Caminhoneiros voltam a ameaçar uma greve nacional caso o Senado não vote a Medida Provisória do Frete até 16 de julho, quando o texto perde a validade. A MP 1.343/2026, assinada pelo governo federal em março, endurece a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário e cria um bloqueio digital que impede a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte quando o valor pago estiver abaixo da tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres. Aprovada pela Câmara dos Deputados em 17 de junho, a proposta está parada há semanas no Senado sob a presidência de Davi Alcolumbre, que ainda não incluiu o tema na pauta do plenário.
A cobertura de centro relatou que o presidente Lula chegou a afirmar, na semana anterior, que o texto seria votado em 7 de julho, mas a medida sequer entrou na ordem do dia do Senado naquela data. O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, Wallace Landim, o Chorão, tornou-se a voz mais visível da pressão sobre o Congresso, afirmando que a categoria responsabilizará Alcolumbre por uma eventual greve. Segundo relatos convergentes, a MP também perdoa multas aplicadas a caminhoneiros e transportadoras por bloqueios de rodovias após as eleições de 2022, ponto que gerou críticas da oposição durante a tramitação na Câmara, onde o governo tentou, sem sucesso, retirar o dispositivo.
Veículos de direita enfatizaram que o impasse tem raízes políticas: o atraso na votação teria relação com o racha entre Lula e Alcolumbre após a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, e não apenas com o mérito da proposta. Essa cobertura também deu destaque às concessões obtidas pelo relator Zé Trovão, que reduziu a multa máxima prevista de R$ 10 milhões para R$ 1 milhão e flexibilizou regras de suspensão de registro para empresas de transporte, além de dar voz a entidades do agronegócio, da indústria e de embarcadores que criticam o aumento da fiscalização como fonte de custos logísticos e insegurança jurídica. Ainda que nenhum veículo de esquerda tenha coberto diretamente o episódio nesta seleção, a leitura mais provável desse espectro tenderia a valorizar o piso salarial de R$ 5 mil para motoristas contratados e a fiscalização de grandes contratantes como proteção a uma categoria historicamente precarizada, e a enquadrar a resistência empresarial como defesa de margens à custa da renda dos trabalhadores.
O que ainda não se sabe é se o Senado, pressionado pelo prazo de 16 de julho e pela proximidade do recesso parlamentar em 18 de julho, incluirá o texto na pauta a tempo, e em que medida eventuais mudanças no conteúdo aprovado pela Câmara poderão obrigar nova análise dos deputados antes de a MP perder a validade.