Lula retoma diálogo com Davi Alcolumbre para destravar pautas antes do pleito
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Veículos com viés à direita
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Briefing
O que importa para você
- O fim da escala 6x1 depende de votação no Senado e ainda não tem data marcada.
- O projeto dos combustíveis pode estender ao etanol os subsídios hoje dados à gasolina, com efeito sobre o preço na bomba.
- A taxa das blusinhas volta a valer se o Congresso não deliberar sobre a medida provisória até setembro.
- O projeto que inclui a misoginia na legislação antirracismo depende do Colégio de Líderes para ser pautado.
Onde os lados divergem
- A cobertura de centro lista como prioridade do governo o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e o projeto das terras raras, negociados no Senado.
- A cobertura de esquerda coloca no topo o projeto de lei complementar dos combustíveis e o projeto contra a misoginia, negociados na Câmara.
- Não há registro de cobertura de direita, então falta no conjunto a crítica ao custo fiscal dos subsídios e ao uso eleitoral do calendário.
Onde os lados concordam
As duas coberturas concordam que Planalto, Câmara e Senado tentam aprovar um bloco de projetos antes do início da campanha, que o tempo é curto por causa do calendário eleitoral e que a relação entre Lula e Davi Alcolumbre foi reconstruída após a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
O que ainda está incerto
- Não há data definida para a votação da PEC da escala 6x1 no Senado.
- A comissão mista da medida provisória da taxa das blusinhas ainda não foi instalada.
- Não se sabe o texto final do projeto dos combustíveis, que depende de acordo entre lideranças e governo.
A reaproximação entre o Planalto e o Senado destravou uma semana de negociações no Congresso. Enquanto Lula e Davi Alcolumbre discutem o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública, a Câmara articula o projeto dos combustíveis. O relógio é o calendário eleitoral: a campanha começa no domingo e o Congresso tende a esvaziar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, voltaram a se reunir nesta semana, desta vez a sós, para tratar da agenda que o governo quer ver aprovada no Congresso antes do início oficial da campanha eleitoral. O encontro ocorreu um dia depois de uma conversa no Palácio da Alvorada sobre a pauta legislativa e consolidou uma reaproximação recente. Os dois passaram cerca de três meses sem se falar depois de o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), e a retomada do diálogo começou em uma reunião organizada pelo ministro Alexandre de Moraes, com a participação do ministro Cristiano Zanin.
A cobertura de centro relatou que o líder do governo no Senado, Camilo Santana, confirmou o novo encontro e descreveu a relação entre os dois como distensionada. Segundo ele, três projetos concentram a prioridade do Executivo: o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e a proposta que trata das terras raras e dos minerais críticos. A orientação, afirmou, é viabilizar as três matérias antes das eleições. A PEC que acaba com a escala 6x1 já foi aprovada pela Câmara e aguarda análise do Senado, mas a conversa no Alvorada terminou sem calendário de votação definido. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, ficou encarregada, ao lado de Alcolumbre, de sondar os senadores sobre o andamento do texto.
Veículos de esquerda destacaram o outro lado da articulação, na Câmara. O presidente da Casa, Hugo Motta, reuniu-se com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e apontou como prioridade o projeto de lei complementar que trata dos subsídios concedidos à gasolina, que poderão ser estendidos ao etanol. O texto pode ser ampliado para incluir a produção nacional de fertilizantes, a exploração de minerais críticos, a realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 e a antecipação de receitas para o Ministério da Defesa. Motta afirmou que a urgência maior é evitar pressão adicional sobre o preço dos combustíveis e, por consequência, sobre a inflação. Essa cobertura também deu peso ao projeto que inclui a misoginia entre os crimes previstos na legislação antirracismo, aprovado pelo Senado e relatado na Câmara pela deputada Tabata Amaral, e registrou a resistência de setores da Casa e da bancada evangélica ao texto.
Os dois enquadramentos convergem no diagnóstico de fundo. O Congresso tem poucos dias úteis pela frente, a campanha começa no domingo e a tendência é de esvaziamento, com um novo período de esforço concentrado previsto apenas entre 31 de agosto e 3 de setembro. Divergem, porém, sobre o que está no topo da fila. A leitura de centro coloca a pauta trabalhista e a segurança pública no centro da estratégia eleitoral do presidente, que afirmou nas redes sociais que os trabalhadores não podem mais esperar pelo fim da escala 6x1. A leitura de esquerda organiza a semana em torno do custo de vida e das pautas de proteção, com os combustíveis e o enfrentamento à violência contra as mulheres à frente. Veículos de direita não registraram o encontro no material analisado, de modo que a crítica habitual desse campo, sobre custo fiscal dos subsídios e uso eleitoral do calendário legislativo, não aparece no conjunto disponível.
Ainda não se sabe quando, nem se, a PEC da escala 6x1 será votada pelo Senado: não há data marcada e o governo trabalha com a hipótese de votação antes do primeiro turno. Também segue em aberto o destino da medida provisória conhecida como taxa das blusinhas, cuja comissão mista sequer foi instalada e cujo prazo de validade termina em setembro. Não há definição sobre a inclusão do projeto contra a misoginia na pauta, decisão que depende do Colégio de Líderes, nem sobre o texto final do projeto dos combustíveis, que depende de acordo entre as lideranças e o Planalto.
Fontes

A Câmara dos Deputados deve concentrar esforços nesta semana na votação de projetos considerados prioritários pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre eles o projeto de lei…

Encontro ocorre nesta quinta; Planalto tenta aproveitar reaproximação para destravar propostas antes do esvaziamento do Congresso