qualquer lado, ouviu investidores, associações de mercado ou parlamentares sobre a descontinuação, e nenhum apresentou o custo do aplicativo encerrado.
A divergência que existe no material publicado é de ênfase, não de fato. Uma parte do noticiário se limita ao comunicado oficial e à mensagem de tranquilidade sobre os investimentos; outra descreve o efeito prático sobre o usuário que perdeu a ferramenta e precisa migrar. O programa segue oferecendo os mesmos títulos, entre eles Tesouro Selic, Tesouro IPCA+, Tesouro Prefixado, Renda+ e Educa+, e o Portal do Investidor mantém consulta de carteira, acompanhamento de rentabilidade, compras, resgates e histórico de operações.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma fonte informou a data, o formato ou o custo da nova experiência prometida pelo Tesouro Nacional, nem explicou por que o aplicativo foi encerrado antes de o substituto existir. Também não há número público de quantos dos 3,69 milhões de investidores com saldo aplicado usavam o aplicativo como canal principal, nem lista de quais bancos e corretoras já oferecem o Tesouro Direto dentro dos próprios aplicativos, informação que define, na prática, quem ficou com uma alternativa e quem ficou sem.