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A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem contra o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, com bloqueio de bens que podem chegar a R$ 670 milhões e quebra de sigilos. As suspeitas, baseadas em relatórios do Banco Central, envolvem manipulação contábil, supervalorização de ativos e receitas artificiais. A operação também expôs autorizações dadas pelo governo de Tarcísio de Freitas e pela Prefeitura de São Paulo para o banco operar crédito consignado a servidores.
A Polícia Federal deflagrou na manhã de 23 de junho de 2026 a Operação Miragem, voltada ao Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Mais de 50 agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal em São Paulo. A Justiça determinou ainda o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 670 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
As suspeitas, baseadas em relatórios do Banco Central, envolvem manipulação de resultados contábeis, supervalorização de ativos, operações supostamente ilegais em benefício do próprio banco e possível inserção de informações falsas nos sistemas do Banco Central. A cobertura de centro relatou que o Digimais teria apresentado uma situação financeira mais saudável do que a real, com geração artificial de receitas.
A história do banco é mais antiga que o escândalo. Fundado em 1981 pela família Renner, operou por décadas como instituição sólida. Edir Macedo passou a ter participação em 2013, em operação que precisou de autorização por decreto da então presidente Dilma Rousseff, já que o bispo, residente nos Estados Unidos, era considerado investidor estrangeiro. Em 2020, ele assumiu o controle integral, rebatizou a instituição como Digimais e a transformou em banco digital, nomeando lideranças ligadas à igreja para o comando. O banco passou de uma posição sólida a um prejuízo de R$ 740 milhões em 2022, com alta inadimplência e aportes recorrentes para evitar quebra técnica.
O ponto de maior repercussão política é a relação do banco com o poder público paulista. Veículos de esquerda destacaram que o governo de Tarcísio de Freitas, do Republicanos, partido ligado à Igreja Universal, autorizou em setembro de 2025 o Digimais a conceder empréstimos consignados a policiais militares de São Paulo, abrindo um mercado de mais de 80 mil agentes, com acordo válido até 2030. Para esses veículos, a autorização ocorreu quando a instituição já acumulava prejuízo e os relatórios internos apontavam deterioração acelerada, repetindo o que chamam de método Master: socializar o risco e privatizar o lucro. A Prefeitura de São Paulo, sob Ricardo Nunes, também autorizou o banco a operar consignado com servidores municipais, por termo de adesão de outubro de 2023.
O caso é comparado de forma recorrente ao do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo apuração citada da revista piauí, o fundo EXP1 adquiriu carteiras de crédito consignado do Digimais, mas uma auditoria internacional descobriu que 22 mil contratos, no valor de R$ 500 milhões, eram falsos e não tinham lastro, parte deles originada justamente pelo Master. O Estadão havia reportado, um mês antes da operação, que carteiras repassadas pelo banco a outras instituições tinham cerca de 60% de inadimplência.
É aqui que as coberturas divergem de ênfase. A leitura de esquerda enfatiza a captura do aparelho estatal pela igreja, a responsabilidade política de Tarcísio e de Nunes por entregar a margem financeira de servidores a um banco insustentável, e cobra explicações dos gestores. Uma leitura à direita tenderia a concentrar a responsabilidade na gestão do banco e em Edir Macedo, a valorizar a atuação dos órgãos de controle, como o Banco Central e a Justiça Federal, e a observar que o credenciamento de consignado segue critérios formais abertos a qualquer instituição habilitada, exigindo prova de quebra desses critérios antes de imputar intenção política ao governo estadual.
O que ainda não se sabe: as defesas de Edir Macedo, do Digimais, do governo Tarcísio e da Prefeitura de São Paulo não foram apresentadas no material disponível, não há decisão judicial de mérito sobre as fraudes e ainda não está esclarecido se o credenciamento do consignado descumpriu critérios técnicos objetivos de habilitação ou seguiu o rito administrativo padrão.
Os dois lados reconhecem que a PF deflagrou a Operação Miragem contra o Banco Digimais, de Edir Macedo, e que o governo de Tarcísio de Freitas autorizou o banco a operar consignado com servidores estaduais. Também convergem no paralelo com o caso do Banco Master.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Coluna de opinião com framing claramente crítico ao poder público de direita: enfatiza 'socialização do risco e privatização do lucro', 'conveniências políticas' e a presença da Igreja Universal no aparelho estatal paulista. Vocabulário valorativo e responsabilização direta de Tarcísio e Nunes caracterizam viés de esquerda, ainda que ancorado em fatos reais (autorizações de consignado, paralelo com o caso Master).
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
Texto majoritariamente factual e datado (mandados, valores bloqueados, histórico do banco, cronologia dos credenciamentos), com múltiplas fontes nomeadas (Banco Central, revista piauí, Estadão, cientista político). Tom é apurativo, mas há editorialização leve ('Método Master em ação, confere?') e linguagem coloquial; o eixo é a exposição do nexo entre o banco e o poder público, sem vocabulário ideológico marcado.
Veículos com viés à direita
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Banco Digimais, alvo da PF, foi autorizado por Tarcísio e prefeitura de SP a operar crédito consignado para servidores e policiais
A Operação Miragem da Polícia Federal mirou hoje o Banco Digimais e o bispo Edir Macedo. O esquema investigado replica a tecnologia de fraude do Master — mas com uma diferença crucial: por trás do banco há um partido político, uma emissora de televisão, capelães dentro da PM paulista e um projeto de poder construído por décadas, que esteve perto de eleger um presidente da República.
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Perspectivas omitidas



