Flávio Bolsonaro segue sem divulgar contrato com Daniel Vorcaro após 100 dias
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Cem dias depois de virem a público os áudios em que Flávio Bolsonaro cobra repasses milionários de Daniel Vorcaro, o senador e pré-candidato à Presidência continua sem entregar o que ele mesmo prometeu voluntariamente: o contrato de financiamento e a prestação de contas do filme Dark Horse. Para veículos de esquerda, o ponto central é a assimetria entre o dever de transparência de um agente público e a conveniência de tratar o caso como página virada. A Polícia Federal precisa de perícias e autorizações judiciais para rastrear o dinheiro; o senador não precisa de nenhuma delas para publicar um documento que diz ter em mãos. Enquanto isso, o inquérito autorizado por André Mendonça caminha devagar, sem medidas invasivas pedidas até agora.
Completaram cem dias, em 21 de agosto de 2026, desde a revelação de áudios, mensagens e documentos sobre a negociação de recursos entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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As duas frentes de cobertura registram os mesmos fatos centrais: o senador prometeu divulgar o contrato e a prestação de contas em maio, com prazo de 30 dias; nada foi tornado público integralmente; e o inquérito autorizado por André Mendonça em 23 de julho segue em fase inicial, sem pedidos de quebra de sigilo, busca e apreensão ou prisão levados ao Supremo Tribunal Federal.
Cem dias depois da revelação dos áudios em que cobra repasses milionários de Daniel Vorcaro, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro não divulgou o contrato de financiamento do filme Dark Horse nem a prestação de contas que prometeu em maio. O inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça segue em fase inicial no Supremo Tribunal Federal.
O caso do financiamento do filme Dark Horse completou cem dias nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, sem que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro tenha tornado público o contrato que prometeu divulgar em maio. A contagem começa em 13 de maio, quando uma investigação jornalística revelou áudios, mensagens e documentos sobre a negociação de recursos entre o senador e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para bancar o longa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas gravações, o senador chama o empresário de irmão e diz que sempre estará com ele.
Os números conhecidos até aqui não fecham entre si, e as duas coberturas registram isso da mesma forma. A negociação inicial falava em até US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação daquele período. Ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido transferidos em seis operações entre fevereiro e maio de 2025 para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos. Uma perícia privada apresentada pela produtora Go Up Entertainment declarou custo aproximado de US$ 13,4 milhões, com US$ 13,3 milhões em aportes do mesmo fundo, sem nomear os financiadores finais. O inquérito no Supremo Tribunal Federal foi autorizado pelo ministro André Mendonça em 23 de julho, com manifestação favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e apura origem, movimentação e destinação dos recursos, além de eventuais contrapartidas.
Há convergência entre as duas frentes de cobertura em três pontos. O primeiro é que a promessa de transparência foi feita pelo próprio senador, que em 15 de maio se disse cem por cento disposto a abrir o contrato e depois anunciou prestação de contas com prazo de 30 dias. O segundo é que esse documento não veio a público integralmente. O terceiro é que Flávio Bolsonaro passou a tratar o episódio como página virada, afirmando na quinta-feira, 20 de agosto, durante agenda em São Paulo, que a prestação de contas já aconteceu e que estava tudo certinho.
A divergência aparece no que cada lado escolhe iluminar. Veículos de esquerda destacaram o descompasso entre o esforço do Estado e a inércia do investigado: a Polícia Federal precisa de perícias, diligências e autorização judicial para rastrear o dinheiro, enquanto o senador não precisa de nenhuma delas para publicar o que disse ter em mãos. Essa cobertura registra que até o início da semana a corporação não havia levado ao gabinete de André Mendonça pedidos de quebra de sigilo bancário ou telemático, busca e apreensão ou prisão, embora o deputado Lindbergh Farias tenha solicitado essas medidas em julho. Também nesse enquadramento entram as três notas fiscais que somam R$ 1,5 milhão, emitidas em abril de 2025 pelo escritório ligado ao senador para empresas do entorno do banqueiro, entre elas uma companhia aberta com capital social de R$ 40 que, segundo documentos encaminhados à Procuradoria-Geral da República, movimentou R$ 58 milhões vindos do Banco Master.
A cobertura de centro relatou o caso pela via das versões em disputa. Registra que Flávio Bolsonaro confirmou ter buscado recursos com Vorcaro e sustenta que houve um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai, sem dinheiro público e sem Lei Rouanet. Registra também que o deputado Mário Frias, produtor executivo do longa, afirmou não haver um centavo do Banco Master na obra e depois disse que o contrato foi firmado com a Entre Investimentos e Participações, empresa que mantinha parceria com negócios ligados ao banqueiro. E registra a cobrança feita pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, também candidato ao Palácio do Planalto, que ironizou a demora da prestação de contas. Veículos de direita não produziram cobertura própria do marco dos cem dias, e a leitura provável desse campo, a partir dos fatos disponíveis, é a de que não há dinheiro público envolvido nem, até agora, medida judicial que aponte ilícito.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há documento público que identifique os financiadores finais do fundo nos Estados Unidos, nem explicação para a variação entre os valores citados, que vão de US$ 10,6 milhões a US$ 24 milhões. Não se conhece o destino integral dos recursos, e uma das linhas do inquérito verifica se parte do dinheiro teve finalidade diversa da produção, o que Flávio e Eduardo Bolsonaro negam. Não há prazo divulgado para a conclusão da apuração.
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