O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, o TRE-BA, recebeu 1.206 pedidos de registro de candidatura para as eleições de 2026, número 29,8% menor do que os 1.719 apresentados em 2022. Os dados constam do Portal de Estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, e ainda passarão pela análise da Justiça Eleitoral, de modo que o volume de pedidos não equivale ao número de candidatos aptos a disputar o pleito.
A redução se concentra nos cargos legislativos. Foram 632 pedidos para deputado estadual, contra 913 em 2022, e 529 para deputado federal, contra 776 há quatro anos. Os cargos majoritários seguiram na direção oposta e tiveram leve alta: sete pedidos para governador, sete para vice-governador, dez para senador, dez para primeiro suplente e onze para segundo suplente.
A cobertura de centro relatou o levantamento pelo perfil de quem se inscreveu. Homens somam 789 candidaturas, cerca de 65% do total, e mulheres, 417, aproximadamente 35%, participação proporcional maior do que os cerca de 33% de 2022, ainda que o número absoluto tenha caído de 569 para 417. Pessoas pardas são maioria, com 611 registros, seguidas por 308 pretos, 267 brancos e cinco amarelos. Há 15 candidaturas de indígenas, contra cinco em 2022, e 26 de pessoas que se declararam quilombolas. A faixa etária predominante passou de 50 a 54 anos para 45 a 49 anos, e 639 candidatos declararam ensino superior completo, mais da metade do total.
Veículos de esquerda trataram a Bahia por outro ângulo, o do peso do estado na eleição presidencial. Com mais de 11 milhões de eleitores, o quarto maior colégio eleitoral do país e o maior do Nordeste, a Bahia responde por 7,13% do eleitorado brasileiro e vem entregando ao Partido dos Trabalhadores mais de 65% dos votos válidos em segundo turno desde 2002, percentual que chegou a 72,12% em 2022, quando Lula venceu em 415 dos 417 municípios baianos. Essa cobertura destacou que a aprovação do governo Lula no estado está em 62%, segundo pesquisa Genial/Quaest realizada entre 23 e 27 de julho de 2026, e que o levantamento foi feito depois das denúncias envolvendo o senador Jaques Wagner no Caso Master, sem sinal de desgaste imediato. Nas intenções de voto para a Presidência entre baianos, Lula aparece com 52% no primeiro turno, contra 18% de Flávio Bolsonaro e 3% de Ronaldo Caiado.
Nenhum veículo de direita havia publicado sobre esses números até o momento. O enquadramento habitual desse campo tenderia a colocar em primeiro plano o dado que a própria análise de esquerda reconhece: o Partido dos Trabalhadores completa 20 anos consecutivos no governo baiano ao fim de 2026 e dá sinais de desgaste nas cidades maiores. Em 2022, Jerônimo Rodrigues venceu com 52,79% dos votos válidos contra 47,21% de ACM Neto, mas foi derrotado nas dez maiores cidades do estado, e em Salvador o adversário fez 64,51%. Na pesquisa mais recente, ACM Neto tem 39% contra 38% de Jerônimo Rodrigues no primeiro turno e 43% contra 39% em um eventual segundo turno.
Os dois recortes convergem no desenho das alianças. O apoio do União Brasil e de ACM Neto à candidatura presidencial de Ronaldo Caiado deixou Flávio Bolsonaro sem palanque competitivo ao governo da Bahia, restrito às candidaturas ao Senado de João Roma e de Angelo Coronel, que rompeu com o PSD e se filiou ao Republicanos para disputar a reeleição. Do outro lado, a costura com o senador Otto Alencar preservou o PSD na base, manteve a chapa de Jerônimo Rodrigues com o vice Geraldo Júnior e garantiu apoio do partido a Lula no estado, ainda que o PSD tenha candidato próprio à Presidência.
O que ainda não se sabe é quantos dos 1.206 pedidos serão deferidos pela Justiça Eleitoral e o que explica a redução de quase 30% nas candidaturas legislativas, ponto que nenhuma das coberturas esclarece. Também não há comparação possível para os dados de identidade de gênero e orientação sexual, ausentes do painel de 2022, nem divulgação de margem de erro e número de entrevistas das pesquisas citadas.