Carlos Brandão pede que STJ assuma inquérito da PF após decisões de Flávio Dino
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O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), negou em 15 de agosto de 2026 ter envolvimento com uma organização criminosa investigada pela Polícia Federal. A manifestação ocorreu depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, tornou públicas três decisões do inquérito que apura corrupção, desvio de recursos públicos, obstrução da Justiça e a possível ligação desses fatos com o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, em São Luís, em 2022. Em nota de 17 de agosto, os advogados do governador pediram que o caso seja transferido ao Superior Tribunal de Justiça, sob o argumento de que governadores têm foro naquela corte em crimes comuns. O inquérito subiu ao Supremo em novembro de 2025 por envolver o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Daniel Brandão, sobrinho do governador e presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, foi afastado cautelarmente.
A apuração que chegou ao Supremo Tribunal Federal trata de dinheiro público que deveria financiar serviços no Maranhão e de um assassinato ocorrido em 2022, e é isso que está no centro do caso. A Polícia Federal aponta Carlos Brandão como provável líder de um grupo que teria se organizado em torno de contratos e recursos públicos, com o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Daniel Brandão, entre os citados, situação que expõe o risco de captura dos órgãos de controle por laços familiares e políticos.
O caso levanta uma questão institucional anterior ao mérito: quem pode investigar um governador. A Constituição fixa que governadores respondem por crimes comuns no Superior Tribunal de Justiça, e a defesa de Carlos Brandão sustenta que a supervisão do inquérito pelo Supremo Tribunal Federal configura usurpação de competência e violação do princípio do juiz natural.
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: falácia identificada.
Todos os lados registram os mesmos fatos centrais: a Polícia Federal aponta Carlos Brandão como provável líder de uma organização criminosa, ele nega qualquer envolvimento, o inquérito nasceu do assassinato de um empresário em São Luís em 2022 e subiu ao Supremo Tribunal Federal por causa do foro do senador Weverton Rocha. Há convergência também em que se trata de apuração em curso, sem condenação.
Carlos Brandão nega ser líder de organização criminosa apurada pela Polícia Federal e contesta a competência do Supremo Tribunal Federal para supervisionar o inquérito relatado por Flávio Dino. A comparação entre coberturas de esquerda, centro e direita mostra onde os veículos concordam sobre os fatos e onde divergem sobre o que está realmente em jogo no Maranhão.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), negou publicamente, no sábado 15 de agosto de 2026, ser o líder de uma organização criminosa investigada pela Polícia Federal. Em vídeo, disse ter recebido a acusação com indignação e classificou as suspeitas como factoide de época de eleição. A reação veio um dia depois de o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, retirar o sigilo de três decisões do inquérito que apura corrupção, desvio de recursos públicos, irregularidades em contratos, obstrução da Justiça e a possível ligação desses fatos com o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, ocorrido em São Luís em 2022. Em 17 de agosto, os advogados do governador divulgaram nota pedindo que a apuração seja transferida ao Superior Tribunal de Justiça.
Há um núcleo de fatos que atravessa toda a cobertura, independentemente do enquadramento. A Polícia Federal aponta Carlos Brandão como provável líder do grupo investigado, e ele nega qualquer envolvimento. O inquérito nasceu do homicídio de 2022, cujo executor foi julgado e condenado a 13 anos de prisão, e avançou para apurar se o crime teria relação com cobrança de propina em contratos públicos. O caso tramitava no Superior Tribunal de Justiça e subiu ao Supremo em novembro de 2025, quando surgiram suspeitas envolvendo o senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, que tem foro por prerrogativa de função naquela corte. Daniel Brandão, sobrinho do governador e presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, foi afastado cautelarmente, e o ex-secretário de Segurança Raimundo Cutrim cumpre prisão domiciliar preventiva. Todos os citados negam irregularidades, e as imputações não representam condenação.
A cobertura de centro concentrou-se nesse encadeamento processual e nas duas versões em disputa, registrando tanto a negativa do governador quanto a manifestação da assessoria do ministro, que afirma que ele atua apenas nos processos distribuídos a seu gabinete e não participa de debates políticos desde que assumiu a cadeira no Supremo, em fevereiro de 2024. Parte dessa cobertura acrescentou a moldura eleitoral: o grupo que governou o Maranhão por dois mandatos se partiu na sucessão de 2026, com Orleans Brandão, sobrinho do governador, disputando o governo pela continuidade e o vice-governador Felipe Camarão associando sua candidatura ao legado de Flávio Dino, enquanto o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, tenta se apresentar como alternativa em pesquisas que ainda divergem entre si.
Os veículos de direita puxaram a matéria para a discussão de competência e de limites do Judiciário. Nessa leitura, a Constituição define que governadores respondem por crimes comuns no Superior Tribunal de Justiça, e a supervisão do inquérito pelo Supremo configuraria usurpação de competência e ofensa ao princípio do juiz natural. Essa cobertura deu relevo à alegação da defesa de que a Procuradoria-Geral da República não referendou a apuração e teria apontado a incompetência do Supremo, ao sigilo que dura mais de um ano sem acesso integral aos autos e à afirmação do governador de que o relator tem vínculo com a política maranhense por apoiar a pré-candidatura de um adversário do seu grupo. O ministro respondeu às críticas dizendo que sua atuação decorre do exercício da jurisdição e que sua trajetória de 37 anos de serviço público é sua principal defesa.
A cobertura de esquerda deu espaço integral ao pronunciamento do governador e à nota da defesa, com ênfase na queixa de que apenas três decisões foram divulgadas de forma seletiva e de que os advogados seguem sem acesso à íntegra do inquérito, tratando o acesso aos autos como garantia processual a ser assegurada. Nesse recorte, porém, praticamente não aparecem os elementos reunidos pela Polícia Federal, nem o teor das decisões que motivaram a reação, o que deixa a versão do investigado sem contraponto.
A divergência central, portanto, não está nos fatos, e sim no que cada lado considera o problema. Para uma parte da cobertura, o ponto é o dinheiro público e o controle capturado por laços familiares em um estado onde o presidente do tribunal de contas é sobrinho do governador. Para outra, o ponto é o tribunal que conduz o caso e a ausência de aval do Ministério Público.
Orleans Brandão e Felipe Camarão disputam o espólio político da antiga aliança, enquanto Eduardo Braide tenta se consolidar como alternativa ao racha.

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Governador se manifestou neste sábado (15), após Flávio Dino tornar públicas três decisões sobre investigação que apura suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos, obstrução da Justiça e homicídio.

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