Benedito Gonçalves assume corregedoria do CNJ sob 75 milhões de processos
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A leitura de esquerda vê na posse de Benedito Gonçalves um reforço institucional para o Judiciário no momento em que ele segue sob pressão de setores que contestaram o resultado eleitoral. O novo corregedor foi corregedor-geral da Justiça Eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral e conduziu, com seu voto em 2023, o julgamento que tornou Jair Bolsonaro inelegível, além de acumular histórico de defesa da participação da população negra no processo eleitoral. Nessa chave, a corregedoria é lida menos como instância de produtividade e mais como fiadora do acesso à Justiça de quem não tem advogado caro, e a frase do discurso que importa é a que promete uma justiça acessível e comprometida com a sociedade.
O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, tomou posse em 25 de agosto de 2026 como corregedor nacional de Justiça, cargo do Conselho Nacional de Justiça responsável por orientar, fiscalizar e supervisionar as atividades administrativas e disciplinares do Poder Judiciário.
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As duas linhas de cobertura registram os mesmos fatos centrais: Benedito Gonçalves assumiu a Corregedoria Nacional de Justiça em 25 de agosto de 2026, para o biênio 2026-2028, no lugar de Mauro Campbell Marques, e usou o discurso de posse para defender eficiência de gestão, uso de tecnologia e compromisso com o acesso à Justiça.
Benedito Gonçalves assumiu a Corregedoria Nacional de Justiça, no Conselho Nacional de Justiça, para o biênio 2026-2028, no lugar de Mauro Campbell Marques. A cobertura de centro concentrou-se nos números do Judiciário citados no discurso de posse, enquanto veículos de esquerda lembraram sua trajetória no Tribunal Superior Eleitoral.
O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, tomou posse na tarde de terça-feira, 25 de agosto de 2026, como corregedor nacional de Justiça, cargo do Conselho Nacional de Justiça. Ele comanda o órgão no biênio 2026-2028 e substitui o ministro Mauro Campbell Marques, que deixou a corregedoria ao se tornar vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça. A Corregedoria Nacional de Justiça é a instância encarregada de orientar, fiscalizar e supervisionar as atividades administrativas e disciplinares do Poder Judiciário, o que inclui a apuração de condutas de magistrados e a inspeção de tribunais em todo o país.
No discurso de posse, o novo corregedor definiu a função como uma das mais elevadas responsabilidades do sistema de Justiça brasileiro, que exige equilíbrio, prudência e dedicação integral ao serviço público. Ele apoiou a fala em dados do relatório Justiça em Números deste ano: o Judiciário encerrou 2025 com mais de 75 milhões de processos, enquanto o país conta com 8,9 juízes para cada 100 mil habitantes, menos da metade da média de 18 magistrados registrada em países europeus. Para o ministro, esses números não revelam apenas a dimensão do sistema, mas a intensidade do trabalho de juízes, servidores e tribunais, e reforçam a necessidade de aperfeiçoar a gestão e prevenir distorções. Disse ainda que investimentos em tecnologia e racionalização de fluxos produzem resultados concretos, mas que a inovação deve estar sempre subordinada à transparência, às garantias processuais e aos direitos fundamentais. A Justiça do futuro, afirmou, não será apenas mais digital, terá de ser mais acessível, clara, simples, confiável e humana.
A cerimônia, em Brasília, reuniu autoridades dos principais tribunais. Estiveram presentes o presidente do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Luis Felipe Salomão, e o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho. Também compareceram o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
As duas linhas de cobertura convergem no essencial: a data da posse, a duração do mandato, a sucessão de Mauro Campbell Marques e o teor institucional do discurso. A divergência está no contexto escolhido para explicar quem assume. Veículos de esquerda destacaram a trajetória eleitoral do ministro, lembrando que ele já foi corregedor-geral da Justiça Eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral e que, em 2023, foi seu voto que conduziu o plenário daquele tribunal no julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro à inelegibilidade, além de registrar seu histórico de atuação em defesa da participação da população negra no processo eleitoral; nessa cobertura, o trecho do discurso posto em relevo é o que atribui à corregedoria a tarefa de contribuir para uma justiça acessível e verdadeiramente comprometida com a sociedade. A cobertura de centro relatou o ato pelo ângulo da gestão, priorizando os números do Judiciário, a comparação com a média europeia de magistrados por habitante, as promessas de tecnologia e racionalização de fluxos e a lista nominal das autoridades presentes, sem mencionar a passagem do ministro pelo julgamento eleitoral de 2023. Veículos de direita não haviam publicado sobre a posse no conjunto de matérias analisado, de modo que não há, até aqui, a leitura crítica que esse campo costuma fazer sobre custo, produtividade e responsabilização disciplinar no Judiciário.
O que ainda não se sabe é o mais relevante para os próximos dois anos. Não foram divulgadas as prioridades concretas da nova gestão da corregedoria, nem metas, cronograma de inspeções em tribunais ou critérios para a abertura de procedimentos disciplinares. Também não está claro quais políticas do antecessor terão continuidade, que investimentos em tecnologia serão efetivamente contratados e como o órgão pretende atacar o estoque de mais de 75 milhões de processos citado no próprio discurso de posse.
Ele ocupará a função no biênio de 2026 a 2028, sucedendo o ministro Mauro Campbell Marques

Ministro do STJ assume a Corregedoria Nacional de Justiça para mandato no biênio 2026-2028
