Uma bomba caseira explodiu na noite de sábado, 1º de agosto, na Praça Kudrinskaya, no centro de Moscou, e matou três pessoas: a mulher apontada como portadora do artefato, um segurança e um cliente do estabelecimento atingido. Pelo menos 21 pessoas ficaram feridas, com lesões de gravidade variada. O Comitê Nacional Antiterrorismo da Rússia classificou o episódio como atentado a bomba, e não como acidente. Até o momento, nenhuma autoridade russa apontou responsáveis nem descreveu a motivação do ataque.
A reconstituição divulgada pelas autoridades aparece igual em todas as coberturas. A mulher tentou entrar no local carregando um explosivo improvisado, foi barrada por um segurança e o dispositivo detonou em seguida. A explosão ocorreu por volta das 20h no horário local, 14h em Brasília, perto de um terraço no térreo de um dos sete arranha-céus construídos na era Stalin. O balanço inicial da polícia falava em três mortos e 15 feridos, número que depois subiu para 21. A área foi isolada, o trânsito ao redor ficou bloqueado e os acessos à estação de metrô Barrikadnaya, a mais próxima, foram fechados. Vídeos divulgados em canais russos mostram caminhões de bombeiros e ambulâncias mobilizados diante do café. O restaurante estava fechado ao público naquele sábado para um evento privado.
Veículos de esquerda destacaram o lado humano e civil do episódio. Deram espaço ao relato de uma testemunha segundo o qual havia no local uma festa com cerca de 50 pessoas e vítimas deixaram o estabelecimento cobertas de sangue. Reproduziram também a informação, publicada por um jornal russo independente e expressamente apresentada como sem confirmação, de que um general comemorava aniversário no restaurante e de que havia veículos militares e um ônibus da Guarda Nacional nas proximidades.
A cobertura de centro concentrou-se na apuração oficial e no contexto de segurança. Registrou que a agência estatal russa divulgou imagens de agentes fortemente armados na área isolada e que nem os nomes das vítimas nem eventuais suspeitos foram informados. Lembrou que, mais de quatro anos após o início da guerra em grande escala com a Ucrânia, o serviço de segurança russo afirmou neste ano que reforçaria a proteção de oficiais militares de alta patente, depois de uma série de assassinatos e tentativas de homicídio que atribuiu a Kiev. Essa cobertura também registrou a hipótese levantada por um jornal russo, com base em fontes próprias, de que a bomba visava atingir os clientes do terraço de verão e poderia ter sido acionada à distância por outra pessoa, o que abriria a possibilidade de a mulher não saber que carregava um explosivo. Veículos de direita não registraram cobertura do episódio até o momento, de modo que não há, neste momento, enquadramento desse lado a reportar.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há autoria declarada, não há motivação estabelecida e não há confirmação sobre quem eram os convidados do evento privado. Também segue em aberto se a mulher agiu deliberadamente ou foi usada sem saber o que transportava, se o artefato foi detonado remotamente e qual era o alvo pretendido. As autoridades não divulgaram a identidade dos mortos nem o estado de saúde dos 21 feridos, e o relato sobre presença militar nas imediações continua sem confirmação independente.