Braskem pede recuperação extrajudicial enquanto Petrobras avalia aporte
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Para a leitura de esquerda, o pedido de recuperação extrajudicial é o desfecho previsível de um conglomerado que socializou danos e privatizou ganhos. A exploração de sal-gema em Maceió provocou rachaduras e afundamento do solo desde 2018 e obrigou mais de 55 mil moradores a deixar suas casas, com milhares de imóveis condenados e um passivo bilionário de indenizações que o Ministério Público Federal levou à Justiça Federal. Herdeira dos ativos da antiga Odebrecht, hoje Novonor, a companhia acumulou problemas de gestão cujos custos superaram os lucros, e agora recorre à Justiça enquanto a Petrobras, empresa de controle público, é chamada a sustentar a operação com R$ 2,35 bilhões e com o fornecimento de matéria-prima. O ponto central é quem paga a conta: os atingidos de Maceió, os mais de oito mil trabalhadores e, indiretamente, a estatal.
Pela leitura de direita, a Braskem é o retrato do custo de operar no Brasil com dívida cara e ciclo setorial adverso. A Selic saiu de 2% em 2020 e chegou a 15% em março de 2026, encarecendo o serviço de uma dívida de R$ 56 bilhões com parcela relevante em moeda estrangeira, enquanto o custo dos produtos vendidos consumiu cerca de 96% da receita líquida diante do excesso de oferta global e da compressão de margens.
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Veículos com viés à direita
A maior petroquímica da América Latina levou à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial sobre uma dívida de R$ 56 bilhões. A Petrobras, dona de 47% do capital votante, estuda um aporte de R$ 2,35 bilhões, enquanto o passivo do afundamento do solo em Maceió segue na Justiça Federal.
A Braskem, maior petroquímica da América Latina, protocolou na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, um pedido de recuperação extrajudicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A companhia acumula dívida estimada em R$ 56 bilhões, o equivalente a cerca de US$ 10,9 bilhões, e comunicou ao mercado que o Conselho de Administração aprovou o ajuizamento. Segundo o comunicado, o processo tem alcance exclusivamente financeiro e fica restrito às chamadas obrigações quirografárias. Fornecedores, clientes e demais partes relacionadas não entram na reestruturação e seguem sendo pagos conforme os contratos firmados.
Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com os credores e depois leva o acordo à homologação da Justiça. Se o apoio necessário não aparecer, o caminho seguinte é a recuperação judicial. A Braskem continua operando durante a negociação e tem uma janela de 90 dias para propor novas condições de pagamento, com aprovação que depende de metade dos credores envolvidos. A Petrobras, que detém cerca de 47% do capital com direito a voto e 36,1% do capital total, poderá aportar R$ 2,35 bilhões em uma linha voltada à compra de matérias-primas, com prazo de pagamento de até 30 dias e vigência até 31 de dezembro de 2026. O aporte ainda depende de aprovação das instâncias de governança da estatal.
As duas coberturas disponíveis convergem no diagnóstico econômico. A indústria petroquímica global atravessa um ciclo longo de margens apertadas, excesso de oferta e queda de demanda, e o próprio plano apresentado pela empresa fala em crise de liquidez significativa e perda de competitividade dos produtores à base de nafta. Em junho de 2026, as agências Fitch e S&P Global rebaixaram as notas atribuídas aos papéis da companhia. Na semana anterior ao pedido, a Braskem Idesa, joint venture com sede no México, recorreu ao Chapter 11 nos Estados Unidos. E o afundamento do solo em Maceió, associado à exploração de sal-gema, aparece nos dois textos como um passivo bilionário que se soma à crise financeira.
A partir daí as ênfases se separam. Veículos de direita concentraram o relato na engenharia financeira e no custo do dinheiro: descreveram que o período de 60 dias de proteção contra execuções terminou em 24 de agosto sem acordo definitivo, que instituições bancárias pediram garantias sobre ativos e a contratação de um financiamento de US$ 700 milhões recusado pela empresa, e que a controladora IG4 propôs alongar as linhas de crédito por cinco anos com carência de 30 meses, sem redução do principal nem conversão de dívida em participação acionária. Nessa cobertura, a alta da Selic, de 2% em 2020 para 15% em março de 2026, e o custo dos produtos vendidos equivalente a cerca de 96% da receita líquida explicam o aperto, e o desastre de Alagoas entra como passivo e como queda de quase 15% das ações em um pregão.
Veículos de esquerda deram outro peso aos mesmos fatos. Trataram o pedido como mais um capítulo de uma história conturbada, apontaram falha de gestão em uma companhia nascida em 2002 da integração de ativos da antiga Odebrecht, hoje Novonor, com o Grupo Mariani, e detalharam o custo humano do afundamento do solo: mais de 55 mil moradores obrigados a deixar suas casas desde 2018, danos ambientais e bilhões em indenizações. Nessa leitura, a entrada da Petrobras como sócia e principal fornecedora de insumos é o elemento decisivo, porque coloca uma empresa de controle público sustentando a operação de uma petroquímica privada com mais de oito mil funcionários, 39 unidades industriais e presença em 11 países. Nenhum veículo de centro havia registrado o caso no recorte analisado, de modo que o núcleo factual acima é o que as duas coberturas afirmam de forma convergente.
Há pontos em aberto. As duas versões divergem sobre o efeito imediato do pedido: uma cobertura afirma que o prazo de 60 dias de proteção contra execuções se encerrou em 24 de agosto sem acordo, outra afirma que a mesma vara acolheu a solicitação e suspendeu a execução de dívidas por 60 dias. Não se sabe se a Petrobras aprovará o aporte de R$ 2,35 bilhões, nem se os detentores de títulos no exterior aceitarão o plano. O número de atingidos em Maceió aparece como 55 mil em um texto e cerca de 60 mil em outro, com aproximadamente 14 mil imóveis condenados. Também não há informação sobre risco para os empregos nem sobre o desdobramento da denúncia do Ministério Público Federal recebida pela Justiça Federal em junho.
A Braskem entrou com pedido de recuperação extrajudicial nesta segunda-feira (24), em meio a uma dívida estimada em R$ 56

Do desastre humano e ambiental em Maceió aos problemas no setor petroquímico mundial, empresa vem acumulando dívidas superiores a R$ 56 bilhões

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