Recuperação judicial da Casas Bahia entra no horário eleitoral de Flávio Bolsonaro
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Três grupos empresariais de marca conhecida recorreram à Justiça em agosto de 2026 para renegociar dívidas. O Grupo Casas Bahia protocolou recuperação judicial em 16 de agosto, com passivo de aproximadamente R$ 17,3 bilhões envolvendo a companhia e nove subsidiárias, entre elas Casas Bahia, Ponto e Extra.com. Em 24 de agosto, a Braskem pediu recuperação extrajudicial para reorganizar cerca de R$ 56 bilhões, e o Grupo Gennius, dono de Habib's, Ragazzo e Tendal Grill, entrou com recuperação judicial declarando R$ 265,2 milhões. A sequência chegou à disputa presidencial: aliados de Lula monitoram o efeito eleitoral do tema e o senador Flávio Bolsonaro gravou imagens em frente a uma loja fechada da Casas Bahia para o horário eleitoral que estreia em 29 de agosto.
A leitura de esquerda parte de quem paga a conta da crise: os 3 mil trabalhadores demitidos pela Casas Bahia, as 298 lojas fechadas e os R$ 22,3 milhões de dívida trabalhista reconhecidos pelo Grupo Gennius.
Para a leitura de direita, a sequência de pedidos de recuperação em menos de duas semanas retrata um ambiente econômico hostil a quem produz. Casas Bahia, Braskem e Habib's são marcas populares, de presença nacional, e todas chegaram ao mesmo lugar com juros básicos perto de 15% ao ano, crédito caro e consumo pressionado pelo custo de vida.
8 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Todos os lados aceitam os mesmos fatos básicos: Casas Bahia, Braskem e Grupo Gennius pediram socorro judicial em agosto de 2026, somando dívidas de R$ 17,3 bilhões, cerca de R$ 56 bilhões e R$ 265,2 milhões. Há também convergência de que a alta da Selic, de 4% para cerca de 15%, encareceu a rolagem das dívidas, e de que o tema entrou na campanha presidencial de 2026.
Em menos de duas semanas, três grupos empresariais conhecidos do consumidor brasileiro recorreram à Justiça para renegociar dívidas: Casas Bahia, com cerca de R$ 17,3 bilhões, Braskem, com aproximadamente R$ 56 bilhões, e o Grupo Gennius, dono do Habib's, com R$ 265,2 milhões. A sequência chegou à disputa presidencial de 2026 às vésperas da estreia do horário eleitoral na televisão.
O Grupo Casas Bahia protocolou em 16 de agosto de 2026 um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, com passivo declarado de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. O processo envolve a companhia e nove subsidiárias, incluindo as operações das marcas Casas Bahia, Ponto e Extra.com. Oito dias depois, em 24 de agosto, a Braskem apresentou pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar uma dívida financeira estimada em cerca de R$ 56 bilhões, e o Grupo Gennius, controlador das redes Habib's, Ragazzo e Tendal Grill, entrou com recuperação judicial declarando R$ 265,2 milhões. A concentração de pedidos em menos de duas semanas levou a saúde financeira de marcas populares para o centro da disputa presidencial, às vésperas da estreia do horário eleitoral gratuito na televisão.
A cobertura de centro relatou o rito processual com detalhe. O pedido do Grupo Gennius foi aceito pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo em 25 de agosto. O juiz Jomar Juarez Amorim nomeou a consultoria KPMG administradora judicial, suspendeu ações e execuções e determinou que credores não interrompessem contratos por causa do pedido. Negou, porém, a providência mais urgente: liberar os recebíveis de vendas em cartão, cedidos em garantia fiduciária, que hoje vão direto para os bancos. A recuperação abrange 178 pessoas jurídicas, entre elas 119 lojas do Habib's, 26 do Ragazzo e seis churrascarias Tendal, e a dívida se divide em R$ 22,3 milhões de créditos trabalhistas e R$ 241,7 milhões de créditos quirografários. O grupo tem 60 dias para apresentar o plano, sob risco de falência, e afirmou que as lojas seguem funcionando.
Há convergência sobre os fatos econômicos de fundo. As empresas atribuem a crise aos efeitos da pandemia de covid-19, ao avanço do delivery sobre as lojas físicas e à alta dos juros, com a Selic saindo de 4% para cerca de 15%, o que encareceu captação e rolagem das dívidas. No caso da varejista, o quadro é anterior: ela já havia renegociado cerca de R$ 4,1 bilhões em recuperação extrajudicial em 2024, registrou prejuízo de aproximadamente R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, fechou 298 lojas e demitiu 3 mil trabalhadores. Uma análise jurídica de perfil técnico, também de centro, apontou como pontos críticos as cláusulas ipso facto, capazes de tornar exigíveis obrigações superiores a R$ 10 bilhões, e o financiamento conhecido como DIP, de cerca de R$ 1 bilhão, com prioridade sobre créditos já existentes.
A divergência está no uso desses números. Veículos de direita enfatizaram a responsabilização do governo federal, tratando as recuperações como sintoma de um ambiente econômico desfavorável sob a gestão atual, e destacaram que a Petrobras detém 47% do capital votante da Braskem, com Magda Chambriard à frente da estatal e do conselho da petroquímica. Nessa cobertura, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconhecem que o caso da Casas Bahia é o mais preocupante, pela força popular da marca e pelo número de empregos. Veículos de esquerda deslocaram o eixo para o custo social e para a hierarquia de credores: as demissões, os créditos trabalhistas e a decisão que preservou os recebíveis nas mãos dos bancos enquanto negava liquidez às empresas. Nessa chave, a política monetária e as causas próprias de cada companhia explicam mais do que a atribuição eleitoral.
A disputa desemboca na televisão. Segundo apuração de bastidor de veículo de centro, Lula e o senador Flávio Bolsonaro estreiam no horário eleitoral presidencial em 29 de agosto, com programas às terças, quintas e sábados. O senador deve tratar de juros altos e preço dos alimentos e pretende exibir gravações feitas na porta de uma loja fechada da Casas Bahia. O presidente deve abrir pelo fim da escala 6x1 e destacar a saída do Brasil do Mapa da Fome, o fim da chamada taxa das blusinhas e o combate ao feminicídio.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma das três empresas apresentou plano de recuperação, e é o plano que definirá deságios, prazos de carência e viabilidade. Não há número consolidado de empregos em risco no Grupo Gennius, nem confirmação de que o financiamento DIP será contratado. Segue em aberto como a Justiça tratará as cláusulas ipso facto e se a recuperação extrajudicial da Braskem será homologada nos termos negociados com os credores.

Empresa fica protegida de processos de cobrança e execuções de credores — a varejista entrou em recuperação judicial em 16 de agosto

Lula e Flávio estreiam na propaganda eleitoral neste sábado; horário presidencial vai ao ar às terças, quintas e sábados

Grupo Gennius tem dívida de R$ 265,2 milhões. Grupo afirmou que a medida busca preservar a sustentabilidade dos negócios e informou que as lojas continuam funcionando normalmente.

Dívida é de R$ 265,2 milhões; Justiça mantém recebíveis de cartões com bancos

Para credores, investidores e parceiros comerciais, a recuperação deve ser vista mais como uma redefinição da exposição econômica

Além das dificuldades que envolvem aliados e integrantes do círculo político mais próximo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
