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A Câmara dos Deputados deve votar nesta semana o PL da Misoginia, projeto que equipara o ódio às mulheres ao crime de racismo, tornando a conduta inafiançável e imprescritível, com pena de dois a cinco anos de reclusão e multa. Aprovado por unanimidade no Senado em março, o texto teve um substitutivo apresentado pela relatora Tabata Amaral, que redefiniu misoginia como indução ou incitação à violência e à ofensa à dignidade da mulher. A proposta divide os parlamentares: a oposição alega riscos à liberdade de expressão e religiosa, enquanto a base sustenta que se trata de proteção contra a violência, sobretudo no ambiente digital.
A Câmara dos Deputados deve votar nesta semana o chamado PL da Misoginia, projeto de lei que equipara o ódio e a aversão às mulheres ao crime de racismo. Pela proposta, a conduta passa a ser inafiançável e imprescritível, com pena de dois a cinco anos de reclusão e multa. O texto foi aprovado por unanimidade no Senado em março, é de autoria da senadora Ana Paula Lobato, e chegou ao plenário da Câmara após acordo dos líderes partidários para colocá-lo em votação até o início de julho. O presidente da Casa, Hugo Motta, marcou reunião de líderes para definir a pauta da semana.
A cobertura de centro relatou os detalhes técnicos do projeto com paridade entre os lados. A relatora na Câmara, deputada Tabata Amaral, apresentou um substitutivo que reformulou o conceito jurídico de misoginia: em vez de caracterizar a conduta como ódio ou aversão, a nova redação define o crime como a indução ou incitação à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher. O texto inclui a misoginia entre os crimes da Lei do Racismo, prevê agravantes quando a vítima for criança, idosa ou pessoa com deficiência, e estabelece medidas específicas para o ambiente digital, como a suspensão temporária de contas e perfis em redes sociais usados para a prática do crime.
É no enquadramento do debate parlamentar que as coberturas divergem. Veículos de esquerda destacaram que o projeto fecha uma lacuna legal e responde à escalada de ataques misóginos, sobretudo na internet. Nesse enquadramento, a fala da relatora Tabata Amaral ganha relevo: segundo ela, casos recentes reforçam a necessidade de a sociedade definir limites sobre o que é tolerável quando se propõe a proteger as mulheres. A resistência da oposição é apresentada, nessa leitura, como tentativa de preservar a liberdade de agredir sob o argumento da liberdade de expressão.
Veículos de direita enfatizaram o risco de o texto restringir a liberdade de expressão e a liberdade religiosa. Essa cobertura deu destaque às críticas do deputado Nikolas Ferreira, que classificou a proposta como uma aberração, e da deputada Júlia Zanatta, que falou em censura, autoritarismo e interferência nas relações humanas. O receio central, nessa leitura, é o de que conceitos amplos sejam usados para criminalizar opiniões culturais ou religiosas sobre o papel da mulher e para silenciar discordâncias, agravado pela previsão de suspensão de perfis e pela natureza imprescritível e inafiançável do crime.
Apesar das divergências, há pontos em que as coberturas convergem. Todos os veículos relatam que o projeto foi aprovado no Senado, que a relatoria na Câmara está com Tabata Amaral, que há um substitutivo reformulando o conceito de misoginia, e que existem medidas voltadas ao ambiente digital. Também há consenso de que o projeto não tem apoio unânime na Câmara e de que a oposição quer adiar ou rediscutir o texto.
O que ainda não se sabe é o desfecho da votação. Não há garantia de que o projeto seja efetivamente apreciado nesta semana, já que a pauta depende do acordo de líderes convocado por Hugo Motta, que inclui também outros temas prioritários, como a regulamentação da inteligência artificial e o aumento do teto de faturamento do microempreendedor individual. Tampouco está definido se a versão a ser votada será o substitutivo da relatora ou o texto original aprovado pelo Senado, ponto que concentra boa parte da disputa entre base e oposição.
Esquerda, centro e direita concordam que o projeto foi aprovado por unanimidade no Senado, que a relatora Tabata Amaral apresentou um substitutivo reformulando o conceito de misoginia e que o texto inclui medidas para crimes cometidos em redes sociais. Há consenso de que o projeto não tem apoio unânime na Câmara.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
O texto enfatiza a proteção das mulheres e a necessidade de definir limites sociais para condutas misóginas, dando voz forte à relatora Tabata Amaral. As críticas da oposição são apresentadas como resistência a uma medida protetiva, framing alinhado à esquerda em pauta de direitos.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Texto equilibra base e oposição ao apresentar tanto a crítica de que o projeto ameaçaria a liberdade religiosa quanto o argumento de que mudanças poderiam significar liberdade de agressão. Vocabulário neutro, sem enquadramento valorativo.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Embora factual na maior parte, o texto dedica seção própria às bancadas conservadoras, reproduz com destaque os termos 'aberração' e 'censura' e enfatiza riscos à liberdade de expressão e religiosa, framing alinhado à direita. A defesa da relatora aparece em menor proporção.
Perspectivas omitidas

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Resumo equilibrado: descreve o substitutivo, os agravantes e as medidas digitais, e apresenta tanto a resistência da oposição quanto os argumentos dos defensores em paridade. Sem vocabulário carregado.
Perspectivas omitidas
Cobertura factual da movimentação da PEC da escala 6x1 no Senado, com detalhes do texto e dos atores envolvidos. Vocabulário neutro, sem enquadramento valorativo. Tópico distinto do PL da Misoginia, agrupado no mesmo cluster.
Perspectivas omitidas
Cobertura factual e procedimental do encaminhamento do caso Dark Horse à PGR pelo ministro Mendonça, explicando o regimento da Corte. Vocabulário neutro. Tópico distinto do PL da Misoginia, agrupado no mesmo cluster.
Perspectivas omitidas
Explica o reajuste do teto do MEI, a renúncia fiscal e a tensão com a Câmara sobre o Simples Nacional, com dados concretos. Vocabulário técnico e neutro, embora a expressão 'pauta-bomba' seja atribuída ao governo. Tópico distinto do PL da Misoginia, agrupado no mesmo cluster.
Perspectivas omitidas
Reportagem factual sobre o reajuste do teto do MEI, com os mesmos valores e o impacto fiscal da extensão ao Simples Nacional. Vocabulário neutro. Tópico distinto do PL da Misoginia, agrupado no mesmo cluster.
Perspectivas omitidas



