Fundo Florestas Tropicais para Sempre chega a US$ 7,3 bilhões com aporte britânico
2 veículos de centro

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
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Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
- O fundo pagará US$ 4 por hectare de floresta conservada, com desconto em caso de desmatamento ou queimada.
- Ao menos 20% dos rendimentos destinados a cada país devem ir para povos indígenas e comunidades locais.
- Nas projeções mais otimistas, o Brasil poderia receber entre US$ 1 bilhão e US$ 1,3 bilhão por ano.
- Sem os US$ 10 bilhões até dezembro, a operação não começa em 2027 e o aporte de US$ 3 bilhões da Noruega fica em risco.
Onde os lados concordam
A cobertura disponível converge em três pontos: o aporte britânico é empréstimo condicionado, e não doação; o Fundo Florestas Tropicais para Sempre passa a somar cerca de US$ 7,3 bilhões; e o mecanismo só entra em operação se alcançar US$ 10 bilhões até o fim do ano.
O que ainda está incerto
- Qual será o valor final britânico, já que há menção a desembolso adicional nos próximos meses.
- Como ficará o desenho de governança e quanto poder de decisão cada financiador terá.
- Se Canadá e China contribuirão a tempo de o fundo alcançar a meta até dezembro.
O governo britânico decidiu entrar no Fundo Florestas Tropicais para Sempre com 400 milhões de libras, cerca de US$ 540 milhões, na forma de empréstimo e com exigência de assento nas instâncias de decisão. Com o aporte, o mecanismo criado pelo Brasil e lançado na COP30 soma cerca de US$ 7,3 bilhões, ainda abaixo dos US$ 10 bilhões necessários para começar a operar.
O governo do Reino Unido anunciou em 3 de setembro de 2026 que investirá 400 milhões de libras esterlinas, cerca de US$ 540 milhões, ou R$ 2,7 bilhões, no Fundo Florestas Tropicais para Sempre, mecanismo conhecido pela sigla em inglês TFFF. A decisão foi comunicada ao Parlamento britânico pelo Departamento de Segurança Energética, e o dinheiro entrará na forma de empréstimo, e não de doação. Com o aporte, o fundo criado e liderado pelo Brasil passa a somar cerca de US$ 7,3 bilhões, o equivalente a R$ 37,6 bilhões.
O valor ainda está abaixo do patamar de US$ 10 bilhões que o mecanismo precisa alcançar até o fim do ano para começar a operar e para preservar o compromisso da Noruega, de US$ 3 bilhões. A expectativa registrada na cobertura é de que essa marca seja atingida até dezembro. Nesse cenário, o fundo captaria recursos no mercado já no início de 2027, o monitoramento da cobertura florestal dos países participantes aconteceria entre 2027 e 2028, e os pagamentos começariam entre 2028 e 2029.
A cobertura disponível até o momento é de veículos de centro, e ela converge nos pontos essenciais. O TFFF foi lançado pelo governo Lula durante a COP30, em Belém, e propõe remunerar tanto os financiadores quanto os países que mantêm florestas tropicais de pé. A meta declarada é reunir US$ 25 bilhões em recursos públicos e US$ 100 bilhões de fontes variadas, inclusive privadas, aplicados em uma carteira diversificada de renda fixa com rendimento estimado entre 7% e 8% ao ano. Os financiadores ficariam com cerca de 4% dos rendimentos, e os países que preservarem receberiam outros 4%. O pagamento previsto é de US$ 4 por hectare conservado, com redução em caso de desmatamento ou de degradação por fogo. Até 74 países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, poderiam ser recompensados, e ao menos 20% dos rendimentos destinados a cada nação devem ir para povos indígenas e comunidades locais. Pelas projeções mais otimistas, o Brasil poderia receber entre US$ 1 bilhão e US$ 1,3 bilhão por ano, desde que mantenha índices de desmatamento muito baixos.
A condição imposta por Londres é o ponto que mais rende leitura política. O comunicado enviado ao Parlamento afirma que a contribuição depende da finalização das regras de governança e da participação britânica nas estruturas de decisão e supervisão do fundo, o que, segundo o próprio texto oficial, permitiria ao país promover suas prioridades e assegurar resultados para contribuintes e investidores britânicos, incluindo a City de Londres. O governo do Reino Unido descreve a operação como uma nova abordagem de financiamento climático, atuando como investidor em vez de doador. O país não havia sinalizado aporte durante a COP30, e a incerteza aumentou com a renúncia de Keir Starmer ao cargo de primeiro-ministro, em junho.
Fontes
O Reino Unido anunciou nesta quinta-feira (3) o aporte de US$ 540 milhões ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), mecanismo de financiamento para manter a floresta de pé…

