Candidatos ao Senado por São Paulo trocam acusações e prometem oito anos de mandato
Relato de fonte única, atribuído a O Estado de S.Paulo. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Os principais candidatos ao Senado por São Paulo participaram, na noite de 23 de setembro, de um debate promovido em parceria com a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), na capital paulista. Antes do encontro, todos afirmaram que pretendem cumprir os oito anos de mandato caso sejam eleitos. Durante duas horas, discutiram orçamento estadual, emendas parlamentares, segurança pública, apostas online, fim da escala 6x1 e pacto federativo. Houve troca de acusações sobre corrupção e defesa, por parte de candidatos do campo da direita, da abertura de processo de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
A 11 dias da eleição, os principais candidatos ao Senado por São Paulo se comprometeram a cumprir os oito anos de mandato e discutiram segurança pública, emendas parlamentares, escala 6x1 e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. O encontro foi promovido em parceria com a Fundação Armando Álvares Penteado, na capital paulista.
Os principais candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo participaram, na noite de quarta-feira, 23 de setembro, de um debate promovido em parceria com a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), na capital paulista. Antes de entrarem no estúdio, todos disseram à imprensa que, se eleitos, pretendem permanecer no cargo pelos oito anos de mandato, sem sair para ocupar ministério ou disputar outra eleição. A promessa responde a um padrão conhecido da política brasileira, em que senadores eleitos deixam a cadeira em razão de acordos posteriores à votação.
Guilherme Derrite (PP) afirmou que quer cumprir o mandato inteiro para servir de base às reformas de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). André do Prado (PL), também da chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que permanecerá no cargo até 2034. Ricardo Salles (Novo) declarou que será uma honra ficar os oito anos. Marina Silva (Rede) afirmou que já concluiu sua missão como ministra do Meio Ambiente e que pretende terminar o mandato. Simone Tebet (PSB) lembrou que recusou convites para outros cargos quando foi senadora pelo Mato Grosso do Sul. Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos) também se comprometeram com o período completo.
O debate durou duas horas e passou por orçamento estadual, emendas parlamentares, segurança pública, apostas online, fim da escala 6x1 e pacto federativo. O embate mais acalorado opôs Ricardo Salles e André do Prado: o candidato do Novo chamou o adversário de marionete do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o candidato do PL respondeu afirmando que Salles é réu no Supremo Tribunal Federal. Simone Tebet disse que a sucessão de escândalos está matando o futuro do País e que o problema não distingue esquerda, direita ou centro.
A relação com o Supremo foi um dos pontos mais tensos. Guilherme Derrite defendeu a instauração de processos de impeachment contra ministros da Corte, citando indícios apontados no escândalo do Banco Master, e propôs mudar o regimento interno do Senado para impedir que a presidência da Casa deixe de pautar esses pedidos. André do Prado afirmou que Davi Alcolumbre (União-AP) não reúne mais condições de presidir o Senado. Em segurança pública, Marina Silva e Simone Tebet defenderam integração entre Polícia Civil, Polícia Militar e órgãos de controle, além de serviço de inteligência para alcançar as chefias do PCC e do Comando Vermelho, e lamentaram a não aprovação da PEC da Segurança Pública. Sobre apostas, Geraldo Rufino pediu proibição total e comparou o hábito ao consumo de drogas, enquanto Soninha Francine alertou para o risco de empurrar a atividade para a ilegalidade. No pacto federativo, André do Prado sustentou que de cada 100 reais enviados a Brasília apenas nove retornam ao Estado, e Simone Tebet cobrou garantia de recursos para as universidades públicas paulistas em qualquer mudança no ICMS.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o encontro, em duas matérias: uma com as promessas de permanência no cargo e outra com o registro das duas horas de debate. Essa cobertura de fonte única distribuiu espaço entre as candidatas ligadas ao governo federal e os candidatos do campo da direita, com aspas diretas dos dois lados, mas deu destaque próprio à cobrança de impeachment de ministros do Supremo e ao escândalo do Banco Master. Não há, neste conjunto, cobertura de outros veículos que permita comparar a seleção de temas ou o peso dado a cada fala.
Alguns pontos seguem em aberto. As acusações trocadas entre os candidatos não foram verificadas na reportagem, e os ministros do Supremo mencionados, assim como o presidente do Senado, não foram ouvidos. A afirmação sobre 109 pedidos de impeachment arquivados aparece sem confirmação independente. Também não se sabe como Guilherme Derrite responderá às suspeitas envolvendo a nomeação do então comandante da Polícia Militar, sobre as quais disse não haver informação disponível à época, nem se os compromissos de cumprir o mandato inteiro se sustentarão depois da eleição, já que não há qualquer efeito legal vinculado a essa promessa.
Briefing
O que importa para você
- A eleição para as duas vagas do Senado por São Paulo ocorre em 4 de outubro, e o mandato em disputa vai até 2034.
- Estão na mesa o fim da escala 6x1, a proibição ou regulação das casas de apostas online e a PEC da Segurança Pública.
- Uma mudança no ICMS dentro da reforma tributária afeta diretamente o financiamento das universidades públicas paulistas.
- O repasse da União ao Estado, segundo André do Prado, devolve nove reais a cada 100 arrecadados.
Onde os lados divergem
- Supremo: Guilherme Derrite e André do Prado defendem abrir impeachment de ministros a partir do caso Banco Master; Marina Silva e Simone Tebet centram a fala em segurança e orçamento, sem aderir à ofensiva contra a Corte.
- Escala 6x1: André do Prado só aceita a redução de jornada com desoneração da folha; Soninha Francine questiona o efeito no comércio e nos pequenos empregadores.
- Apostas online: Geraldo Rufino quer proibição total; Soninha Francine defende regulação, para não empurrar o setor à ilegalidade.
Onde os lados concordam
Candidatos de campos opostos convergiram em dois pontos: todos se comprometeram a cumprir os oito anos de mandato, sem sair para outro cargo, e todos trataram os escândalos de corrupção como problema central da política brasileira, sem restringi-lo a um único lado do espectro.
O que ainda está incerto
- As acusações trocadas no debate, incluindo a de que um candidato é réu no Supremo e a de 109 pedidos de impeachment engavetados, não foram verificadas por nenhuma fonte.
- Os ministros do Supremo citados e o presidente do Senado não foram ouvidos.
- Não há esclarecimento sobre o que se sabia, à época da nomeação, quanto ao envolvimento de policiais com o PCC no caso do então comandante da Polícia Militar.
Fontes

Questionados antes do debate, todos os candidatos disseram que não pretendem deixar o cargo por costuras políticas posteriores

Embate envolveu temas como orçamento do estado, suspeitas sobre corrupção, segurança pública, escala 6x1 e impeachment de ministros do STF



