Jerônimo Rodrigues enfrenta ACM Neto na Bahia com 1.206 candidaturas registradas
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O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) recebeu 1.206 pedidos de registro de candidatura para as eleições de 2026, queda de 29,8% em relação aos 1.719 de 2022. A retração se concentra no Legislativo, enquanto as disputas majoritárias cresceram: são sete candidaturas ao governo do estado e dez ao Senado. No centro da eleição está a revanche entre o governador Jerônimo Rodrigues, do PT, que tenta a reeleição, e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, do União Brasil, derrotado no segundo turno de 2022. Pesquisas divulgadas em julho e agosto mostram os dois tecnicamente empatados.
A leitura de esquerda enxerga a Bahia como peça estratégica do projeto nacional: quarto maior colégio eleitoral do país, com mais de 11 milhões de eleitores, e território onde o Partido dos Trabalhadores obtém mais de 65% dos votos válidos em segundo turno presidencial desde 2002.
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Todas as coberturas tratam a disputa pelo governo da Bahia como acirrada e concentrada em Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, com os dois tecnicamente empatados nas pesquisas e o terceiro colocado em 2%. Há convergência também sobre a interferência da eleição presidencial no cenário estadual.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia recebeu 1.206 pedidos de registro de candidatura para 2026, quase 30% menos que em 2022. A queda se concentra nas disputas para deputado estadual e federal, enquanto cresceram os registros para governador e Senado. No centro da eleição, a revanche entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto começa em empate técnico.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia recebeu 1.206 pedidos de registro de candidatura para as eleições de 2026, número 29,8% menor do que os 1.719 apresentados em 2022. A maior parte se destina ao cargo de deputado estadual, com 632 registros, seguida por deputado federal, com 529. A retração está concentrada exatamente nesses dois cargos, que perderam 281 e 247 pedidos, respectivamente. As disputas majoritárias seguiram no caminho oposto: são sete candidaturas ao governo do estado, contra seis há quatro anos, e dez ao Senado, contra seis em 2022.
No centro dessa eleição está a revanche entre o governador Jerônimo Rodrigues, do PT, que tenta a reeleição, e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, do União Brasil, derrotado no segundo turno de 2022 por 52,54% a 47,21% dos votos válidos. Jerônimo Rodrigues disputa apoiado por Lula e por uma chapa que leva ao Senado dois ex-governadores, Rui Costa e Jaques Wagner. ACM Neto se apresenta como a principal alternativa ao grupo petista, à frente de uma coligação de dez legendas que inclui União Brasil, PP, PL, Republicanos, PSDB e Novo.
A cobertura de centro concentrou-se nos números oficiais e no perfil dos candidatos. Entre os 1.206 pedidos, 789 são de homens e 417 de mulheres, que passaram a representar cerca de 35% do total, contra 33% em 2022, mesmo com queda no número absoluto. A faixa etária predominante mudou de 50 a 54 anos para 45 a 49 anos, e 639 candidatos declararam ensino superior completo. Pessoas pardas são maioria, com 611 registros, seguidas por 308 candidatos pretos e 267 brancos. Há 15 candidaturas indígenas, contra cinco em 2022, e 26 de pessoas quilombolas, dado que não existia no levantamento anterior. Veículos de centro também relataram a pesquisa Real Time Big Data divulgada em 11 de agosto, que apontou ACM Neto com 44% e Jerônimo Rodrigues com 42%, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos, com 45% a 44% na simulação de segundo turno.
Veículos de esquerda deslocaram o eixo da análise para o peso da Bahia na eleição presidencial. O estado tem o quarto maior colégio eleitoral do país, com mais de 11 milhões de eleitores, e desde 2002 entrega mais de 65% dos votos válidos ao candidato petista no segundo turno presidencial. Em 2022, Lula venceu em 415 dos 417 municípios baianos. A pesquisa Genial/Quaest feita entre 23 e 27 de julho registrou 62% de aprovação do governo Lula no estado e vantagem de 34 pontos sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno, com 52% a 18%. Essa cobertura também destacou o descolamento entre as duas urnas: em Salvador, Lula fez 70,73% dos votos válidos em 2022 enquanto ACM Neto alcançava 64,51% na disputa estadual.
Nenhum veículo de direita cobriu o levantamento até o momento. O enquadramento característico desse campo aparece apenas de forma indireta nos dados citados pelas demais coberturas: o Partido dos Trabalhadores completa 20 anos consecutivos no governo da Bahia ao fim de 2026, e em 2022 Jerônimo Rodrigues foi derrotado nas dez maiores cidades do estado, enquanto ACM Neto venceu em 88,9% dos municípios com mais de 100 mil habitantes. A vantagem do ex-prefeito nas pesquisas atuais, ainda que dentro da margem de erro, se apoia justamente nesse eleitorado urbano.
Os dois lados convergem em um ponto: a disputa baiana está apertada e altamente concentrada. Na Real Time Big Data, o terceiro colocado marcou 2%, o que reduz a eleição a dois nomes apesar das sete candidaturas registradas ao governo. Também há acordo sobre a interferência da corrida presidencial no plano estadual, ainda que com sinais invertidos, já que ACM Neto declarou voto em Ronaldo Caiado e não no principal nome da oposição nacional.
O que ainda não se sabe é quantos dos 1.206 pedidos serão efetivamente deferidos pela Justiça Eleitoral, já que o registro solicitado não garante aptidão para disputar. Nenhuma das coberturas explicou a queda de 29,8% nos pedidos, nem detalhou como ela se distribui entre os partidos. Também não há comparação possível para os dados de identidade de gênero e orientação sexual, ausentes do painel estatístico de 2022, e não há medição pública do efeito das denúncias do Caso Master sobre a disputa estadual.
Quatro anos depois, governador petista busca a reeleição contra ex-prefeito de Salvador em disputa que começa novamente equilibrada.

Entre os registros deste ano, maioria é de homens, pessoas pardas e candidatos com ensino superior completo. Número de mulheres e faixa etária predominante também mudaram.

A influência da disputa pelo Planalto tende a ser mais evidente no interior, onde será fundamental para Jerônimo Rodrigues repetir o bom desempenho de 2022
