O Ministério da Saúde anunciou em 17 de agosto de 2026 que as mortes por malária no Brasil caíram 30% em 2025: foram 39 óbitos, ante 56 em 2024. O número de casos contraídos em território nacional chegou a 118.037, recuo de 15% na comparação com o ano anterior e o menor patamar em 47 anos, segundo o ministro Alexandre Padilha, que falou durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em Brasília.
Em outro balanço de origem federal divulgado no mesmo período, dados da Embratur, do Ministério do Turismo e da Polícia Federal mostram que o Brasil recebeu 5,87 milhões de turistas internacionais entre janeiro e julho de 2026, 1,3% menos que os 5,95 milhões do mesmo intervalo de 2025. O resultado nacional negativo convive com avanços regionais: o Rio de Janeiro subiu 14,4%, para 1,51 milhão de chegadas; São Paulo seguiu como principal porta de entrada, com 1,65 milhão e alta de 4,4%; Pernambuco cresceu 77,3% e o Ceará, 23,8%. O Rio Grande do Sul teve a maior queda entre os principais pontos de entrada, de 26,5%, caindo de 1,25 milhão para 923 mil visitantes, e outros oito estados e o Distrito Federal também recuaram.
Os dois conjuntos de números têm um ponto em comum: são estatísticas oficiais do Executivo federal, e nenhuma das coberturas contesta a metodologia usada para produzi-las. No caso da malária, o governo atribui o resultado à ampliação do diagnóstico e à oferta da tafenoquina pelo Sistema Único de Saúde, medicamento de dose única incorporado em 2023 para pacientes a partir de 16 anos e 35 quilos e disponível desde março de 2026 em formulação para crianças a partir de 2 anos e 10 quilos. Mais de 33,7 mil pessoas foram tratadas com o fármaco até junho de 2026, entre elas 1.515 no Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami. Padilha afirmou que houve redução de mais de 50% nos casos e de mais de 70% nos óbitos naquele território e usou a palavra genocídio para descrever a situação anterior do povo Yanomami.
A cobertura de centro concentrou-se no balanço sanitário, reproduzindo os dados e as declarações do ministro sobre a malária, sobre a inclusão da tafenoquina no sistema público e sobre o reforço da vacinação contra o sarampo em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo, depois de 38 casos importados identificados em quatro estados. Veículos de direita deram destaque ao indicador econômico, abrindo pela queda nacional no número de turistas estrangeiros antes de listar os estados que cresceram, recorte que trata o fluxo de visitantes como termômetro de competitividade do país. Até o momento não houve cobertura de veículos de esquerda no conjunto analisado; a leitura provável desse campo enfatizaria a capacidade do sistema público de saúde de alcançar terras indígenas e assentamentos rurais como explicação central para a queda da malária.
O que ainda não se sabe é o essencial para julgar os dois balanços. Nenhuma das reportagens traz verificação independente dos números do Ministério da Saúde nem avaliação externa capaz de separar o efeito do novo medicamento de outros fatores, como variação climática, mudanças no fluxo de garimpo e eventual subnotificação. Também não há explicação para o recuo de 1,3% no fluxo de turistas: câmbio, oferta de voos, sazonalidade e base de comparação de 2025 ficam sem tratamento, e nem a Embratur nem o Ministério do Turismo se manifestam sobre o resultado. Faltam ainda metas oficiais de eliminação da malária, o custo do programa e o cronograma de expansão do reforço vacinal contra o sarampo para além das três cidades citadas.