Walfrido Warde planejou defender Alexandre de Moraes da Lei Magnitsky
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Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram que o advogado Walfrido Warde, que atuou na defesa dele até janeiro deste ano, ofereceu ao cliente uma estratégia para livrar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes das sanções da Lei Magnitsky. Em 1º de agosto de 2025, dois dias depois de o ministro entrar na lista de sancionados pelo governo dos Estados Unidos, Warde escreveu que tinha uma estratégia para ajudar o amigo do banqueiro e propôs acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos contra Donald Trump. Os mesmos diálogos mostram o advogado relatando articulações para aproximar Vorcaro do Palácio do Planalto entre 2024 e 2025. A Presidência afirma que houve um único encontro e nega recado ou presente.
Veículos deste lado: O Globo
Na leitura à direita, as mensagens confirmam a promiscuidade entre a cúpula do Judiciário, o governo e um banqueiro hoje preso. Um advogado propõe blindar Alexandre de Moraes das sanções dos Estados Unidos chamando-o de amigo de Daniel Vorcaro, o próprio banqueiro responde que vai falar com o ministro, e o mesmo advogado aparece pedindo audiência com Luiz Inácio Lula da Silva, relatando recado do ministro da Justiça e mencionando whisky agradecido pelo presidente.
Veículos deste lado: InfoMoney
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Toda a cobertura parte do mesmo material: diálogos extraídos pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro. Há convergência de que o advogado Walfrido Warde propôs ao banqueiro uma estratégia para defender Alexandre de Moraes das sanções da Lei Magnitsky na Corte Interamericana de Direitos Humanos, e de que o mesmo advogado buscava abrir canal com o Palácio do Planalto em nome do Banco Master.
A Polícia Federal extraiu do celular do banqueiro Daniel Vorcaro diálogos em que o advogado Walfrido Warde oferece uma estratégia para tirar o ministro Alexandre de Moraes da lista da Lei Magnitsky e, em outra frente, relata articulações para levar o dono do Banco Master ao Palácio do Planalto.
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram que o advogado Walfrido Warde, que o defendeu até janeiro deste ano, ofereceu ao cliente uma estratégia para livrar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes das sanções da Lei Magnitsky. Em 1º de agosto de 2025, dois dias depois de o ministro entrar na lista de alvos do governo dos Estados Unidos, o advogado escreveu que tinha relações e uma estratégia para atuar na corte de direitos humanos em favor do amigo do banqueiro. Vorcaro respondeu que iria falar com o ministro.
O plano era acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos sustentando que o presidente norte-americano Donald Trump usava os poderes do cargo para atacar um magistrado brasileiro e viabilizar a eleição de Jair Bolsonaro em 2026. A linha de defesa seria a de que o ministro era vítima do manejo da Lei Magnitsky contra seus direitos fundamentais, e em um arquivo de áudio o advogado sugeriu reunir dez juristas para atestar isso. Moraes ficou seis meses sob a sanção e saiu do rol de sancionados em dezembro de 2025.
A cobertura de centro concentrou-se na relação entre o banqueiro e o ministro. O contato de Moraes foi adicionado ao celular de Vorcaro em 26 de dezembro de 2023. Em 11 de janeiro de 2024, a advogada Viviane Barci de Moraes encaminhou ao banqueiro a minuta de um contrato de R$ 3,6 milhões mensais por três anos, documento que, conforme relatório da Polícia Federal pedido pelo ministro André Mendonça, foi editado pelo próprio Moraes. O ministro afirmou em nota que jamais viajou em avião de Vorcaro, mas registros apontam voos no jato do banqueiro, um deles gravado em vídeo em 22 de agosto de 2025. Em 17 de setembro de 2025, dois meses antes da prisão do banqueiro, o celular do ministro passou a apagar em 24 horas as mensagens trocadas com ele. O plenário do Supremo ainda decide sobre a validade do relatório que identificou 52 mensagens entre os dois, discussão paralisada por pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Veículos de direita deram destaque a outra frente do mesmo material: a articulação do advogado para aproximar o banqueiro do Palácio do Planalto. A partir de abril de 2024, Warde acionou o então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, para colocar Vorcaro em contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e relatou ao cliente encontros e recados, inclusive um atribuído ao então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que foi conselheiro do Master antes de assumir o cargo. O encontro entre o banqueiro e o presidente, em 4 de dezembro de 2024, não consta na agenda oficial. Em 22 de janeiro de 2025, o advogado escreveu que o presidente havia agradecido mais uma vez o whisky.
As negativas vieram de todos os lados citados. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que houve um único encontro, que o presidente não tem conhecimento da suposta articulação, que não enviou recado e que não recebeu presente, e que na ocasião respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. O ex-chefe de gabinete disse que apenas pediu a formalização do pedido de agenda. O ex-ministro da Justiça nega ter tratado do assunto. O advogado não quis comentar, e o Supremo Tribunal Federal também não se manifestou.
Nenhum veículo de esquerda do corpus publicou cobertura própria do episódio, o que configura um ponto cego. O argumento que esse campo costuma sustentar fica sem porta-voz aqui: a sanção aplicada pelo governo norte-americano ao ministro foi uma ofensiva estrangeira contra o Judiciário brasileiro, e o problema de fundo é um banco em dificuldade comprando acesso simultâneo a Judiciário e Executivo.
O que ainda não se sabe é se a estratégia na Corte Interamericana chegou a ser formalizada, se Alexandre de Moraes tomou conhecimento da oferta feita ao banqueiro, e quando o plenário do Supremo decidirá sobre a validade do relatório da Polícia Federal que embasa a eventual investigação sobre a relação entre ministros e o dono do Banco Master.
Em nota, Planalto diz que “o presidente não tem conhecimento da suposta articulação”

Após Magnitsky, advogado de Vorcaro propôs
