A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou, em 30 de junho, a presidência do PL Mulher, núcleo feminino do Partido Liberal que comandava desde 2023. A decisão foi comunicada após reunião reservada com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, em Brasília, e veio poucos dias depois da maior crise pública já registrada entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República em 2026. Ao anunciar a saída, Michelle afirmou que pretende se dedicar integralmente aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e da filha do casal.
A cobertura de centro relatou que o estopim do racha foi um vídeo publicado por Michelle nas redes sociais, no qual ela disse ter sido desrespeitada e humilhada pelo enteado durante as negociações sobre as alianças do PL no Ceará, sobretudo o apoio de Flávio à candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual. Após a repercussão, o senador pediu desculpas publicamente e negou qualquer intenção de ofender a madrasta. No dia seguinte à saída, o perfil do PL Mulher publicou nas redes sociais uma homenagem inusitada: fotos de uma réplica de papelão em tamanho real de Michelle, acompanhadas da legenda "a alegria de ter uma líder de verdade", post que recebeu curtida da própria ex-primeira-dama e da governadora do Distrito Federal, Celina Leão.
Veículos de esquerda, como o Diário do Centro do Mundo, destacaram que a crise expôs a fragilidade da unidade bolsonarista e abriu espaço para uma ofensiva do Republicanos, partido que já sonda Michelle para uma filiação futura e cuja articulação é puxada pela senadora Damares Alves. Segundo essa cobertura, aliados da ex-primeira-dama sugerem existir "escândalos" ainda não revelados capazes de pesar mais sobre a campanha de Flávio do que o próprio conflito familiar, embora nenhuma fonte tenha detalhado do que se tratariam.
Já veículos de direita, caso do InfoMoney, enfatizaram o gesto de Michelle ao abrir mão de um salário mensal de R$ 46 mil pago pelo partido e citaram pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg segundo a qual 64,1% dos entrevistados avaliam que o desgaste com Flávio enfraquece, em algum grau, a candidatura presidencial do senador, ainda que mais da metade considere importante manter Michelle na campanha. Essa cobertura também frisou os esforços da cúpula do PL para conter a crise e preservar a coesão do grupo antes da eleição de outubro.
O futuro político da ex-primeira-dama segue indefinido: ela era tratada como pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, mas o partido ainda não confirmou se o projeto segue de pé, e uma pesquisa Meio/Ideia divulgada dias depois voltou a colocá-la como a mulher mais poderosa do país, à frente até da primeira-dama Janja. O que ainda não se sabe é se Michelle vai manter a candidatura ao Senado, migrar para o Republicanos ou se afastar de vez da disputa eleitoral de 2026.