Uma nova onda de ataques com drones deixou civis mortos dos dois lados da fronteira entre Rússia e Ucrânia, entre a noite de sexta-feira, 21 de agosto de 2026, e a madrugada de sábado, 22. Autoridades regionais russas atribuíram à Ucrânia mortes em Samara, na cidade portuária de Yeysk, na região de Krasnodar, em Belgorod e na província ocupada de Luhansk. Em Samara, o governador Vyacheslav Fedorishchev relatou a morte de uma idosa depois que um armazém da varejista de comércio eletrônico Ozon e uma instalação industrial foram atingidos; segundo as Forças Armadas da Ucrânia, a instalação era a refinaria de Novokuibyshevsk. Em Yeysk, duas crianças morreram. Em Luhansk, o governador indicado por Moscou, Leonid Pasechnik, informou a morte de dois civis, entre eles um menino de 16 anos. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter abatido 457 drones ucranianos durante a noite.
O presidente russo, Vladimir Putin, condenou a ofensiva e afirmou que Kiev abriu uma "caixa de Pandora" de retaliação. Nos dois dias anteriores, a acusação corria no sentido inverso. Na sexta-feira, drones russos atingiram um shopping movimentado em Kryvyi Rih, no leste ucraniano, deixando 15 mortos e quase uma centena de feridos, e outro ataque matou quatro pessoas, três delas crianças, em Tokarivka, no sul do país. Na madrugada de quinta-feira, 20, um bombardeio em larga escala contra Kiev matou 15 pessoas e danificou uma escola, um hospital infantil, uma creche e ao menos 30 edifícios. O Ministério da Defesa russo confirmou a ação e sustentou ter mirado instalações de produção de componentes para drones, um depósito militar e um centro logístico.
A cobertura de centro relatou o episódio como troca de golpes com balanços oficiais dos dois governos, detalhando cada localidade atingida, reproduzindo a versão russa sobre os alvos militares e registrando a ameaça de retaliação de Vladimir Putin. Veículos de esquerda organizaram o relato em torno do custo humano e do caráter dos alvos ucranianos destruídos, com destaque para escola, hospital infantil, creche e prédios residenciais, e trataram a justificativa militar russa com verbo de distanciamento, sem reproduzir a resposta de Putin. Veículos de direita não registraram o caso no material reunido até aqui; a leitura que costuma predominar nesse campo, de que atacar refinarias e centros logísticos é golpe legítimo contra o financiamento da guerra, não aparece em nenhuma das matérias analisadas.
Os dois relatos convergem no essencial: houve mortes civis na Rússia e na Ucrânia na mesma janela de 48 horas, o armazém da Ozon e a refinaria de Novokuibyshevsk foram atingidos, e a estratégia ucraniana declarada é enfraquecer a infraestrutura econômica que sustenta o esforço de guerra do Kremlin. Divergem no número: enquanto uma apuração fala em ao menos dez civis mortos em território russo, a outra contabiliza seis. Nenhuma das duas explica a diferença.
O plano diplomático segue travado. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chamou os bombardeios de "atos de terrorismo" e voltou a cobrar dos aliados o envio de mísseis para os sistemas antiaéreos Patriot, apontando os balísticos como a maior ameaça. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, respondeu que trabalha com os Estados-membros e parceiros para fornecer recursos antibalísticos como prioridade mais urgente. O Kremlin, por sua vez, afirmou não ter informação sobre uma visita dos negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscou, depois de Kiev anunciar que entregou propostas de fim da guerra aos dois representantes dos Estados Unidos.
O que ainda não se sabe é o balanço final e verificado de vítimas, já que os números vêm exclusivamente de autoridades dos dois governos em conflito, sem apuração independente. Também segue em aberto a extensão real dos danos na refinaria de Novokuibyshevsk, se e quando os mísseis para os sistemas Patriot serão entregues à Ucrânia, e qual é o conteúdo das propostas de paz encaminhadas aos enviados americanos.