Caiado e Zema debatem sozinhos em 23 de setembro sem Lula e Flávio Bolsonaro
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O debate presidencial realizado em São Paulo em 23 de setembro de 2026 reuniu apenas Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão) recusaram o convite, e Augusto Cury (Avante) desistiu no mesmo dia por um velório. Com a mesa esvaziada, os dois presentes concentraram as falas nos ausentes: Caiado acusou Lula e Flávio Bolsonaro de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, com o INSS e com a chamada rachadinha, sem apresentar provas, e comparou o voto em qualquer um deles a jogar em aposta perdida; Zema disse querer metade dos ministros do Supremo Tribunal Federal fora da Corte e parte deles presa. Nenhum dos dois declarou apoio a quem quer que seja num eventual segundo turno, e os dois evitaram atacar-se. Nos dois dias anteriores, Caiado já dizia que os líderes das pesquisas estavam fugindo dos debates.
Dois candidatos que somam pouco mais de 7% das intenções de voto usaram um debate esvaziado para lançar acusações de corrupção contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro sem apresentar uma única prova, segundo o próprio registro da cobertura.
O debate de 23 de setembro expôs, para a leitura de direita, a fuga dos dois favoritos ao escrutínio público: Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro preferiram não sentar diante de perguntas, e quem apareceu foi cobrado.
16 fontes políticas
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Veículos com viés à direita
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As coberturas de centro e de direita convergem nos fatos do encontro: só Ronaldo Caiado e Romeu Zema compareceram, Lula e Flávio Bolsonaro recusaram o convite, os dois presentes evitaram atacar-se e nenhum deles declarou apoio em um eventual segundo turno entre os líderes das pesquisas. Também é ponto comum que as acusações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, o INSS e a rachadinha foram lançadas no palco sem documento ou prova apresentada.
Com Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos fora e Augusto Cury desistindo no mesmo dia, o debate presidencial de 23 de setembro em São Paulo ficou só com Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Os dois transformaram a ausência dos favoritos em argumento, lançaram acusações de corrupção sem provas e propuseram mudanças no Supremo Tribunal Federal e na política de segurança.
O debate presidencial realizado em São Paulo na quarta-feira, 23 de setembro, terminou com apenas dois dos seis candidatos convidados no palco. Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás, e Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, ficaram sozinhos depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão) recusaram o convite. Augusto Cury (Avante) havia confirmado presença e desistiu na tarde do mesmo dia para ir ao velório do empresário Bruno Avelar, morto em um acidente aéreo. A onze dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, o encontro virou uma sequência de cobranças dirigidas aos dois nomes que lideram as pesquisas.
Caiado acusou Lula e Flávio Bolsonaro de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, com o INSS e com a chamada rachadinha, sem apresentar provas, e comparou o voto em qualquer um dos dois a uma aposta em que o eleitor já sai perdendo. Zema afirmou que os dois teriam interesse em manter Vorcaro calado e disse querer ver metade dos ministros do Supremo Tribunal Federal fora da Corte, com parte deles presa. Nenhum dos dois declarou apoio em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Entre si, mantiveram clima amistoso e elogiaram as gestões que comandaram em Goiás e em Minas Gerais.
A cobertura de centro relatou o roteiro do encontro com atenção ao que não foi comprovado: registrou de forma expressa que as acusações sobre Vorcaro, INSS e rachadinha foram feitas sem apresentação de provas, detalhou as propostas de reforma administrativa, com corte de penduricalhos, mérito para servidores e crítica à existência de 38 ministérios, e reconstituiu a escalada dos dois dias anteriores, quando Caiado já dizia que Lula e Flávio Bolsonaro estavam correndo dos debates e que a rejeição dos adversários era maior que a sua. Essa cobertura também lembrou que pesquisa do instituto Quaest divulgada em 21 de setembro trazia Lula com 37%, Flávio Bolsonaro com 33%, Augusto Cury com 6% e Caiado com 4%.
Veículos de direita deram mais espaço à agenda de segurança pública e ao enfrentamento com o Judiciário. Nessa cobertura ganharam relevo a proposta de uma polícia sul-americana integrada contra o crime transnacional, o uso de inteligência artificial para rastrear enriquecimento ilícito, o endurecimento de penas para roubo de celular, a política prisional inspirada no modelo de El Salvador, a classificação de facções como organizações terroristas e a parceria com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Também apareceram com destaque a responsabilização do governo federal pelo avanço da criminalidade e pelo endividamento das famílias, a recusa de Zema a descartar uma aliança com o bolsonarismo, resumida por ele na frase de que tudo pode acontecer, e a irritação do candidato com a ordem da Justiça Eleitoral que mandou retirar do ar um vídeo de sua campanha. Um contraponto ficou registrado nessa mesma cobertura: Caiado rejeitou qualquer interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira e defendeu que a disputa seja decidida só pelos eleitores.
Veículos de esquerda não cobriram o encontro no material reunido, e essa ausência é o ponto cego da história. O leitor não encontra, nas fontes disponíveis, a leitura que questionaria o teor das acusações sem prova, o caráter punitivista das propostas de segurança ou o pedido de prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal feito por um candidato à Presidência.
O que ainda não se sabe é decisivo para avaliar o que foi dito no palco. Nenhuma prova foi apresentada para sustentar as acusações de corrupção, e as fontes reunidas não trazem manifestação das campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro sobre por que declinaram do convite nem sobre as acusações recebidas. Também não se sabe a quem Caiado e Zema apoiariam num segundo turno entre os dois líderes, já que os dois evitaram responder, nem qual foi o efeito eleitoral do debate esvaziado, porque nenhuma pesquisa posterior citada nas fontes mediu o impacto da ausência dos favoritos.
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