Câmaras municipais de duas grandes cidades brasileiras analisaram, em junho de 2026, reajustes salariais para servidores públicos atrelados à inflação. Em Campinas, no interior de São Paulo, os vereadores votaram em sessão noturna a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 e, na mesma pauta, um projeto que concede reajuste de 4,39% aos servidores municipais, retroativo a 1º de maio de 2026. No Rio de Janeiro, a Câmara Municipal de Niterói aprovou por unanimidade um reajuste de 5% aos seus servidores, percentual que ficou acima da inflação acumulada em doze meses, de 4,39%, medida pelo IPCA do IBGE.
A cobertura de centro relatou os números com precisão. Em Campinas, a LDO prevê receita primária de R$ 9,86 bilhões, alta de 14,6% em relação ao ano anterior, chegando a R$ 11,7 bilhões na receita consolidada quando se inclui o regime próprio de previdência, o Camprev. O reajuste de 4,39% alcança servidores ativos, inativos e pensionistas, e o projeto também eleva o auxílio-refeição em 7,5%, para R$ 2.150,12. Em Niterói, o aumento de 5% abrange efetivos, comissionados, aposentados e pensionistas, além de gratificações de categorias como auditores fiscais e técnicos de meio ambiente, e seguiu para sanção do prefeito Rodrigo Neves, do PDT.
As duas votações convergem em pontos centrais: ambas concedem recomposição salarial dentro ou pouco acima da inflação, ambas resultam de projetos enviados pelo Executivo e negociados com sindicatos, e ambas estendem o benefício a aposentados e pensionistas. Em Campinas, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal destacou que a pauta foi aprovada em assembleia da categoria. Em Niterói, a votação foi unânime entre os 17 vereadores presentes.
A divergência de cobertura aparece no enquadramento. Veículos de direita enfatizaram a dimensão de responsabilidade fiscal: destacaram a fala da prefeitura de Niterói, que descreveu o reajuste como compromisso de recompor salários acima da inflação com boa gestão das contas públicas, e inseriram um lembrete sobre o recorde de gasto público dos estados com o Judiciário em 2025, sinalizando preocupação com a despesa do setor público. Numa leitura à esquerda, o mesmo fato ganharia outro contorno: o reajuste de 4,39% em Campinas apenas repõe a inflação, sem ganho real, e em Niterói os profissionais da educação, representados pelo Sepe, reivindicavam 13%, bem acima dos 5% aprovados, o que revela a defasagem das categorias. O vereador Professor Túlio, do Psol e de oposição ao governo de Niterói, cobrou a criação de uma mesa permanente de negociação entre governo e servidores, apresentada como promessa de campanha do prefeito.
O que ainda não se sabe é o custo fiscal total dos reajustes para os cofres municipais, se haverá novas rodadas de negociação setorial capazes de elevar os percentuais para categorias específicas, e se os projetos serão sancionados sem alterações pelos respectivos Executivos.