Lula proíbe bets e clubes perdem R$ 1,03 bilhão, 7,2% da receita da Série A
4 veículos de esquerda · 5 veículos de centro · 1 veículo de direita

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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva publicou em 25 de setembro de 2026 uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. Em 2025, as casas de apostas pagaram R$ 1,03 bilhão em patrocínio aos 20 clubes da Série A, valor que corresponde a um terço das receitas comerciais do grupo e a 7,2% da receita total de R$ 14,3 bilhões, segundo levantamento da consultoria Convocados. Dezesseis dos 20 clubes assinaram ou endossaram um manifesto intitulado o fim do futebol brasileiro, e o governo marcou reunião com dirigentes e a Confederação Brasileira de Futebol para 29 de setembro, conduzida pelos ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Esporte. A medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para se tornar lei.
Para veículos de esquerda, os números desmontam o alarme dos clubes. Se o patrocínio das bets representa 7,2% da receita da Série A, o slogan do fim do futebol brasileiro serve para blindar um setor apontado como nocivo às famílias, e não para descrever um risco real de colapso.
Veículos de direita tratam a proibição como intervenção abrupta do Executivo sobre empresas legalmente autorizadas, decidida sem ouvir as partes afetadas. A crítica central é de método: a medida provisória chegou de surpresa a clubes e operadoras em plena temporada e em reta final de campanha eleitoral, desfazendo contratos privados de longo prazo e obrigando times a buscar substitutos em poucos dias.
10 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés ao centro
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
A medida provisória publicada em 25 de setembro proíbe a exploração e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil e joga o futebol no centro do debate. Em 2025, os clubes da Série A receberam R$ 1,03 bilhão das casas de apostas, o equivalente a 7,2% de sua receita total de R$ 14,3 bilhões. O governo marcou reunião com dirigentes e com a Confederação Brasileira de Futebol.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva publicou em 25 de setembro de 2026 uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil, as chamadas bets. A decisão atinge em cheio o futebol profissional, que nos últimos anos transformou o patrocínio das casas de apostas em uma de suas principais fontes de dinheiro, e obrigou o Executivo a marcar para 29 de setembro uma reunião com dirigentes de clubes e com a Confederação Brasileira de Futebol, conduzida pelos ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Esporte.
O tamanho do impacto é conhecido e, nesse ponto, a cobertura converge. Em 2025, as casas de apostas pagaram R$ 1,03 bilhão em patrocínio aos 20 clubes da Série A, segundo levantamento da consultoria Convocados, um crescimento de cerca de 66% sobre os R$ 618 milhões do ano anterior. Esse dinheiro responde por um em cada três reais das receitas comerciais da elite, que chegaram a R$ 3,069 bilhões, mas equivale a 7,2% da receita total de R$ 14,3 bilhões dos clubes, atrás da venda de atletas, com R$ 3,915 bilhões, e dos direitos de transmissão, com R$ 3,142 bilhões. A dependência varia muito: o Flamengo tirava 13,6% de sua receita do contrato com a Betano, o Vasco 12,3% e o Sport cerca de 12%, enquanto o Botafogo ficava em 4%. Hoje, 14 dos 20 clubes da primeira divisão têm patrocínio máster ligado ao setor, em acordos que somam R$ 910 milhões. Em 17 de setembro, dezesseis dos vinte clubes assinaram ou endossaram um manifesto intitulado o fim do futebol brasileiro.
É na leitura desses números que a cobertura se divide. Veículos de esquerda destacaram que os 7,2% desmentem o alarme dos clubes e que ligas como a inglesa, a espanhola, a italiana, a neerlandesa e a belga restringiram patrocínio ou publicidade de apostas sem deixar de existir, tratando a proibição como política de proteção às famílias endividadas; nessa chave, a fala do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que os recursos das bets representam em média parcela de um dígito dos orçamentos, serve para dimensionar o prejuízo para baixo. Veículos de direita enfatizaram o método: a medida chegou de surpresa a times e operadoras, em plena temporada e na reta final da campanha eleitoral, desfazendo contratos privados de longo prazo de empresas legalmente autorizadas pela União, e ainda atinge a Confederação Brasileira de Futebol, que vendeu os naming rights do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil à Betano e da Supercopa à Superbet. A cobertura de centro relatou as duas contas e os dois lados, reproduzindo a estimativa da Associação Nacional de Jogos e Loterias de até R$ 9 bilhões em cortes de investimento até 2029, a avaliação do economista César Grafietti de que o futebol não acabará sem as bets, mas sofrerá numa situação de ruptura, a pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg em que 75% dos entrevistados defendem a proibição e 36% atribuem a Lula a disseminação das apostas, e a crítica do presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, para quem o segmento é nocivo à sociedade e às famílias.
Os prazos operacionais já estão definidos. Apostadores têm até 28 de setembro para retirar voluntariamente o dinheiro das plataformas; caso não consigam, os bancos que operam para as casas de apostas farão a devolução até 5 de outubro. A publicidade e as marcas de patrocínio precisam ser retiradas até a mesma data, e sites e aplicativos saem do ar a partir de 6 de outubro. O governo também anunciou bloqueio de transferências bancárias para apostas e derrubada de sites ilegais, e pretende enviar ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência para punir quem promover apostas online.
O que ainda não se sabe é decisivo. A medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para virar lei, e não há definição sobre como os parlamentares tratarão o texto. Também seguem em aberto o formato, os valores e os critérios das linhas de crédito com participação do BNDES e do parcelamento da dívida tributária dos clubes, estimada em R$ 10 bilhões. Não se conhece quanto a Confederação Brasileira de Futebol arrecada com os naming rights de suas competições, quantos contratos de patrocínio serão efetivamente rescindidos e qual será o desfecho das ações judiciais anunciadas pelo setor de apostas contra a proibição.
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Bets somaram R$ 1,03 bilhão aos clubes da Série A em 2025, mas representaram 7,2% das receitas totais das equipes

Nesta matéria: perspectiva omitida.