A primeira pesquisa de intenção de voto divulgada depois do registro oficial das candidaturas no Distrito Federal aponta empate técnico na disputa pelo governo local. A governadora Celina Leão, do Progressistas, aparece com 30% das intenções de voto, e José Roberto Arruda, do Partido Social Democrático, com 28%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, o que coloca os dois nomes tecnicamente empatados. O levantamento ouviu 910 eleitores de 16 anos ou mais em todas as regiões do Distrito Federal, entre 18 e 21 de agosto de 2026, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números DF-07561/2026 e BR-02094/2026.
Na sequência aparecem Leandro Grass, do Partido dos Trabalhadores, com 11%, Paula Belmonte, do PSDB, com 4%, Cappelli, do PSB, com 3%, e Kiko Caputo, do Partido Novo, e Professora Samara Mineiro, da Unidade Popular, com 2% cada. Elisson, do Agir, e Professor Robson, do PSTU, marcam 1% cada, e Expedito Mendonça, do PCO, não atingiu 1%. Onze por cento dos entrevistados pretendem votar em branco ou anular, e 8% estão indecisos. Na pergunta espontânea, feita sem o cartão com os nomes dos candidatos, o quadro se abre: Celina Leão lidera de forma isolada, com 21%, Arruda tem 12%, Grass tem 6% e 49% dos eleitores não sabem em quem votar.
A cobertura de centro relatou os números por recortes do eleitorado, sem atribuir causalidade. Entre homens, Celina Leão tem 34% e Arruda, 28%; entre mulheres, os dois empatam com 28%. A governadora vai melhor entre eleitores com ensino superior, com 31% contra 21% de Arruda, e entre evangélicos, com 38% contra 25%. Entre católicos, os dois praticamente empatam, com 29% e 30%. A rejeição também está equilibrada: 32% dizem que não votariam de jeito nenhum em Celina Leão no primeiro turno e 30% dizem o mesmo de Arruda, enquanto o candidato do Partido dos Trabalhadores é rejeitado por 19%. A avaliação da gestão mostra 24% de ótimo ou bom, 38% de regular e 32% de ruim ou péssimo, com aprovação de 47% ao trabalho da governadora, ante 44% de desaprovação. Celina Leão está no cargo há quatro meses, desde que Ibaneis Rocha deixou o governo para disputar a eleição.
Na disputa pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado, a indefinição é ainda maior: dois em cada três eleitores, ou 67%, não decidiram o voto na pergunta espontânea. Com o cartão de nomes, Michelle Bolsonaro, do Partido Liberal, tem 19%, Leila do Vôlei, do PDT, tem 16%, Erika Kokay, do Partido dos Trabalhadores, tem 12% e Bia Kicis, do Partido Liberal, tem 11%, com Leila empatada tecnicamente com as duas últimas. Entre quem declara voto em Celina Leão para o governo, Michelle Bolsonaro concentra 27%; entre eleitores de Grass, 42% escolhem Erika Kokay.
A divergência de cobertura aparece menos no conteúdo e mais no que cada lado publicou. Veículos de direita, no material reunido nesta story, trataram as eleições de 2026 sobretudo pelo registro formal das candidaturas, com fichas extraídas do Tribunal Superior Eleitoral trazendo número de urna, partido, idade e bens declarados, sem análise do cenário do Distrito Federal. A leitura que costuma organizar esse campo destaca que os dois primeiros colocados vêm de partidos de centro-direita e direita e somam quase 60% das intenções, enquanto o Partido dos Trabalhadores fica em 11%. Não houve, entre os textos reunidos, cobertura de veículos de esquerda sobre este levantamento; o ângulo que esse campo costuma privilegiar está nos mesmos dados, na insatisfação de 32% com a gestão atual, superior à satisfação de 24%, e na alta rejeição dos dois líderes, que sugeriria desgaste em vez de adesão.
O que ainda não se sabe é considerável. Não foi divulgado cenário de segundo turno para o governo do Distrito Federal, o que impede avaliar como se comportariam os votos de Grass e dos demais candidatos numa disputa entre os dois primeiros colocados. Também não há comparação com levantamentos anteriores, de modo que não é possível medir tendência de alta ou queda. As campanhas não se manifestaram sobre os números no material disponível, e nada foi apurado sobre como se distribui o eleitorado que apoiava o antecessor de Celina Leão no governo.