O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se em 19 de agosto com a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, para cobrar mais velocidade na liberação do crédito destinado a taxistas e motoristas de aplicativo. O programa, chamado Move Brasil Táxi e Aplicativos, tem R$ 30 bilhões disponíveis, mas havia contratado R$ 3,55 bilhões até 18 de agosto, o equivalente a 12% do total. O prazo de vigência da medida provisória que criou a linha se encerra em 15 de setembro. Participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Guilherme Boulos, Dario Durigan, Bruno Moretti, Miriam Belchior e Sidônio Palmeira.
Na mesma reunião o governo acertou a ampliação do programa, formalizada pela Portaria Interministerial MDIC/MF nº 188, de 18 de agosto, publicada no Diário Oficial da União. O teto do veículo financiável subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil e passaram a ser aceitos híbridos com diferentes combinações de fontes de energia. Além disso, Lula pediu que as instituições melhorem o atendimento e expliquem em detalhe os casos de recusa, resposta a reclamações de motoristas que dizem ter o crédito negado sem justificativa.
As duas linhas de cobertura convergem nos números e nas regras. O crédito tem taxa fixada pelo Conselho Monetário Nacional em 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, contra média de mercado de 28% ao ano para financiamento de automóveis. O tíquete médio das operações está em R$ 103 mil. O governo repassou os recursos, arca com o subsídio dos juros e mantém fundo garantidor que honra o pagamento em caso de inadimplência. Ainda assim, segundo relatos do setor financeiro, muitos motoristas habilitados não comprovam capacidade de pagar as parcelas ou têm restrição cadastral por dívidas antigas e processos judiciais. Há ao menos R$ 1 bilhão em operações aprovadas e não liberadas, à espera de nota fiscal das montadoras ou de decisão do próprio beneficiário.
Os enfoques, porém, se separam. Veículos de esquerda destacaram a ampliação do alcance da política, tratando a portaria como atualização que amplia o conjunto de modelos disponíveis e reduz o custo de operação do motorista profissional, sobretudo com combustível e manutenção, sem abordar o ritmo de execução do programa. A cobertura de centro relatou o outro lado da mesma reunião: a insatisfação do núcleo político do governo com o desempenho dos bancos públicos, a conversa descrita como dura, e a avaliação de interlocutores de que a expectativa criada por R$ 30 bilhões anunciados de largada pode ter superado a capacidade de execução das instituições e das concessionárias. Essa cobertura registrou ainda a fala do ministro Guilherme Boulos, para quem os bancos têm sido excessivamente restritivos na concessão. Veículos de direita não registraram cobertura do caso até o momento, de modo que a leitura de responsabilidade fiscal do subsídio e da pressão política sobre bancos estatais não aparece no material disponível.
O que ainda não se sabe é se a elevação do teto muda o quadro. Dentro dos próprios bancos há dúvida sobre o efeito da medida, já que algumas instituições relatam pouca demanda por veículos acima de R$ 150 mil e o tíquete médio segue bem abaixo do limite anterior. Não há posicionamento oficial do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal sobre as cobranças, nem número público de motoristas habilitados que efetivamente contrataram o financiamento. Também não foram divulgados o custo fiscal do subsídio, a projeção de inadimplência da carteira e o que acontece com a linha depois de 15 de setembro, quando a medida provisória perde a validade. Integrantes do governo afirmam que a execução segue sendo monitorada e que novos ajustes não estão descartados.