O candidato do Partido Social Democrático (PSD) à Presidência da República, Ronaldo Caiado, defendeu a criação de uma força policial conjunta entre o Brasil e dez países da América do Sul para combater o tráfico de drogas, o contrabando de armas e a lavagem de dinheiro. A proposta foi apresentada em 25 de agosto de 2026, durante sabatina transmitida em rede nacional, na qual o ex-governador de Goiás afirmou que o país virou o “resort do narcotráfico” e a “Disneylândia do narcotráfico”.
Segundo Caiado, agentes dos países participantes poderiam atravessar fronteiras durante operações, inclusive entrar em território brasileiro, sem que isso comprometesse a soberania nacional. Ele comparou o desenho à Europol, agência de cooperação policial da União Europeia, e disse que a força teria orçamento e estrutura permanentes, central de inteligência subordinada ao Ministério da Segurança Pública e financiamento parcial por bens confiscados do crime organizado, em parceria com o Judiciário. O candidato descartou autorizar a entrada de militares dos Estados Unidos no país e afirmou que buscaria apenas cooperação tecnológica. Como justificativa, disse que a Amazônia abriga o maior entreposto de narcotráfico do continente, com presença do Primeiro Comando da Capital, do Comando Vermelho e de cartéis do México e da Colômbia.
Na mesma entrevista, Caiado afirmou que o primeiro ato de um eventual governo será enviar ao Congresso Nacional um projeto de anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses. Na economia, prometeu uma emenda constitucional que limite as despesas federais à correção pela inflação, com teto de 50% do Produto Interno Bruto, e projetou juros de 6% e inflação de 3%. Chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de agiota por causa do programa de renegociação de dívidas e do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, e pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura dos sigilos dos casos do INSS, do Banco Master e da operação Carbono Oculto.
Toda a cobertura converge nos mesmos pontos: a polícia transnacional com livre trânsito, a promessa de anistia, o teto de 50% do Produto Interno Bruto e a recusa do candidato em nomear quais despesas seriam cortadas.
Veículos de direita enfatizaram o diagnóstico de segurança pública e reproduziram com destaque os ataques ao governo federal, incluindo a afirmação de que haveria ligação umbilical entre o narcotráfico e o partido do presidente, sem contraditório. A cobertura de centro deu mais espaço ao contexto institucional: registrou que a anistia alcançaria um ex-presidente já condenado, lembrou o precedente da soltura de Lula em 2019 por decisão do Supremo Tribunal Federal e apontou que a Europol, tomada como modelo, não faz prisões em campo. Parte da cobertura à direita também adotou tom de checagem, ao anotar que o candidato não apresentou fonte para o dado de 60 milhões de brasileiros escravizados pelo narcotráfico e que evitou responder três vezes se mudaria a idade mínima de aposentadoria. Até o momento não há cobertura de veículos de esquerda sobre a sabatina; a leitura provável desse campo, a partir dos mesmos fatos, cobraria a base jurídica para a atuação de polícias estrangeiras em solo brasileiro e o efeito da anistia sobre decisões já tomadas contra quem atacou as instituições.
Não se sabe qual instrumento jurídico autorizaria polícias de outros países a operar no Brasil, nem se o arranjo exigiria tratado aprovado pelo Congresso Nacional. Também não há detalhamento de quais despesas seriam cortadas para chegar ao teto de 50% do Produto Interno Bruto, qual seria a regra previdenciária proposta e quanto custaria a força policial. O número de eleitores que deixaram de votar no último pleito, citado pelo candidato para sustentar a anistia, aparece de formas divergentes na cobertura, 38 milhões em um relato e 82 milhões em outro, sem checagem.