O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, tomou posse na tarde de terça-feira, 25 de agosto de 2026, como corregedor nacional de Justiça, cargo do Conselho Nacional de Justiça. Ele comanda o órgão no biênio 2026-2028 e substitui o ministro Mauro Campbell Marques, que deixou a corregedoria ao se tornar vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça. A Corregedoria Nacional de Justiça é a instância encarregada de orientar, fiscalizar e supervisionar as atividades administrativas e disciplinares do Poder Judiciário, o que inclui a apuração de condutas de magistrados e a inspeção de tribunais em todo o país.
No discurso de posse, o novo corregedor definiu a função como uma das mais elevadas responsabilidades do sistema de Justiça brasileiro, que exige equilíbrio, prudência e dedicação integral ao serviço público. Ele apoiou a fala em dados do relatório Justiça em Números deste ano: o Judiciário encerrou 2025 com mais de 75 milhões de processos, enquanto o país conta com 8,9 juízes para cada 100 mil habitantes, menos da metade da média de 18 magistrados registrada em países europeus. Para o ministro, esses números não revelam apenas a dimensão do sistema, mas a intensidade do trabalho de juízes, servidores e tribunais, e reforçam a necessidade de aperfeiçoar a gestão e prevenir distorções. Disse ainda que investimentos em tecnologia e racionalização de fluxos produzem resultados concretos, mas que a inovação deve estar sempre subordinada à transparência, às garantias processuais e aos direitos fundamentais. A Justiça do futuro, afirmou, não será apenas mais digital, terá de ser mais acessível, clara, simples, confiável e humana.
A cerimônia, em Brasília, reuniu autoridades dos principais tribunais. Estiveram presentes o presidente do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Luis Felipe Salomão, e o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho. Também compareceram o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
As duas linhas de cobertura convergem no essencial: a data da posse, a duração do mandato, a sucessão de Mauro Campbell Marques e o teor institucional do discurso. A divergência está no contexto escolhido para explicar quem assume. Veículos de esquerda destacaram a trajetória eleitoral do ministro, lembrando que ele já foi corregedor-geral da Justiça Eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral e que, em 2023, foi seu voto que conduziu o plenário daquele tribunal no julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro à inelegibilidade, além de registrar seu histórico de atuação em defesa da participação da população negra no processo eleitoral; nessa cobertura, o trecho do discurso posto em relevo é o que atribui à corregedoria a tarefa de contribuir para uma justiça acessível e verdadeiramente comprometida com a sociedade. A cobertura de centro relatou o ato pelo ângulo da gestão, priorizando os números do Judiciário, a comparação com a média europeia de magistrados por habitante, as promessas de tecnologia e racionalização de fluxos e a lista nominal das autoridades presentes, sem mencionar a passagem do ministro pelo julgamento eleitoral de 2023. Veículos de direita não haviam publicado sobre a posse no conjunto de matérias analisado, de modo que não há, até aqui, a leitura crítica que esse campo costuma fazer sobre custo, produtividade e responsabilização disciplinar no Judiciário.
O que ainda não se sabe é o mais relevante para os próximos dois anos. Não foram divulgadas as prioridades concretas da nova gestão da corregedoria, nem metas, cronograma de inspeções em tribunais ou critérios para a abertura de procedimentos disciplinares. Também não está claro quais políticas do antecessor terão continuidade, que investimentos em tecnologia serão efetivamente contratados e como o órgão pretende atacar o estoque de mais de 75 milhões de processos citado no próprio discurso de posse.