Violência política de gênero soma 177 processos e leva TSE a criar protocolo
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O Tribunal Superior Eleitoral divulgou em 22 de setembro de 2026 um painel com 177 processos por violência política de gênero autuados na Justiça Eleitoral no ano, contra 15 em 2022, e firmou com a Procuradoria-Geral Eleitoral um protocolo de ação conjunta para prevenção, denúncia e acompanhamento dos casos. No mesmo evento foram lançadas a campanha Política é Substantivo Feminino, feita com o Ministério Público Federal, um canal especializado na Ouvidoria do tribunal, capacitação para magistrados e servidores e a ferramenta Likeness ID, desenvolvida com o Google para identificar deepfakes no YouTube. São Paulo concentra 29 processos, seguido por Paraná, com 19, e Minas Gerais, com 17; seis estados não registraram casos. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que os números convivem com subnotificação.
O salto de 15 para 177 processos em quatro anos escancara que a exclusão das mulheres da política brasileira não é acaso nem falta de vocação: é resultado de ameaça, assédio e humilhação organizados, agora também em escala digital.
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6 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés ao centro
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Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Toda a cobertura registra os mesmos números do Tribunal Superior Eleitoral: 177 processos autuados em 2026 contra 15 em 2022, concentração em São Paulo, Paraná e Minas Gerais, e 436 denúncias no Ministério Público Federal desde 2018. Há convergência também em dois pontos qualitativos: os dados convivem com subnotificação, como disse o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e o ambiente digital, com deepfakes e ataques coordenados, ampliou o alcance das agressões.
O Tribunal Superior Eleitoral divulgou 177 processos por violência política de gênero autuados na Justiça Eleitoral em 2026, contra 15 em 2022, e assinou um protocolo com a Procuradoria-Geral Eleitoral a menos de duas semanas do primeiro turno. São Paulo, Paraná e Minas Gerais concentram um terço dos casos, e o próprio tribunal reconhece que os números convivem com subnotificação.
O Tribunal Superior Eleitoral e a Procuradoria-Geral Eleitoral assinaram, em 22 de setembro de 2026, um protocolo de ação conjunta contra a violência política de gênero. No mesmo evento, realizado na sede do tribunal em Brasília, a Corte apresentou um painel público de dados que contabiliza 177 processos autuados na Justiça Eleitoral em 2026 sobre o tema. Em 2022, haviam sido 15, o que representa alta de mais de onze vezes em quatro anos.
O pacote anunciado inclui ainda a campanha Política é Substantivo Feminino, criada com o Ministério Público Federal, um canal especializado na Ouvidoria do TSE, treinamento para magistrados e servidores da Justiça Eleitoral e a ferramenta Likeness ID, desenvolvida em parceria com o Google para identificar deepfakes no YouTube. A apresentação ocorreu a doze dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Os números convergem em toda a cobertura. São Paulo concentra 29 processos, seguido por Paraná, com 19, e Minas Gerais, com 17; a região Sudeste soma 63 casos, o Sul 37 e o Nordeste 36, enquanto seis estados não registraram nenhum. O Ministério Público Federal contabiliza 436 denúncias desde 2018, sendo 221 de violência moral e 177 de violência psicológica, e o Ministério Público Eleitoral monitora 433 casos em todo o país. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que esses dados convivem com subnotificação, porque muitas vítimas não reconhecem as condutas como crime ou silenciam por medo. A ministra Estela Aranha sustentou que o dano é coletivo: a agressão afasta quem já está na política e desestimula quem pensaria em entrar.
Veículos de esquerda destacaram o caráter estrutural e o recorte racial do problema. Deram peso à carta entregue ao presidente do tribunal por entidades de direitos das mulheres e do movimento negro, com relatos de ameaças de morte e de violência sexual contra candidatas, exposição de endereços e dados de familiares e ataques racistas e LGBTIfóbicos. Citaram a pesquisa do Instituto Marielle Franco, que examinou 77 casos entre 2021 e 2025 e encontrou 87% de vítimas negras, e ampliaram o escopo para formas econômicas e simbólicas de violência, como a falta de financiamento a campanhas femininas e a fraude em cotas de gênero. Nessa leitura, a sub-representação, com 17,5% de mulheres no Congresso e mais de 700 municípios sem uma única eleita, é consequência direta da agressão e exige resposta do Estado.
A cobertura de centro concentrou-se na geografia dos processos e na construção jurídica do tema. Detalhou o artigo 326-B do Código Eleitoral, criado pela Lei 14.192 de 2021, que prevê reclusão de um a quatro anos e multa, e reconstruiu a jurisprudência recente: em 13 de agosto o TSE proferiu a primeira condenação com base no dispositivo, contra um vereador de Nova Friburgo, e em 3 de setembro manteve a condenação de um vereador de Camaçari. Em ambos os julgamentos a Corte firmou que imunidade parlamentar e contexto de debate político não afastam, por si sós, a responsabilização. Essa cobertura também listou representações apresentadas durante a campanha por candidatas de partidos distintos, em Paraná, Rio de Janeiro e Paraíba, sempre com a ressalva de que apresentar notícia-crime não significa que os investigados tenham sido denunciados à Justiça.
Não houve, no conjunto analisado, cobertura de veículos de direita sobre o anúncio. O ângulo que costuma organizar esse campo, o do devido processo e do limite entre crítica política dura e conduta criminalizada, aparece apenas de forma indireta, nas próprias decisões do tribunal citadas pela cobertura de centro e na ressalva processual sobre representações ainda não analisadas.
O que ainda não se sabe é quanto dos 177 processos autuados neste ano chegará a condenação, já que os dados divulgados contam ações, não desfechos. Também permanece sem definição o julgamento do recurso sobre a responsabilização eleitoral de quem auxilia, sem ser o agressor direto, retirado de pauta em 1º de setembro e sem nova data. E não há medida do alcance real da subnotificação apontada pelo próprio tribunal, nem avaliação do efeito das novas ferramentas antes do primeiro turno.
Painel lançado pelo TSE mostra 177 processos autuados em 2026; estado de São Paulo concentra 29 casos, seguido por Paraná, com 19, e Minas Gerais, com 17

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Nesta matéria: perspectiva omitida.