Gilmar Mendes pede apuração sobre ministros citados no acervo do caso Master
2 veículos de esquerda · 2 veículos de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
4 fontes políticas
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Veículos de esquerda leram o episódio como prova de que a concentração das provas do caso Master nas mãos de um único relator travou o escrutínio sobre a magistratura. O ponto central do voto de Gilmar Mendes é o contraste: meses de acervo sob a guarda de André Mendonça produziram relatórios dirigidos a um ministro, enquanto menos de um dia de acesso coletivo bastou para revelar menções a Kassio Nunes Marques e ao filho dele. A conclusão defendida é institucional, não pessoal: sem mapear todos os magistrados citados e o dinheiro que os alcançou, o Supremo Tribunal Federal não tem como saber quem está impedido de julgar, e apuração seletiva contamina o processo inteiro.
Veículos de direita trataram o caso pela chave do devido processo e do risco de condenação pública sem prova. Nessa leitura, o material citado é conversa entre terceiros, e o próprio Gilmar Mendes admite que conversa não é condenação: nada no acervo demonstra irregularidade de Kassio Nunes Marques, que negou ter votado em favor do Banco Master e explicou a retirada do impedimento por razão técnica.
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Veículos com viés à esquerda
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Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
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Nesta matéria: falácia identificada.
As duas coberturas reconhecem que o acervo extraído do celular de Daniel Vorcaro é a peça central do caso Master, que ele ficou meses concentrado sob a relatoria de André Mendonça e que o material hoje disponível registra conversas entre terceiros, sem comprovação de crime por parte dos magistrados citados.
O Supremo Tribunal Federal discute quem deve conduzir a frente do caso Master que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em voto, o ministro Gilmar Mendes afirma que os dados extraídos do celular apreendido ficaram meses sob a guarda do relator André Mendonça e propõe levantar todos os magistrados citados nas investigações, em todos os tribunais do país.
O ministro Gilmar Mendes afirmou, em voto divulgado em 28 de setembro de 2026, que integrantes do Supremo Tribunal Federal identificaram, em menos de 24 horas de acesso aos dados brutos extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, elementos envolvendo outros ministros da Corte que, segundo ele, haviam passado despercebidos durante os meses em que o acervo do caso Master permaneceu sob a guarda do relator André Mendonça. O voto foi apresentado na questão de ordem da Petição 16.662, processo em que o Plenário discute quem deve conduzir essa frente das investigações sobre o Banco Master, como ela deve tramitar e quais ministros podem participar do julgamento. A controvérsia começou depois que o presidente do tribunal, Edson Fachin, assumiu o procedimento e o levou ao colegiado.
Segundo o voto, os demais integrantes da Corte só receberam acesso ao material integral na tarde de 14 de setembro, véspera do julgamento da questão de ordem, e depois de sucessivos ofícios. Foi nesse intervalo que apareceram mensagens envolvendo o ministro Kassio Nunes Marques e o filho dele, o advogado Kevin Marques. Uma das conversas, de 1º de outubro de 2024, atribuída ao então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, antecipa o placar de um julgamento realizado naquele dia e é seguida pelo envio do contato de Kevin Marques. O próprio Gilmar Mendes ressalva que conversas entre terceiros não comprovam a veracidade do que dizem e que o material não permite concluir pela existência de irregularidade ou de impedimento.
A partir desse quadro, o ministro incorporou ao voto uma proposta apresentada inicialmente por Flávio Dino: identificar magistrados de todos os tribunais brasileiros mencionados nas investigações e, entre eles, aqueles com indícios sólidos de recebimento indevido de valores do Banco Master, de empresas ligadas ao banco ou de seus sócios, diretamente ou por meio de parentes. O levantamento alcançaria o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho e os demais tribunais, com posterior manifestação da Procuradoria-Geral da República e dos citados.
Veículos de esquerda destacaram justamente o contraste temporal como evidência de falha institucional: meses de acervo sob a guarda de um único relator contra menos de um dia de acesso coletivo para encontrar menções a outros ministros. Nessa cobertura ganharam relevo os valores citados no voto, entre eles as 11 transferências que somaram R$ 281,6 mil ao advogado Kevin Marques e os R$ 6,63 milhões que teriam saído do Banco Master para a empresa de consultoria intermediária, além da frase com que o ministro resumiu a tese, a de que apuração parcial é apuração viciada.
Veículos de direita enfatizaram o outro lado da mesma prova. Para essa cobertura, o material é conversa entre terceiros e não sustenta acusação: Kassio Nunes Marques afirmou nunca ter votado em favor do banqueiro ou do banco, nunca ter trocado mensagens com ele e jamais ter autorizado alguém a falar em seu nome, e explicou que o registro de impedimento em um processo foi corrigido por razão técnica. Kevin Marques disse que os pagamentos remuneraram trabalho na área tributária, e a empresa de consultoria declarou que os valores correspondiam a serviços técnicos e jurídicos. Essa cobertura também deslocou o foco do atraso para a Polícia Federal: mais de três meses depois de André Mendonça autorizar o acesso aos dados armazenados no iCloud de Luiz Phillipi Mourão, o 'Sicário', apontado como operador ligado a Vorcaro e morto sob custódia policial em março, o ministro ainda não havia recebido o material. No mesmo enquadramento aparece o recuo de Joana Mourão, irmã do investigado, que em setembro afirmou à Polícia Federal ter escrito em momento de fragilidade emocional e que os arquivos acessados tratavam de contratos imobiliários.
A cobertura de centro praticamente não se formou em torno do episódio até agora: o relato factual do voto circulou por veículos já posicionados, sem uma narração neutra que apenas descrevesse a disputa entre os ministros sem escolher um ângulo.
O que ainda não se sabe é considerável. Não há decisão do Plenário sobre quem conduzirá a Petição 16.662 nem sobre a reunião dela com a Petição 16.704. Não se sabe se o levantamento de magistrados proposto será aprovado, nem quais nomes ele alcançaria. O conteúdo do iCloud continua sem ser entregue, de modo que não é possível dizer se confirma ou desmente as versões em disputa.
Ministro retomou críticas feitas há duas semanas em julgamento da abertura de investigação de Moraes. Leia na Gazeta do Povo.

O ministro do STF citou diretamente o caso dos diálogos sobre os pagamentos de “R$ 500 mil por mês” ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques

Mais de três meses depois de autorizar a Polícia Federal a acessar os dados armazenados no iCloud de Luiz Phillipi

Ministro Gilmar Mendes afirma que elementos passaram despercebidos pelo relator e cita informações sobre Nunes Marques
