O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e um dos principais líderes do Centrão, aparece em terceiro lugar na disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo Piauí em 2026. É o que mostra a pesquisa AtlasIntel, contratada pela TV Meio Norte e divulgada na segunda-feira, 22 de junho de 2026. O levantamento aponta Marcelo Castro (MDB) na frente, com 20,1% das intenções de voto, seguido por Júlio César (PSD), com 15,8%, e por Ciro, com 12,6%.
O estudo ouviu 1.197 eleitores entre os dias 16 e 21 de junho, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e grau de confiança de 95%. Está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números BR-08344/2026 e PI-00806/2026, e custou 80 mil reais. Como cada unidade da federação elegerá dois senadores em 2026, o cenário segue aberto: considerada a margem de erro, Marcelo Castro e Júlio César estão em empate técnico na liderança, enquanto Ciro Nogueira empata tecnicamente com o deputado estadual Tiago Junqueira, do PL, que soma 7%.
O resultado ganhou peso por chegar logo depois de uma nova etapa da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que colocou o nome de Ciro Nogueira no centro das investigações sobre supostos repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a apuração, o senador é suspeito de ter recebido pagamentos mensais que variariam entre 300 mil e 500 mil reais, o que levou a corporação a cumprir mandados de busca e apreensão. Ciro nega irregularidades.
A cobertura de centro, representada pelo Poder360, tratou o tema com ênfase na metodologia: detalhou o registro no TSE, o financiador, o custo do levantamento e a leitura dos empates técnicos, evitando atribuir de forma direta a queda do senador ao caso Master. Já veículos de direita, como o InfoMoney, enfatizaram o desgaste pessoal e institucional do parlamentar, descrevendo o momento como o mais delicado de sua trajetória nacional e ligando explicitamente a exposição na investigação ao desempenho fraco nas pesquisas. Não há, neste conjunto de reportagens, cobertura de veículos de esquerda; pelo prisma que tais veículos costumam adotar, a leitura seria a de que nem o controle de uma das maiores legendas do país nem a estrutura política consolidada blindam um cacique do Centrão quando o eleitorado reage à associação com esquemas de financiamento sob suspeita.
Há convergência entre as fontes sobre os números e o quadro geral: a disputa está pulverizada, com Tiago Junqueira em 7%, Francinaldo Leão (PSOL) em 3,1% e Antônio Barros (Novo) em 2,2%, além de vários nomes com índices inferiores a 3%. Brancos e nulos somam 17,1% e os indecisos, 16,4%, o que mantém mais de um terço do eleitorado ainda sem definição.
O que ainda não se sabe é se o recuo de Ciro Nogueira se consolidará ao longo da pré-campanha ou se trata de um efeito momentâneo da repercussão da operação. Também não há, nas reportagens, detalhamento da linha de defesa do senador além da negativa, nem dados que isolem com precisão o impacto eleitoral do caso Master sobre a intenção de voto.