Arthur Henrique, do PL e ex-prefeito de Boa Vista, foi o candidato mais votado na eleição suplementar para o governo de Roraima, realizada no domingo, 21 de junho de 2026. Com 100% das urnas apuradas, ele recebeu 160.004 votos, ou 60,87% do total. Apesar da vitória nas urnas, Arthur ainda não foi declarado eleito, porque sua candidatura está sub judice e depende de decisão da Justiça Eleitoral.
Em segundo lugar ficou o governador interino Soldado Sampaio, do Republicanos, com 93.897 votos, ou 35,72%. Em terceiro, Nelita Frank, do PT, somou 8.948 votos, equivalentes a 3,40%. No site de resultados do Tribunal Superior Eleitoral, nenhum candidato aparece como eleito: o sistema informa que não há requisitos suficientes para atribuição de eleitos, porque o candidato mais votado tem votos anulados sub judice e a soma desses votos ultrapassa metade da votação nominal.
O impasse nasceu de uma disputa jurídica sobre o prazo de desincompatibilização, o período em que ocupantes de cargos públicos precisam se afastar para concorrer. A eleição suplementar foi convocada apenas em maio para ser realizada em junho. Diante do calendário reduzido, o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima fixou um prazo excepcional de 24 horas após a convocação. Na sexta-feira, 19 de junho, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, derrubou esse entendimento e afirmou que valia o prazo legal, que pode chegar a seis meses antes do pleito. Segundo Dino, os prazos de desincompatibilização não são mera formalidade, mas mecanismos para preservar a isonomia entre os candidatos e a legitimidade da disputa. O ministro Edson Fachin negou pedido do PL para manter a candidatura, e a defesa recorreu ao STF e ao TSE.
A cobertura de centro relatou os fatos com paridade, detalhando o resultado, o funcionamento do sistema do TSE e a cronologia das decisões de Dino e Fachin, sem juízo de valor. Veículos de centro também explicaram que a chapa do PT entrou na disputa em substituição a Antônia Pedrosa, que teve o registro barrado pelo mesmo motivo do prazo, e que, como as urnas já estavam preparadas, os eleitores viram o nome e a foto de Antônia, mas os votos foram atribuídos a Nelita Frank.
Veículos de direita enfatizaram que a vitória de Arthur foi expressiva e que a decisão do STF ignorou a realidade do calendário: como o pleito só foi marcado em maio, ninguém teria como cumprir seis meses de afastamento, e o prazo de 24 horas seguia jurisprudência já usada em outras eleições suplementares pelo país. Nessa leitura, mudar a regra depois da votação cria insegurança jurídica e contraria a vontade clara expressa nas urnas. Já uma leitura de esquerda tende a destacar que a Justiça Eleitoral agiu para proteger a isonomia da disputa e conter o uso da máquina pública por quem já ocupa cargos, lembrando que Arthur Henrique é apresentado como aliado de Flávio Bolsonaro e que a permanência do governador interino preserva a normalidade institucional até o julgamento.
O que ainda não se sabe é o resultado final do julgamento. Se os votos de Arthur forem validados pelas Cortes, ele poderá ser proclamado eleito. Se forem anulados, a definição do governo de Roraima volta ao Judiciário, sem prazo definido para a decisão. Enquanto isso, Soldado Sampaio segue como governador interino.