A trégua observada por alguns dias no Oriente Médio foi rompida entre 28 e 29 de julho de 2026, quando Estados Unidos e Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos no Iraque contra milícias alinhadas ao Irã. Segundo as Forças de Mobilização Popular, aliança de facções majoritariamente xiitas incorporada às Forças Armadas iraquianas, ao menos 20 combatentes morreram e 32 ficaram feridos em bombardeios que atingiram sete províncias, entre elas Bagdá, Nínive e Basra. O Comando Central americano afirmou ter mirado grupos que teriam sido orientados pela Guarda Revolucionária Islâmica a atacar forças dos EUA e a infraestrutura energética saudita.
A cobertura de centro relatou os fatos com paridade de fontes, atribuindo cada afirmação a comunicados oficiais dos governos americano, saudita, iraquiano e iraniano. Esses veículos registraram que a Arábia Saudita, que até então resistia a se envolver plenamente, entrou abertamente no conflito depois de sucessivos ataques com drones a suas instalações petrolíferas, e que o Irã disparou mísseis balísticos contra bases americanas na Jordânia, interceptados pela defesa aérea jordaniana. Descreveram também o impacto econômico: o petróleo Brent subiu quase 4%, para US$ 87,10 o barril, com o Estreito de Ormuz praticamente fechado.
Veículos de direita enfatizaram a dimensão de legítima defesa da ação, apresentando os ataques como resposta a mais de 30 investidas de milícias apoiadas por Teerã e ressaltando o papel do Irã como financiador de facções que operam fora do controle do Estado iraquiano. Nessa leitura, o fechamento de Ormuz e os disparos contra a Jordânia fazem do regime iraniano o motor da escalada, e a defesa das instalações petrolíferas aparece ligada à segurança do fornecimento global de energia. Uma leitura de esquerda, por sua vez, tenderia a enfatizar o custo humano e a violação da soberania de um país arrastado à guerra contra sua vontade, ecoando a denúncia iraniana de que EUA e Israel buscam ampliar deliberadamente o conflito na região.
No mesmo intervalo, a Rússia intensificou os ataques com mísseis balísticos e drones contra a Ucrânia. Um bombardeio em larga escala em 30 de julho matou oito pessoas, entre elas seis integrantes de uma mesma família, e um novo ataque a Kiev em 1 de agosto deixou ao menos nove mortos e 28 feridos. A cobertura desses episódios destacou a escassez de interceptadores ucranianos e a hesitação do presidente americano em autorizar a produção de sistemas Patriot, capazes de abater esse tipo de projétil.
O que ainda não se sabe é se a entrada da Arábia Saudita e os disparos iranianos vão abrir uma nova frente de guerra regional, se há caminho diplomático para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar as hostilidades, e se Washington autorizará a Ucrânia a fabricar os interceptadores. A autoria confirmada dos ataques com drones que motivaram a ofensiva no Iraque também permanece em disputa entre as partes.